Caso de zagueiro croata mostra ineficiência na testagem de Covid

Capitão da Croácia, atual vice-campeã do mundo, no amistoso de quarta-feira (11) contra a Turquia, em Istambul, o zagueiro Domagoj Vida atuou infectado pelo coronavírus.

É emblemático que o caso tenha acontecido com um jogador com esse sobrenome, que soube apenas depois da partida, na qual foi substituído no intervalo, do seu teste positivo para a doença que já matou perto de 1,3 milhão de pessoas no mundo –no Brasil, são mais de 164 mil.

Durante o jogo, que terminou 3 a 3, Vida abraçou companheiros de seleção e também manteve contato amigável com atletas turcos –o croata defende o Besiktas, clube com sede na capital da Turquia.

Isso sem contar os lances próprios do futebol, que é um esporte em que os adversários se esbarram constantemente e tocam uns aos outros nas disputas pela bola, e o convívio entre companheiros no vestiário.

De acordo com a Federação de Futebol da Croácia, os testes para Covid-19 que os jogadores realizaram na manhã do dia do amistoso só tiveram seus resultados conhecidos à noite, depois do término do encontro no Vodafone Park.

Disse a federação que os exames anteriores, feitos dois dias antes, apontaram que toda a equipe estava saudável.

O que isso significa? 1) Que não dá para se amparar somente em um teste feito com essa antecedência; e 2) que não tem utilidade realizar um teste horas antes de uma partida se o veredicto é conhecido só depois dela –é desperdício de tempo e de dinheiro.

A federação croata informou que o teste de quarta serviria para o jogo deste sábado (14), pela Liga das Nações, contra a Suécia.

O ocorrido com Vida deveria ligar o alerta nas autoridades, tanto as do futebol como as da saúde. É necessário rever os protocolos, pois os atuais, conforme comprovado, não são mais eficazes, pois não evitaram contato de um jogador com Covid com os demais.

Na partida amistosa em Istambul, Vida (esq.) teve contato com atletas tanto croatas como turcos, caso de Tosun (Murad Sezer – 11.nov.2020/Reuters)

Em um momento em que a Europa constata dia a dia o crescimento dos casos de coronavíus (a chamada segunda onda), seria necessário imperar a precaução. Zelar pela saúde.

Mas não. Vida, que tem 31 anos, foi afastado do elenco croata, entrou em quarentena, mas seus companheiros viajariam normalmente para a Escandinávia, como se nada tivesse acontecido.

O caso de Vida, conclui-se, de nada adiantou em prol da vida.

Até que algum jogador adoeça seriamente, ou até que haja uma explosão de casos em uma mesma testagem (já aconteceu em times nos EUA, no México, na Espanha, na França e no Brasil, com o Goiás e o Flamengo), o futebol, supervalorizado, e a vida, subvalorizada, seguem.

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