Cinco segundos para a fama

Quanto tempo se leva para alcançar a fama no futebol?

Para a maioria dos grandes jogadores, aqueles que se notabilizaram (ou ainda se notabilizam) nos gramados do Brasil e do mundo, a notoriedade só vem depois de anos.

Seja Pelé, ou Maradona, ou Messi, ou Cristiano Ronaldo, ou Zidane, ou Cruyff, não foi do dia para a noite que cada um desses, ou qualquer outro craque, eternizou-se.

Cada qual levou semanas, meses, anos para se consolidar como uma celebridade da bola, e nem sempre uma celebridade inquestionável.

Pois um jogador encontrou, sem esperar, é verdade, e de forma surpreendente, a fama em apenas cinco segundos.

Esse foi o tempo que a bola levou desde que saiu dos pés de Thomas “Tom” King, goleiro do Newport County, até entrar no gol de Joshua Griffiths, do Cheltenham Town, encoberto no lance.

Certamente King não esperava que seu chute, dado em um tiro de meta, tivesse tanta potência, e menos ainda que a bola pegasse uma velocidade após o quique, impulsionada pelo vento, que impedisse o goleiro do time rival de defendê-la.

Mas gol de tiro de meta vale?

Vale. Está na regra 16 do futebol: “Um gol pode ser marcado diretamente de um tiro de meta, mas somente contra a equipe adversária”.

O insólito gol aconteceu na terça-feira (19), no estádio Jonny-Rocks, em Cheltenham, em partida da quarta divisão da Inglaterra que terminou 1 a 1.

O chute de King percorreu 96,01 metros e entrou para o Guinness Book, o livro dos recordes, como o gol de maior distância em uma partida oficial de futebol.

Na hora do gol, admiravelmente, ele mal festejou. Deu somente um tapinha no travessão, parecendo ter realizado algo trivial, e não excepcional.

A marca anterior pertencia ao bósnio Asmir Begovic, que marcou um gol pelo Stoke City, contra o Southampton, em 2013, no qual a bola percorreu 91,9 metros, em chute desferido de sua grande área.

Lamentavelmente, devido à pandemia de Covid, que mantém os torcedores afastados dos estádios ou limita a entrada dos mesmos nas arenas, só “meia dúzia de gatos pingados” pôde ver pessoalmente, das arquibancadas, o gol de King.

Felizmente, uma câmera registrou o momento que alçou o guarda-metas galês, de 25 anos e 1,94 m, à fama instantânea.

Fama essa que, se veio repentinamente e em um tempo ínfimo, promete durar por anos, talvez para sempre. Não serão aqueles “15 minutos de fama”, algo que desaparecerá num piscar de olhos ou estalar de dedos.

É muito improvável que algum jogador consiga fazer um gol de distância maior –teria que colocar a bola mais atrás na cobrança do tiro de meta e contar com uma combinação de fatores (força, direção, auxílio do vento, não interceptação da defesa e falha ou distração do goleiro rival) para que desse certo.

“Estou encantado, e tomara que ninguém supere isso [o recorde] por muito tempo, para que eu possa mostrar aos meus netos!”, declarou, em tom de satisfação e bom humor, King ao site do Newport County, clube fundado em 1912 no País de Gales.

Ele disse ainda que enviará a Begovic uma mensagem de “condolências” por tê-lo superado.

O goleiro bósnio, que aos 33 anos defende o Bournemouth, da segunda divisão inglesa, perdeu esse recorde, mas não outro, obtido na mesma jogada: o de gol mais rápido feito por um goleiro, aos 13 segundos de jogo.