Justiça dá aval, e torcedor passará a se chamar Tottenham

O que pode mensurar a paixão de um torcedor por seu time?

Ir a todos os jogos, sem exceção, não só os como mandante mas os como visitante?

Adquirir, além do uniforme principal, o número dois e o número três (aquele usado uma vez por ano), além de boné, caneca, ímã de geladeira, miniatura da mascote e tudo mais que possa ser vendido com a marca do clube, sendo ou não útil?

Sair às ruas, cheio de orgulho, com a camisa do time, mesmo depois de uma goleada acachapante para o principal rival?

Para o sueco David Lind, da pequena cidade de Kumla (16 mil habitantes), o amor por uma equipe inglesa significa abrir mão do próprio nome.

Em junho do ano passado, Lind solicitou à autoridade da Suécia que administra os registros públicos da população que o dele fosse trocado para Tottenham, seu time do coração e atual vice-campeão europeu.

O requerimento foi recusado, o que levou o fanático torcedor às lágrimas. E à decisão de recorrer à Justiça.

“Eles não acham que é um nome sueco”, disse em entrevista à época. “Mas existem pessoas que mudaram o nome para Guiseley [clube da quinta divisão da Inglaterra], então é injusto que eu não possa mudar o meu para Tottenham.”

Nesta semana, depois de oito meses de espera, saiu o resultado do recurso e, para júbilo do fã de Harry Kane e companhia, ele teve o pleito atendido.

“Foi como marcar um gol na prorrogação”, sentenciou, vitorioso, Tottenham Lind ao tabloide sueco Expressen.

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Em tempo: E no Brasil? É possível pleitear a mudança de nome para o de um clube? Há chance de alguém passar a se chamar Flamengo, ou Corinthians, ou Chapecoense etc.? Extremamente improvável. As alterações só são autorizadas em casos específicos, como erro de grafia, exposição ao ridículo e mudança de sexo, entre poucos outros, que não incluem alguém deixar de ser, por exemplo, Paulo e se tornar Palmeiras.