Uma proposta para acabar com as ‘entradas criminosas’ no futebol

Pela imagem, imaginava-se algo bem pior para Neymar.

No final do jogo entre Paris Saint-Germain e Lyon, pelo Campeonato Francês, no domingo (13), em Paris, o camisa 10 tentava criar algo que pudesse evitar a derrota do atual campeão quando o compatriota Thiago Mendes violentamente o atingiu.

O volante de 28 anos, que teve passagem pelo São Paulo, aplicou uma tesoura, com as pernas, no atacante, também de 28 anos, do PSG. Uma falta duríssima, chamada popularmente de “entrada criminosa”.

Neymar não mais conseguiu se levantar e deixou o campo de maca, com muita dor, chorando. Thiago Mendes recebera o cartão amarelo. Era pouco.

O lance foi revisto pelo VAR (árbitro de vídeo), e o árbitro de campo então aplicou o cartão vermelho, expulsando o camisa 23. Era mesmo o correto a ser feito.

No dia seguinte, o autor do descarado ato de violência desculpou-se em um vídeo: “Espero que ele [Neymar] esteja bem. Em hipótese nenhuma tive a intenção de machucá-lo”.

Todos têm o direito de se arrepender, porém pedir desculpa depois do acontecido é cômodo. Supondo que Thiago Mendes não tenha sido maldoso, foi no mínimo descuidado.

E as desculpas não resolvem uma questão muito séria: a lesão de um colega de profissão.

Ao assistir ao lance, e depois saber que o problema era no tornozelo, pensei que haveria possibilidade de Neymar ficar um bom tempo afastado do futebol.

Felizmente, os exames realizados indicaram que ele deve retornar em janeiro. Menos ruim, mas, mesmo assim, ruim.

Por isso, não é de hoje que engendro uma proposta para que haja, pela implantação de uma regra, a redução das “entradas criminosas” (que, para mim, aproximam-se de agressões).

Ei-la: se um jogador, propositalmente ou por imprudência, comete uma falta que afastará por determinado período um outro jogador do futebol, ficará o infrator, pelo mesmo período, também afastado do futebol.

Esse intervalo pode ser de uma semana, de um mês, de um ano. Exatamente o mesmo tempo.

Mais: o agressor terá seu salário reduzido, digamos, a um terço do total, com os outros dois terços sendo destinados ao tratamento do agredido e, havendo sobra, a instituições de caridade.

Pois, além da sanção esportiva, é necessário que ele sinta também no bolso o prejuízo que causou ao colega-adversário.

O período fora de competição servirá para reflexão do futebolista violento, e não só dele, mas de todos, que saberão o risco que correm caso machuquem um oponente.

Chorando, Neymar é levado em uma maca para fora do campo depois da lesão em seu tornozelo esquerdo provocada pela ‘tesoura’ de Thiago Mendes (Franck Fife – 13.dez.2020/AFP)

Claro que há casos e casos. Futebol é jogo de contato, e um jogador pode involuntariamente lesionar o rival, em uma jogada aérea ou terrestre.

A minha proposta vale para a jogada em que fique comprovado, pela obviedade, que havia elevado perigo de resultar em contusão.

Geralmente, o carrinho é uma jogada assim, com chance significativa de atingir não só a bola, mas o adversário. O movimento de Thiago Mendes, idem –até pior.

Neymar, pode-se afirmar, deu sorte, pois o tornozelo atingido foi o esquerdo.

Se tivesse sido o direito, o qual lesionou (ruptura de ligamento), sozinho, em amistoso da seleção brasileira em junho do ano passado, a situação poderia ser bem mais grave.

Enfim, pela proposta apresentada, se Neymar ficar um mês sem jogar, Thiago Mendes ficaria também um mês sem jogar. Parece-me justo.

Que alguma autoridade futebolística possa encampar essa ideia, ou que apresente uma similar.

Aposto que depois de pouco tempo em vigor, e algumas punições executadas, as “entradas criminosas” desapareceriam por completo do futebol.

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