Bolívia é o time que mais derrotou o Brasil nas eliminatórias da Copa

É improvável, improbabilíssimo acontecer.

Nem o mais pessimista dos brasileiros acredita que o Brasil possa perder para os bolivianos em sua estreia nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022, que será no Qatar.

A seleção comandada por Tite joga nesta sexta (9), às 21h30, em Itaquera, contra a Bolívia, que têm uma das mais fracas seleções da América do Sul.

Não, mesmo que Neymar não jogue, a Bolívia não assusta. Nas 20 partidas mais recentes, de 2018 para cá, ganhou meras duas, diante dos inexpressivos Mianmar e Haiti.

Nas demais, seis empates e 12 derrotas, incluindo as três na Copa América do ano passado, no Brasil –uma delas para a seleção brasileira, 3 a 0 no Morumbi–, que resultaram na eliminação na primeira fase.

Na teoria, o Brasil tem que não só ganhar mas golear, tamanha a superioridade individual no papel.

Perder é inimaginável. Até porque jamais perdeu um único jogo de eliminatória de Copa atuando em solo nacional. São 54 confrontos, 42 vitórias e 12 empates.

A Bolívia atuou como visitante diante do Brasil nas eliminatórias em sete ocasiões. Sete vitórias canarinhas? Não. Houve dois empates, 1 a 1 em 1985, em São Paulo, e 0 a 0 em 2008, no Rio.

Das cinco vitórias, três foram por goleada, um 6 a 0 em 1993, no Recife, um 5 a 0 em 2000, no Rio, e outro 5 a 0 em 2016, em Natal (Firmino, Coutinho e Neymar marcaram nesse duelo).

Geralmente frágil como visitante, tanto que será uma tremenda surpresa se arrancar um empate que seja no estádio do Corinthians –uma derrota verde e amarela será, sem dúvida, vexaminosa–, a Bolívia é a seleção que mais vezes superou o Brasil nas eliminatórias.

Isso deve-se ao fator casa/campo. Três vezes os bolivianos deixaram triunfantes o gramado no estádio Hernando Siles, na altitude de La Paz (3.640 metros), quase sempre um terror para quem lá se aventura.

A primeira delas, em 1993, foi histórica, já que marcou a primeira derrota do Brasil em um jogo de qualificação para uma Copa. Taffarel, o espetacular goleiro Taffarel, falhou em um dos gols (o de “El Diablo” Etcheverry) no 2 a 0. O técnico era Carlos Alberto Parreira.

Manchete da capa da seção de Esporte da Folha relata a 1ª derrota do Brasil em eliminatórias de Copa do Mundo (26.jul.1993/Reprodução)

Os outros reveses da seleção nacional na capital boliviana ocorreram em 2001 (3 a 1, com Felipão treinador) e em 2009 (2 a 1, com Dunga técnico).

Aliás, a última vez que o Brasil superou a Bolívia como visitante em eliminatórias foi em 1985, longínquos 35 anos atrás, um 2 a 0 no qual Casagrande, hoje comentarista da Globo, abriu o placar.

As outras nove derrotas do Brasil em jogos que contam para obter vaga em Mundiais foram para Argentina (duas vezes), Chile (duas), Paraguai (duas), Equador (duas) e Uruguai (uma).

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Em tempo: A Bolívia que buscará surpreender o Brasil, levando-se em conta o 11 provável que irá a campo, conta com jogadores que atuam somente no futebol local (a maioria de Blooming ou The Strongest), sendo dois nascidos no exterior (Erwin Sánchez Jr., Portugal, e Antonio Bustamante, EUA); laterais gêmeos (Jesús Sagredo, direito, e José Sagredo, esquerdo); treinador venezuelano (César Farías); e um jogador de 41 anos (Carlos Saucedo) como maior esperança de gols. “Temos um grande time, um grande grupo de companheiros, e essa é nossa fortaleza. Estamos confiantes e sabemos que conseguiremos um bom resultado”, disse o veterano, resoluto, na véspera da partida.