De promessa a prisioneiro

O discurso é antigo. Praticar esporte é um caminho para os jovens das classes mais baixas se afastarem da criminalidade, especialmente nos países do Terceiro Mundo.

Funciona? Não há dados estatísticos que eu conheça que comprovem essa teoria, porém é provável que sim, que em um sem-número de casos o envolvimento com atividades esportivas deixe o praticante focado a ponto de não se embrenhar pelo caminho da incorreção e da violência.

Há exceções, contudo, e o caso do goleiro Bruno, condenado em 2013 pelo planejamento e participação na morte de Eliza Samudio, é uma delas.

Na semana passada, noticiou-se que um rapaz que um dia foi um futebolista promissor acabou atrás das grades. A história saiu primeiro no site Infobae, de Buenos Aires, e depois foi publicada em outras mídias esportivas.

Na época de juvenil, nas categorias de base do San Lorenzo, o argentino Lautaro Carrachino mostrava-se tão bom de bola, tão artilheiro, que não raro era comparado a Carlitos Tevez (ex-Corinthians, atualmente no Boca Juniors), um dos ótimos atacantes deste século.

Ele destacou-se tanto com seu faro goleador que, aos 16 anos, foi integrado ao time principal do clube, passando a treinar com ele.

Não obteve, no entanto, chance de jogar e decidiu, em 2018, deixar o San Lorenzo e acertar contrato com o Almagro, da segunda divisão.

É possível que Carrachino, nessa época, já tivesse perdido o encanto e o interesse pelo futebol e se seduzido pela trilha da marginalidade, pois não se firmou na equipe e pouco jogou –apenas quatro partidas.

Más companhias, relacionadas ao tráfico de drogas, seriam o motivo de do seu desvio de rota e da consequente queda de rendimento.

O site argentino Infobae publicou a história de Carrachino, depois contada por outros veículos de comunicação (Reprodução/infobae.com)

Em maio de 2019, decidiu abandonar o futebol, e seu nome voltou ao noticiário no mês passado, quando foi acusado pelo assassinato de uma mulher de 20 anos e de um homem de 30 em Ciudad Evita, na Grande Buenos Aires.

Era na verdade a segunda acusação, pois já era suspeito de um homicídio em janeiro deste ano.

Desde essa primeira denúncia, ele deixou de ser localizável. Com o surgimento da segunda, tornou-se foragido. Perambulava, segundo consta, por localidades como El Tambo e Puerta de Hierro, de elevada delinquência.

Carrachino, hoje com 23 anos, foi encontrado pela polícia na semana passada e devidamente encarcerado.

Conforme as investigações, é um dos líderes, desde meados do ano passado, do cartel do narcotráfico La banda de los 15 (O bando dos 15). Responderá pelos crimes de assassinato, coerção, roubo e extorsão, podendo ser condenado à prisão perpétua.