América do Sul também tem seu Liverpool

A grande sensação do futebol mundial, já faz meses, é o Liverpool.

Da cidade inglesa de Liverpool, a terra dos Beatles, na Inglaterra.

Fundado em 1892. Atual campeão europeu. Atual campeão mundial.

Que caminha com tranquilidade para ganhar, pela primeira vez desde 1990, o Campeonato Inglês –será a 19ª vez na história.

Que tem o talentoso e temido trio de ataque Salah, Firmino e Mané.

Que tem o melhor lateral-direito (Alexander-Arnold), o melhor zagueiro (Van Dijk), o melhor goleiro (Alisson) e o melhor treinador (Jürgen Klopp) da atualidade.

Esse Liverpool, que pratica um futebol veloz e vertical, quem gosta o mínimo de futebol conhece e admira.

O que é certo que muito pouca gente, mesmo quem goste muito de futebol, sabe é que, atravessando o oceano Atlântico, existe um outro Liverpool.

Que também foi fundado faz um tempão, em 1915. Distante da cidade inglesa 11 mil quilômetros, em Montevidéu, no Uruguai.

Batizado de Liverpool devido à admiração de seus idealizadores pelo futebol bretão e também pela relevância de Liverpool, de cujo porto zarpavam os navios de carvão rumo ao Uruguai.

É impossível prever o futuro, mas com base no passado é plausível afirmar que o Liverpool Fútbol Club jamais terá a fama e a força (financeira inclusive) do Liverpool Football Club.

Em 105 anos de história, completados no último dia 15, o modesto time de Montevidéu nunca conquistou o Campeonato Uruguaio e nem perto de se tornar um expoente local esteve.

Só que o presente tem dado tantos sorrisos à pequena torcida do Liverpool uruguaio quanto à gigante do homônimo britânico.

O lateral-direito Pereira (6) comemora com o meia-atacante Díaz seu gol diante do Llaneros, pela Copa-Sul-Americana, em Montevidéu (Dante Fernandez – 26.fev.2020/AFP)

Na Copa Sul-Americana, que encerrou nesta quinta (27) os primeiros mata-matas, o clube foi, entre os 22 classificados, o que apresentou o futebol mais goleador.

Diante do Llaneros, da Venezuela, ganhou de 2 a 0 fora e de 5 a 0 em casa. Ninguém fez melhor, apesar de o Bahia, com um 3 a 0 e um 3 a 1 no Nacional paraguaio, ter sido tão convincente quanto.

No número de títulos nos últimos meses, se o Liverpool de Salah e companhia faturou a Champions League, a Supercopa da Europa e o Mundial de Clubes, o Liverpool que desfila desconhecidos não fica muito atrás.

Amealhou dois torneios, os mais relevantes de sua história, pois na elite de seu país: o Intermedio, em setembro de 2019, e a Supercopa do Uruguai, no dia 1º deste mês, superando por 4 a 2 o poderoso Nacional.

Esse Liverpool, que veste azul e preto, e não vermelho como o de além-mar, disputa somente pela quarta vez uma competição internacional.

Participou da Libertadores de 2011 e das Copas Sul-Americanas de 2009, de 2012 (nesta, registrou seu melhor desempenho, as oitavas de final) e de 2019.

O Liverpool até já teve brasileiros pela frente. Duas vezes. E obteve 50% de êxito.

Primeiro, o Grêmio, na chamada pré-Libertadores, nove anos atrás: 2 a 2 em Montevidéu e 1 a 3 em Porto Alegre, obrigando a equipe gaúcha a virar o jogo para se classificar.

No ano passado, o oponente foi o Bahia, na primeira rodada da Sul-Americana: 1 a 0 em Salvador e 0 a 0 em Montevidéu, sendo a equipe brasileira eliminada.

Este ano pode reservar um terceiro encontro, já que, além do Bahia, o Vasco também está vivo na Sul-Americana (Fluminense, Atlético-MG, Goiás e Fortaleza caíram precocemente). Dependerá do sorteio, em maio, propiciar o cruzamento.

Se essa é uma possibilidade real, a de haver um imperdível duelo de Liverpools não é.

Poderiam os dirigentes dos clubes marcarem um amistoso, medirem forças na pré-temporada, em um jogo amigável e aprazível?

Poder poderiam, mas é utópico. Os interesses econômicos imperam, e o Liverpool inglês não incluiria o Liverpool uruguaio em seu calendário.

Esse duelo, que seria histórico, ficará no campo dos sonhos.

Erramos: o texto foi alterado

O Liverpool participou também da Copa Sul-Americana de 2019, quando enfrentou um time brasileiro, o Bahia. O texto foi corrigido.