Coronavírus pode reduzir pela metade o salário de Neymar

Um dos três jogadores de futebol com os maiores salários do planeta –os outros são Messi e Cristiano Ronaldo–, Neymar, protagonista da mais cara negociação do esporte bretão até hoje, pode encarar durante a pandemia de coronavírus um corte de 50% em seus vencimentos.

Com quase todos os campeonatos do mundo parados há cerca de um mês, ligas e clubes viram as receitas com direitos de transmissão dos jogos, patrocinadores, bilheteria e venda de produtos diminuírem drástica e rapidamente, o que os fez correr atrás de soluções para evitar um colapso financeiro.

Uma delas tem sido a redução salarial dos jogadores, medida que tem sido aceita em alguns casos e recebida a contragosto em outros, resultando inclusive em demissão de atletas da Suíça.

Recentemente, Barcelona e Real Madrid anunciaram cortes, respectivamente, de 70% e de até 20% nos salários de seus atletas.

Na Itália, a decisão dos clubes em reduzir os pagamentos em 30% no caso de a temporada não poder ser retomada foi mal recebida pela associação de jogadores do país, que se disse “perplexa”.

“Os mesmos presidentes que querem suspender os salários mandaram seus times a campo até 9 de março, os fizeram treinar até a metade do mesmo mês e ainda monitoram e controlam os treinamentos individuais feitos conforme as diretrizes dos treinadores”, afirmou a entidade em um comunicado.

Houve a mesma proposta de corte de 30% na Inglaterra, porém os jogadores rejeitaram inicialmente e querem ter detalhes da situação financeira de cada agremiação para definir se é justo se submeterem a essa redução.

Neymar participa de treino do PSG em fevereiro, antes da paralisação dos campeonatos de futebol na Europa (Franck Fife – 28.fev.2020/ AFP)

Na França, segundo publicou a ESPN, houve uma reunião entre a União de Jogadores Profissionais e o Ministério das Finanças, na qual se acordou a medida de corte salarial, de acordo com o valor recebido por cada um.

“Não podemos forçar ninguém a aceitar”, afirmou Philippe Piat, o presidente da União de Jogadores. “Recomendamos a todos que aceitem, pois isso preservará empregos. Do contrário, a profissão vai sofrer.”

Neymar, que recebe do Paris Saint-Germain € 3,1 milhões (R$ 17 milhões) por mês, segundo informações divulgadas pela mídia espanhola e francesa, teria a quantia reduzida pela metade. Todos que recebem € 100 mil ou mais mensais se enquadram nessa regra.

Mas qual será a reação do brasileiro, que mantém suas atividades físicas, a fim de manter a forma, mesmo durante a quarentena?

O camisa 10 concordará em passar a receber, ao menos temporariamente, “só” R$ 8,5 milhões mensais do PSG? Ou recusará?

Enviei nesta sexta (10) email à assessoria de Neymar para saber a posição do atacante. Não houve resposta.

Independentemente da posição que ele tomar, considero adequado expor a razão da concordância ou da divergência.

Pois, com a relevância que seu nome tem no futebol –apesar das críticas por atitudes consideradas imaturas, o que Neymar fala sempre repercute–, servirá de parâmetro para direcionar decisões futuras, de ligas, federações, clubes e jogadores, em um momento de grandes incertezas no esporte.

Leia mais sobre Neymar em O Mundo É uma Bola

Em tempo: Com um mês de salário (€ 3,1 milhões), Neymar poderia na teoria comprar Diego Alves, campeão da Libertadores e vice-campeão mundial com o Flamengo no ano passado, e ainda sobrar um troco, já que o goleiro é avaliado em € 2,8 milhões pelo site especializado em avaliação de jogadores Transfermarkt. A metade desse salário (€ 1,55 milhão) fica perto do atual valor de mercado (€ 1,6 milhão) de Daniel Alves (São Paulo), capitão da seleção brasileira na conquista da Copa América de 2019.