Nulidades do Brasil na Copa de 2018 estão em seleção da Liga Europa

Fred e Taison. Quem tem memória curta não deve se lembrar de que ambos estiveram na seleção brasileira que disputou a Copa do Mundo de 2018, na Rússia.

Pudera. Entre os jogadores que integraram a equipe, eliminada nas quartas de final ante a Bélgica, o volante do Manchester United e o atacante do Shakhtar Donetsk estiveram entre os menos relevantes. Verdadeiras nulidades.

Jogadores do Inter de Porto Alegre antes de serem negociados com o futebol ucraniano, Taison e Fred não pisaram nos campos no Mundial russo. Entre os jogadores de linha, na mesma situação que eles esteve somente o zagueiro Pedro Geromel.

Contundido, Fred, não foi relacionado para a estreia, 1 a 1 contra a Suíça. Nos demais jogos, esteve na reserva e não foi utilizado por Tite. Taison não teve problema de lesão, porém esquentou o banco o tempo todo nas cinco partidas da seleção.

Desde então, o destro Taison, hoje com 32 anos, não foi mais lembrado por Tite, nem para amistosos nem para a Copa América de 2019, na qual o Brasil se sagrou campeão.

O canhoto Fred, de 27 anos, ainda teve oportunidades em amistosos no segundo semestre de 2018 antes de “cair no esquecimento” da comissão técnica da seleção.

Passados pouco mais de dois anos da Copa, Taison e Fred, surpreendentemente, estão em alta.

Encerrada a Liga Europa, no mês passado, eles integraram a lista da Uefa (entidade que rege o futebol europeu) dos melhores jogadores da competição, a segunda em importância no velho continente, atrás da Champions League.

Tanto o Man United, do mineiro Fred, como o Shakhtar, do gaúcho Taison, caíram nas semifinais –o Sevilla ganhou a Liga Europa ao superar a Inter de Milão da final.

O volante Fred em partida do Manchester United contra o Copenhague, pelas quartas de final da Liga Europa (Sascha Steinbach – 10.ago.2020/AFP)

Será que os bons desempenhos na competição são suficientes para que Tite volte a dar a eles uma chance na seleção?

O treinador convocará em breve –a CBF não divulgou a data, mas deve ser no fim da semana que vem– os jogadores para as primeiras partidas das eliminatórias para a Copa do Qatar-2022, nos dias 7 (Bolívia, em casa) e 12 (Peru, fora) de outubro.

Questionei a comissão técnica da seleção sobre a situação de Fred e Taison. Eles continuam sendo observados? Se sim, em quais partidas isso ocorreu? Qual a avaliação sobre eles?

Eis a resposta, lacônica, via assessoria de comunicação da CBF: “A comissão técnica da seleção brasileira não externa os nomes presentes em sua lista de observações”.

Ou seja, não há interesse de Tite e companhia em dar indicação a respeito da possibilidade de Fred e Taison retornarem à equipe verde e amarela.

Acredito, porém, que todos os atletas que atuam em clubes relevantes e/ou que participam de campeonatos de alto nível estão no radar de Tite e de seus observadores.

Isso coloca a dupla citada como postulante? Sim. Com qual chance? Reduzida. No caso de Taison, reduzidíssima.

No ataque, Tite tem outros preferidos no momento. Vários.

Além de Neymar, cuja vaga é cativa, estão (bem) à frente de Taison pelo menos seis jogadores: Philippe Coutinho, Gabriel “Gabigol”, Everton Cebolinha, Richarlison, Roberto Firmino e Gabriel Jesus.

Para volante, Casemiro, Arthur, Fabinho e Bruno Guimarães situam-se em patamar superior ao de Fred.

Que, aliás, nem titular do Man United deve ser no começo da temporada 2020/21 –o técnico Ole Solskjaer tem preferência por Pogba e Matic e ainda conta com o recém-contratado Van de Beek.

Desse modo, integrar a seleção da Liga Europa, ao lado de Lukaku, Rashford, Havertz e Banega, entre outros jogadores de ótimo nível, passa a ser apenas um ponto positivo no currículo de Fred e Taison.

Na prática, eles não deverão ter nova oportunidade com a camisa amarela, e, na análise deste que aqui escreve, não farão falta.

Marcado por Godín, Taison defende o Shakhtar Donetsk na semifinal da Liga Europa 2019/20 (Sascha Steinbach – 17.ago.2020/AFP)

Taison, se fosse tudo isso, não estaria há nove temporadas no Shakhtar, da Ucrânia. Já teria sido contratado por uma grande liga europeia.

E Fred, ex-Shakhtar, se fosse tudo aquilo, não estaria na condição de opção no Man United –seria titular absoluto.

Sua chance existe porque, ao mesmo tempo em que atravessa boa fase, um concorrente direto, Arthur, está em momento de baixa.

Caso Tite opte por não chamar Arthur (que trocou a contragosto o Barcelona pela Juventus), Fred concorre com Fernandinho (Manchester City), Gerson (Flamengo) e Allan (ex-Napoli, atual Everton).