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‘Somos testemunhas do quão séria é a Covid’, diz técnico do Newscastle

“Pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar. Nada sentiria ou seria acometido, quando muito, de uma gripezinha.”

Quem não se lembra dessas palavras proferidas pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, em pronunciamento em março, a respeito dos riscos do coronavírus?

Algum tempo depois, em julho, Bolsonaro testou positivo para Covid-19, e é fato, pelo que se teve conhecimento, que ele não teve problemas sérios com a doença –se devido ao seu passado de atleta ou não, é impossível saber.

Mas é fato também que o presidente não estava certo ao concluir que pessoas que tenham feito atividades esportivas com frequência ao longo da vida devem se preocupar menos com a doença.

Houve um caso emblemático, o do nadador Cameron van der Burgh, que, infectado pelo vírus, relatou dificuldades para executar tarefas banais. Ele tem 32 anos, 1,84 m, 86 kg, e foi campeão olímpico em Londres-2012 nos 100 m peito.

No futebol, o atacante Paulo Dybala, da Juventus e da seleção argentina, relatou que passou mal ao contrair o coronavírus, com “sintomas fortes” que o deixaram assustado.

Isso foi em março, e Dybala, que tem 27 anos, demorou cerca de um mês e meio para retomar as atividades profissionais.

Mais recentemente, há cinco semanas, Mohamed Salah, 28, astro do Liverpool, apresentou, de acordo com médico da seleção egípcia, sintomas moderados de Covid. O atacante recuperou-se e tem defendido o clube.

Outro caso recente, também na Inglaterra, país que sofre com uma nova mutação do coronavírus, foi o do alemão Kai Havertz, do Chelsea. O técnico Frank Lampard afirmou que o meia de 21 anos “esteve adoentado e sofreu por um tempo”.

A percepção de que ser esportista não é um fator tranquilizante em relação a essa doença é reforçada em um artigo publicado em maio por professores da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

“Atletas são constantemente expostos a treinamento rigoroso, estresse e pressão psicológica para se manterem competitivos, fatores suficientes para reduzir sua imunidade”, escreveram pesquisadores da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da instituição mineira.

Passados nove meses da eclosão da pandemia, declarações de Steve Bruce, treinador do Newscastle, da primeira divisão da Inglaterra, mostram que os esportistas precisam, sim, ser muito cuidadosos na prevenção da doença.

Ele é testemunha de que alguns de seus comandados estiveram em situação delicada ao se infectarem com a Covid.

Houve um surto da doença no clube no final de novembro que obrigou a Premier League a adiar a partida contra o Aston Villa.

A maioria dos jogadores retomou as atividades poucos dias depois, mas uma minoria foi afetada de forma contundente, sendo derrubada pelo vírus.

“É assustador quando você sabe que eles são atletas jovens, saudáveis e com ótimo condicionamento físico. Se alguém precisa ser lembrado do quão sério é [o coronavírus], nós somos testemunhas disso”, afirmou Bruce.

“Alguns [dos que testaram positivo] pareciam que estavam bem, e o cansaço os debilitou, mas para dois deles foi muito além disso. Precisarão de semanas para voltar a jogar.”

O técnico não mencionou os nomes dos acometidos pela “Covid intensa”, porém os dois jogadores que estão afastados do elenco desde o fim do mês passado são o lateral espanhol Javier Manquillo, de 26 anos, e o zagueiro suíço Fabian Schär, de 29 anos.

O zagueiro Fabian Schär não joga uma partida de futebol desde o dia 27 de novembro (Michael Steele – 6.nov.2020/Reuters)

Sabe-se também que a Covid neste momento atinge pelo menos mais dois da equipe: o zagueiro inglês Jamaal Lascelles, de 27 anos, e o meia-atacante francês Allan Saint-Maximin, de 23 anos.

Sobre a violência do coronavírus no seu grupo, Bruce declarou que se deparou com o “conjunto completo” de sintomas, com graus sortidos de gravidade.

“Vômitos, dores, aftas, falta de paladar, falta de olfato. E o elemento fadiga é um problema enorme. Você sai para caminhar por meia hora e na volta só quer ir para a cama. É brutal.”

Preocupado com a recuperação dos afetados pela Covid, e com eles entre as baixas –são pelo menos sete atualmente–, Bruce tenta manter o Newcastle distante da zona de rebaixamento.

O time joga neste sábado (26), fora de casa, contra o poderoso Manchester City, que não terá nem o lateral Walker nem o centroavante Gabriel Jesus. O motivo? Estão com Covid.

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