Sem ganhar há 27 jogos na Bundesliga, Schalke se torna Íbis alemão

Uma pergunta para você, torcedor: qual o limite da sua tolerância para uma série sem vitórias de seu time no principal campeonato do país? Cinco? Dez? Mais?

Torcedor apaixonado, que ama o clube de verdade, que está com ele “na alegria e na tristeza”, pode responder: “Isso não importa, o que importa é se os jogadores lutaram, mostraram garra, deram o sangue”.

Um discurso aceitável. Porém o sentimento que fica quando a vitória demora a ocorrer, passando-se semanas, é péssimo.

Os torcedores de outros times começam a debochar, a confiança cai naturalmente, surge um quê de desesperança, que pode evoluir para descrença e/ou desespero.

Imagino como devem estar se sentindo os torcedores do Schalke 04, da cidade de Gelsenkirchen, uma das mais populares equipes da Alemanha, que já teve em suas fileiras nomes como os goleiros Schumacher, Lehmann e Neuer, os meias Özil e Draxler e os atacantes Klaus Fischer e Huntelaar.

Desde 17 de janeiro, dia de um 2 a 0 no Borussia Mönchengladbach, o time não sabe o que é ganhar um jogo do Campeonato Alemão (Bundesliga). São 27 partidas de jejum, em 11 meses. Uma eternidade.

Nesse período, que engloba o campeonato de 2019/20, já encerrado, e o de 2020/21, em andamento, o Schalke empatou dez vezes e perdeu 17.

O goleiro Ronnow e o volante Mascarell, do Schalke, tentam evitar, sem êxito, gol do Borussia Mönchengladbach, que ganhou por 4 a 1 (Wolfgang Rattay – 28.nov.2020/Reuters)

Houve também três trocas de técnico.

Na primeira, em março, Domenico Tedesco saiu, assumiu interinamente Huub Stevens.

Na segunda, em junho, David Wagner substituiu Stevens.

Na terceira, no fim de setembro, Wagner foi demitido e chegou Manuel Baum, que acumula quatro empates e cinco derrotas.

Nesta quarta (16), em seu estádio, o Schalke tentará romper essa detestável sequência. O adversário é o Freiburg, 14º colocado na tabela –18 times disputam a Bundesliga.

Caso consiga seu primeiro triunfo na competição, o clube, que ganhou o campeonato sete vezes (a última em 1958), sendo o quarto maior vencedor (atrás de Bayern de Munique, Nurenberg e Borussia Dortmund), pode deixar a lanterna.

Saltará dos atuais quatro pontos para sete e ultrapassará o Mainz, que tem seis e já jogou na rodada.

Quando penso em um sequência longa de partidas sem vencer, caso do Schalke agora, recordo-me do Íbis, de Pernambuco, que ficou famoso na primeira metade dos anos 1980 por não conseguir vencer.

Foram 55 confrontos pelo Campeonato Pernambucano, no espaço de quase quatro anos, sem um único triunfo: 48 derrotas e sete empates.

Essa sequência inglória lhe rendeu a alcunha de “pior time do mundo” e até a entrada no Guinness Book, o Livro dos Recordes.

Ou seja, o clube alemão está na metade do caminho da histórica marca do time da cidade de Paulista, que dista 15 quilômetros do Recife.

Time atual do Íbis posa para foto ao enfrentar o Ypiranga pela segunda divisão do Campeonato Pernambucano, no dia 2 de dezembro; o jogo terminou 0 a 0 (Reprodução/Instagram do Íbis Sport Clube)

Outras sequências históricas nada glorificantes conhecidas no futebol são a do Derby County, 32 partidas sem vitória no Campeonato Inglês de 2007/08, sendo 25 derrotas, e a do Veracruz, 41 jogos sem vencer no Campeonato Mexicano, de 1º de setembro de 2018 a 29 de outubro de 2019, com 30 derrotas.

O Veracruz, depois de amargar meses vivendo um pesadelo, ainda fechou as portas. Problemas financeiros resultaram no encerramento das atividades do clube no final do ano passado.

O recordista Íbis continua na ativa, na segunda divisão do Pernambucano, bem menos ruim do que nos “áureos tempos de fama”, e o Derby County também disputa a segunda divisão, na terra da Rainha –está atualmente na zona de rebaixamento.

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Em tempo: Na primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o Paraná Clube detém a pior sequência sem vitória. Foram 18 partidas na edição de 2018, com 13 derrotas.

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