Ellen Fokkema, a precursora das mulheres entre os homens

O título deste texto serve para o atual momento, e talvez sirva para um momento futuro.

Talvez porque o sucesso ou o fracasso de uma jovem de 19 anos é o que determinará essa definição.

Ellen Fokkema é holandesa, e desde sua infância defende as cores do time de futebol do Foarút, da cidade de Waadhoeke, no norte do país.

Detalhe: o Foarút é uma equipe formada por meninos.

Muito boa de bola, pelo menos na comparação com outras garotas, Ellen sempre fez parte do elenco.

Nesta semana, a Federação Holandesa de Futebol (KNVB) autorizou que ela possa defender o time principal do Foarút, que integra a quarta divisão da Holanda.

Até então, uma mulher jogar entre os homens só era consentido nas categorias de base.

“É fantástico que eu possa continuar a jogar neste time. Tenho jogado com esses rapazes desde meus 5 anos e seria uma tremenda desonra se eu não pudesse estar na equipe na próxima temporada”, afirmou ela ao site da KNVB.

Até onde se tem conhecimento, Ellen será a primeira mulher a competir pela equipe adulta de uma agremiação em qualquer liga de futebol do mundo.

Com esse status, ela se torna pioneira, e a partir desse momento o debate, bem pouco difundido, sobre a participação de mulheres em campeonatos masculinos deve voltar à cena.

A favor da presença delas entre eles estarão os que defendem a igualdade de gêneros e os que consideram as mulheres tão (ou mais) capazes que os homens quando o assunto é jogar futebol.

Contra, se pronunciarão aqueles que não veem a possibilidade de elas se igualarem fisicamente a eles. As mulheres teriam muita desvantagem na velocidade, no fôlego, nos duelos corpo a corpo. Seria inclusive perigoso para elas.

Assim, nos próximos meses muitos olhos estarão voltados ao desempenho dessa holandesa que ainda é teen. Suas atuações poderão fortalecer ou enfraquecer as correntes aqui citadas.

A federação holandesa considera a autorização dada a Ellen uma espécie de projeto piloto.

“A KNVB apoia a diversidade e a igualdade, e pensamos que deve haver espaço para cada um jogar onde quiser. É um desafio ao qual não queremos nos opor”, disse Art Langeler, que comanda o departamento de desenvolvimento de futebol da entidade.

Segundo ele, pedidos para a formação de equipes mistas são feitos todos os anos por vários clubes do país.

Assim, se o “Projeto Ellen Fokkema” vingar, abrem-se as portas para que na Holanda, e quem sabe em outras nações, os regulamentos sejam mudados e mais mulheres tenham permissão para atuar por times masculinos adultos.

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