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Corinthians vai atrás de vingança obrigatória na Libertadores

Na Taça Libertadores, há derrotas e derrotas.

Existem as derrotas doídas e existem as derrotas inaceitáveis.

O mesmo pode se falar em relação às vinganças.

Existem as vinganças desejadas e existem as vinganças obrigatórias.

No caso do Corinthians, a estreia na Libertadores deste ano é a oportunidade de registrar uma vingança mandatória, necessária.

Em suas catorze participações no mais importante campeonato continental, a primeira em 1977 e a mais recente em 2018, pode-se afirmar que em duas ocasiões o alvinegro paulista teve eliminações vexaminosas, pois em confrontos diretos com rivais tidos como inexpressivos.

Primeiro, o colombiano Tolima; depois, o paraguaio Guaraní –rival na partida desta quarta (5), em Assunção, a primeira de mata-mata na chamada pré-Libertadores (etapa preliminar, classificatória para a fase de grupos).

Em 2011, a equipe que tinha Ronaldo Fenômeno no ataque sucumbiu na cidade de Ibagué, na pré-Libertadores, diante do até então desconhecido Deportes Tolima: 2 a 0. Na ida, em São Paulo, empatara por 0 a 0.

Em 2015, nas oitavas de final, o inesperado voltou a dar as caras, e o Corinthians perdeu tanto a partida de ida (2 a 0, o primeiro gol um frangaço de Cássio), fora, como a de volta (1 a 0), em pleno Itaquerão.

Jogadores do Guaraní festejam gol em Assunção, na vitória por 2 a 0 sobre o Corinthians no jogo de ida das oitavas de final da Libertadores-2015 (Norberto Duarte – 6.mai.2015/AFP)

Coincidentemente, o treinador do Corinthians era nas duas vezes Tite, também o responsável por conduzir o time ao título da Libertadores de 2012.

As duas mais vergonhosas derrotas do atual treinador da seleção brasileira, devido à importância do torneio e ao nível dos oponentes, zebras escancaradas.

Cabe ao recém-chegado Tiago Nunes, que tem ganhado elogios por em pouco tempo ter mudado o estilo do Corinthians, dando-lhe uma cara mais ofensiva, organizada e vistosa, a responsabilidade de não deixar o raio cair duas vezes no mesmo lugar –raio esse que seria devastador para a sequência da equipe em 2020.

Esse é, friso, um mata-mata no qual a desforra é obrigatória para o Corinthians.

Cair fora (e precocemente) da Libertadores, com nova derrota para um time inferior tecnicamente e economicamente, novamente decidindo em Itaquera (no dia 12, quarta da próxima semana), será de abalar as estruturas.

O técnico do Corinthians, Tiago Nunes, durante treino no CT do clube (1º.fev.2020/Agência Corinthians)

Mirando os elencos, aquela eliminação certamente está ainda clara na memória de Cássio, do lateral Fagner e do zagueiro Gil, os remanescentes daquele time de 2015.

Do lado do Guaraní, sobrou somente um, mas um que é emblemático.

Em maio de 2015, o atacante Fernando Fernández entrou em campo aos 43 do segundo tempo para, quatro minutos depois, fazer o gol que calou definitivamente a arena corintiana. Vestia a camisa 11.

Hoje, usando a 9, ele é titular do Guaraní, para o qual regressou em 2019 depois de jogar no México e na Colômbia, e fez um dos gols no 4 a 0 contra o San José Oruro (Bolívia), na semana passada, resultado que classificou o time paraguaio para o duelo com o Corinthians.

Caso o time paulista consuma a vingança obrigatória, prosseguirá vivo em busca de uma vingança desejada, faz muito tempo, na Libertadores.

O Palmeiras é o alvo. Há mais de 20 anos (1999) e há quase 20 anos (2000), o principal arquirrival corintiano saiu vencedor, as duas vezes nos pênaltis, respectivamente nas quartas de final e nas semifinais.

As mais doídas eliminações da nação corintiana, diante das iluminadas luvas de São Marcos, o extraordinário e inesquecível goleiro do Palmeiras, depois campeão mundial com o Brasil na Copa de 2002.

Marcos, goleiro do Palmeiras, defende pênalti batido pelo corintiano Marcelinho Carioca no Morumbi, no jogo de volta das semifinais da Libertadores-2000 (Evelson de Freitas – 6.jun.2000/Folhapress)

Se o Corinthians eliminar o Guaraní, terá mais um mata-mata na fase preliminar, contra o ganhador de Cerro (Uruguai) e Palestino (Chile).

Passando, irá para o Grupo B, que tem o Palmeiras.

E então haverá o desafio de superar a equipe alviverde nos dois confrontos, o que aumentaria a chance de uma queda precoce dela.

Se Corinthians e Palmeiras avançarem, há a chance de novo cruzamento, mais à frente, em partidas ainda mais decisivas, nas quais a desejada vingança corintiana na Libertadores poderá ser efetivamente consumada –ou mais uma derrota pungente ser acumulada.

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