Brasil tem melhor resultado no Salão da Fama desde a inauguração

Acredito que o mais famoso Salão da Fama que exista no mundo dos esportes seja o do basquete, que foi fundado em 1959 e fica em Springfield (Massachusetts), nos EUA.

Também na terra do Tio Sam estão outras duas famosas e tradicionais casas que homenageiam esportistas de suas respectivas modalidades: o de beisebol, desde 1936 em Cooperstown (Nova York), e o de futebol americano, desde 1960 em Canton (Ohio).

Quase desconhecido é o Salão da Fama do futebol mundial. Inaugurado há menos de uma década, em 2011, com a presença do então presidente da Fifa, Joseph Blatter, localiza-se em Pachuca, no México.

Na noite desta terça (10), conheceram-se os novos 12 membros do Salão, seis na categoria “internacional”, que é subdividida em três, e seis na categoria “nacional”, destinada a jogadores e jogadoras que fizeram história em solo mexicano.

Na turma de 2020, o Brasil registrou seu melhor desempenho desde a primeira lista de agraciados a figurar nesse espaço que preza pela memória do futebol e de seus grandes personagens.

Três ex-futebolistas brasileiros foram escolhidos pelos 101 jornalistas (mexicanos e estrangeiros) com direito a voto.

Ronaldinho Gaúcho festeja gol pela seleção brasileira em partida contra o Equador (João Paulo Engelbrech – 17.out.2007/AFP)

Na categoria internacional, subdivisão tradicional, elegeram-se o meia-atacante Ronaldinho Gaúcho (que fez fama no Grêmio, depois no Barcelona, depois no Atlético-MG) e o lateral-esquerdo Roberto Carlos (Palmeiras, depois Real Madrid, depois Corinthians).

Os outros dois a entrarem no Salão foram o espanhol Raúl (artilheiro e ídolo do Real Madrid nos anos 1990 e 2000) e o italiano Cannavaro, capitão da Squadra Azzurra na conquista da Copa de 2006, na Alemanha. Mais um brasuca, Rivaldo, concorria, mas teve menos votos que os contemplados.

Na subdivisão especial, Waldir Pereira, o Didi, bicampeão mundial (1958 e 1962), foi o mais votado, superando Leônidas da Silva, o uruguaio Nasazzi (capitão da seleção campeã na primeira Copa, em 1930) e os alemães Fritz Walter e Uwe Seeler.

Waldir Pereira, o Didi, um dos brasileiros escolhidos para o Salão da Fama do futebol em 2020 (Acervo UH/Folhapress)

Na subdivisão feminina, Pretinha, que defendeu o Brasil em quatro Copas do Mundo e em quatro Olimpíadas, concorria, mas não ganhou. Faturou um lugar no Salão a sueca Pia Sundhage, atual técnica da seleção brasileira.

A cerimônia de entrega dos troféus só será realizada quando a pandemia de coronavírus permitir.

A entrada de Ronaldinho, de Roberto Carlos e de Didi iguala o número de brasileiros incluídos na instalação em Pachuca nove anos atrás. Na seleção inaugural, constaram Pelé, Garrincha e Zagallo.

A esses seis juntam-se, para completar a esquadra brasileira na categoria “internacional” no Salão –que também funciona como um museu do futebol e pode ser visitado–, Romário (turma de 2014), Ronaldo Fenômeno e Zico (turma de 2016), Rivellino e Cafu (turma de 2018), e, representando a ala feminina, Sissi (turma de 2019).

Estranhamente, Marta, cinco vezes a melhor jogadora do mundo em eleições da Fifa, nem sequer concorreu nesta edição ao Salão da Fama.

Os “famosos” somam hoje 144 nomes –134 homens e 10 mulheres.

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