Óleo de bebê ajuda ponteiro a escapar de rivais na Inglaterra

Adama Traoré é daqueles ponteiros das antigas.

Quando recebe a bola pela direita, setor do campo em que geralmente joga, parte para cima do adversário, ou dos adversários (às vezes são dois ou três), e tenta suplantá-lo(s) na velocidade e/ou com dribles.

A força física do espanhol de 25 anos, 1,78 m e 72 kg, também é um trunfo, contribuindo para que, no contato físico, ele leve quase sempre vantagem sobre os marcadores.

É muito difícil derrubá-lo, o que não impede os oponentes de tentar, não raro recorrendo a encontrões e a puxões nos braços do atacante do Wolverhampton, da primeira divisão da Inglaterra.

A repetição desse recurso (agarrão), que às vezes é feito de forma não escandalosa e passa despercebido pela arbitragem, acabou resultando em lesões no ombro que afastaram Adama de algumas partidas.

A fim de torná-lo menos vulnerável ao cerco das mãos adversárias, o departamento médico dos Wolves teve uma ideia, até onde sei, inédita: tornar o já liso Adama mais liso ainda.

Liso no sentido denotativo.

A tática foi orientar o camisa 37 a passar em seus braços óleo para bebê. Daqueles tipo Johnson, que servem para hidratar a pele do recém-nascido e ajudam a remover crostas do couro cabeludo.

Emil Krafth, no Newscastle, tenta agarrar o veloz, e agora escorregadio, Adama Traoré em partida da Premier League (Stu Forster – 27.fev.2021/Reuters)

O treinador da equipe, Nuno Espírito Santo, aprovou o estratagema, falando sobre ele na véspera do jogo desta terça (2) contra o Manchester City de Pep Guardiola, líder do Campeonato Inglês.

“Não foi minha ideia, mas foi uma boa ideia. Uma ideia fantástica do departamento médico”, declarou o português.

“É muito difícil parar o Adama, e isso [óleo de bebê] o torna mais escorregadio. Ele tira vantagem maior de sua velocidade e de seu talento. Ele tem feito isso [usar o óleo] e tem sido bom.”

O ponta-direita fez uma temporada muito boa pelos Wolves em 2019/2020, anotando quatro gols e dando nove assistências na Premier League.

Seu futebol vistoso e eficiente rendeu convocações para a seleção espanhola, e Adama vestiu quatro vezes a camisa da Fúria no ano passado.

Com o recurso do óleo, um “plus” para o ágil e corpulento Adama, caberá a Guardiola encontrar uma forma de o marcador dele, seja João Cancelo ou Zinchenko, parar, sem o uso das mãos, o untuoso ponteiro.