‘Definido’ após a final da Champions, melhor de 2020 pode ficar sem troféu
Esperava-se que a decisão da Liga dos Campeões da Europa, Paris Saint-Germain x Bayern de Munique, definisse, entre Neymar e Lewandowski, o melhor do mundo de 2020.
Sim, porque, mesmo ainda faltando pouco mais de quatro meses para o término do ano, é praxe que no meio dele –quando se encerram os campeonatos europeus e a Champions League, e Eurocopa, Copa do Mundo e Copa América (nos anos em que esses três acontecem)– já estejam definidos os candidatos aos prêmios.
Sendo assim, o correto é que os organizadores das premiações passassem a eleger não “o melhor do ano” (de janeiro a dezembro), mas “o melhor da temporada”, de agosto de um ano até julho do ano seguinte –em 2020, com a pandemia de coronavírus, a temporada se estendeu até agosto.
E quais são esses prêmios?
Há dois de grande prestígio: Bola de Ouro, da revista France Football, e The Best, da Fifa.
E quem é o merecedor dos troféus?

Quem viu o jogo não deve ter chegado a uma conclusão, pois nem Neymar nem Lewandowski brilharam.
O primeiro desperdiçou uma chance de ouro logo no início (o ótimo Neuer defendeu) e o segundo tentou no fim do primeiro tempo (parou na trave). E só.
O único gol da partida foi do ponteiro francês Coman, escalado surpreendentemente como titular no lugar de Perisic para ser o melhor do confronto.
Descartada a final da Champions como decisiva para determinar o melhor do ano, Lewandowski, pelo histórico até aqui, é quem entraria nas votações como o favorito a ser laureado pela primeira vez, já que os papões Cristiano Ronaldo (Juventus) e Messi (Barcelona), com temporadas muito boas mas aquém de outras, tornam-se azarões.
Messi, aliás, nem deveria ter ganhado os prêmios em 2019. O merecedor era o zagueiro Van Dijk, holandês, estupendo com o Liverpool.
Então é só Lewandowski aguardar os eventos festivos para pegar os belos troféus –a Bola de Ouro é belíssima!– e abrir espaço na estante para passar a admirá-lo no dia a dia, correto?
Não.
A Bola de Ouro está fora de cogitação, pois a France Football cancelou a eleição, feita por jornalistas, devido à Covid-19.
Ah, mas tem a da Fifa, a entidade máxima do futebol, cujo colégio eleitoral é formado pelos técnicos e capitães das seleções nacionais, por jornalistas de cada país e pelo público, em votação pela internet.
Não. Não há essa certeza.

Fiz contato com a Fifa para questionar data e local da cerimônia de 2020, e eis a resposta, dada três dias atrás, por meio de um porta-voz:
“O que podemos dizer hoje é que em maio decidimos cancelar o prêmio The Best, planejado para 21 de setembro em Milão, por razões óbvias [a pandemia]. (…) Estamos verificando a possibilidade de fazer algo em outro formato, mas ainda não temos uma decisão final nesse sentido”.
Ou seja, pode ter, pode não ter.
Se não tiver, mãos vazias para o melhor do mundo. Nada de troféu individual.
Se tiver, sabe-se lá quando, o tal “outro formato” significa uma ocorrência a distância, sem público, sem a participação de jogadores e de ex-jogadores, sem o tradicional glamour de um evento de gala.
Se fosse Neymar o eleito, afeito que é à pompa, a se vestir na moda, a cliques em momentos triunfantes (nada de errado nisso, frise-se), provavelmente sentiria falta de estar em um luxuoso teatro em Londres ou Milão, com cerca de 2.000 pessoas aplaudindo-o.
Sendo Lewandowski, o eficaz artilheiro polonês, tanto faz.
Discreto que é, ser nomeado “the best” (o melhor) diante da tela de um computador, sozinho ou ao lado da esposa Anna, dá na mesma que em um auditório célebre repleto de celebridades.