Flamengo confirma tradição de que quem sai atrás perde o Mundial

O Flamengo se tornou em Doha, contra o Liverpool, ao ser derrotado por 1 a 0, gol de Firmino no primeiro tempo da prorrogação, mais uma vítima da história.

Foi quase impossível em um Mundial interclubes, seja ele a finada Copa Intercontinental, seja ele o da Fifa, um time que começou perdendo a decisão obter a virada.

Em 59 edições, isso aconteceu somente três vezes, ou 5% – e, em uma delas, quem virou não levou título.

A mais recente, e a única desde que a Fifa organiza a competição, em 2009, quando o Estudiantes, da Argentina, vencia por 1 a 0 (Boselli, o mesmo que está no Corinthians) até os 44 minutos do segundo tempo e levou o empate do Barcelona (Pedro), que ganhou ao marcar outro gol (Messi) na prorrogação.

Em 1992, o São Paulo de Telê Santana virou sobre o Barcelona: 2 a 1, dois gols de Raí.

A terceira vez foi em 1969, e, mesmo registrando a virada sobre o Milan (2 a 1), o Estudiantes não levantou a taça. Naquela época, a decisão era em jogos de ida e volta, e o clube italiano, por ter vencido o primeiro confronto por 3 a 0, triunfou pelo saldo de gols.

“Pelo que estava acontecendo no jogo [com o Liverpool], quem fizesse um gol seria o vencedor”, declarou o treinador do Flamengo, o português Jorge Jesus, em entrevista depois da final no Qatar.

Em outras duas ocasiões, quem saiu atrás e não virou, porém reagiu e empatou, acabou campeão mundial.

Em 1985, a Juventus de Platini conseguiu o troféu mesmo sem virar a partida. Diante do Argentinos Juniors, começou perdendo, empatou, levou outro gol e voltou a empatar (2 a 2). Faturou o título na disputa de pênaltis.

O mesmo aconteceu com o Boca Juniors, que superou o Milan nos pênaltis em 2003 depois de começar perdendo e chegar à igualdade (1 a 1).

Nas dez mais recentes edições do Mundial de Clubes, em oito o time que começou perdendo a final não conseguiu nem sequer fazer um gol, incluindo o Santos de Neymar (0 a 4 para o Barcelona, em 2011) e o Grêmio (0 a 1 para o Real Madrid, em 2017).

As exceções foram o Kashima Antlers, do Japão, que perdeu por 4 a 2 para o Real Madrid em 2016, e o Al-Ain, dos Emirados Árabes, goleado pelo Real Madrid por 4 a 1 no ano passado.