Jesus volta a errar, e goleiro ‘sem sangue’ pode bater pênalti no Man City

Aconteceu de novo com Gabriel Jesus.

Foi contra o Sheffield United, nesta terça (21), no estádio Bramall Lane, em Sheffield, pelo Campeonato Inglês (Premier League).

Pênalti para o Manchester City, sofrido pelo argelino Mahrez. Sem Agüero, que começou na reserva, em campo, Gabriel Jesus apresenta-se para a cobrança.

O camisa 9 corre… chuta… à meia atura no canto direito do goleiro… e Henderson salta e espalma a bola, evitando o gol.

Gabriel Jesus prepara-se para cobrar pênalti contra o Sheffield United; clique e assista aos lances do jogo (Reprodução/Canal do Manchester City no YouTube)

O erro em uma penalidade máxima não é novidade na carreira do ex-atacante do Palmeiras.

Desde que chegou à Europa, no começo de 2017, para defender o time de Manchester que veste azul, Gabriel Jesus cobrou dez pênaltis, oito pelo clube e dois pela seleção brasileira.

Converteu quatro, todos pelo Man City, e desperdiçou seis, ostentando o execrável aproveitamento de 40% –errou mais do que acertou.

Nesta temporada, ele está com 0% de sucesso. Três cobranças (duas pelo time, uma pela seleção), três decepções.

O Man City, vice-líder da Premier League, ainda venceu o jogo (com gol de Agüero, que substituiu Gabriel Jesus), mas o assunto pênalti foi o que teve maior protagonismo na entrevista pós-jogo do treinador Pep Guardiola.

Ele demonstrou preocupação com o desempenho nesse quesito e aventou a possibilidade, antes descartada, de na ausência de Agüero –que tem o aproveitamento de 79% na carreira nas penalidades máximas– permitir que o goleiro Ederson vá até a área rival tentar o gol.

“Preciso refletir sobre isso. Não apenas por Gabriel, pois Sergio [Agüero] e Raheem [Sterling] também já perderam. Não estamos seguros.”

Guardiola observa Gabriel Jesus em entrevista coletiva; o espanhol preocupa-se com o aproveitamento ruim do brasileiro nos pênaltis (Jason Cairnduff – 25.nov.2019/Reuters)

Guardiola preocupa-se especificamente com a Liga dos Campeões da Europa, cuja fase de mata-matas começa no mês que vem –o Man City duelará nas oitavas de final com o fortíssimo Real Madrid.

“Nos mata-matas [da Champions League], isso [acertar um eventual pênalti] é importantíssimo, pois é o tipo de detalhe que faz a diferença na maior parte das vezes. Terei que tomar uma decisão sobre quem será o batedor.”

E ele deixou aberta a possibilidade de eleger o canhoto Ederson, reserva de Alisson na seleção brasileira, para a tarefa.

“Ederson é o melhor. Acredite, ele é o melhor que temos nos pênaltis”, declarou Guardiola, enaltecendo a precisão e o sangue gelado do seu camisa 31. “Não tem sangue nas veias, ele é muito calmo, então poderia dar conta.”

Assim, Ederson, que jamais sentiu o gosto de fazer um gol de pênalti, pode em breve ter essa chance.

Até porque o desempenho de Agüero, o cobrador oficial, é bom, mas não espetacular. No Real Madrid, por exemplo, todos os potenciais batedores (Sergio Ramos, Modric e Benzema) têm aproveitamento de 88% nos pênaltis.

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Em tempo: Ederson possui fama de pegador de pênaltis, mas é só fama. A estatística mostra que ele defendeu 6 de 37 cobranças (16%). Só um pouco abaixo de Courtois, do Real Madrid (7 de 42, 17%), mas bem abaixo de Alisson, do Liverpool (5 de 16, 31%), e muitíssimo abaixo do rei dos pênaltis, Diego Alves, do Flamengo, cujo êxito na carreira é de 41% (26 de 64). Pode ser considerado um goleiro eficaz nos pênaltis, no meu conceito, aquele que está no patamar de Alisson, ou seja, impede um gol a aproximadamente cada três tentativas dos adversários. São os casos de Oblak (Atlético de Madrid), Neuer (Bayern), Navas (PSG) e Buffon (Juventus).