Mascote da Copa América-2020 é mais uma fadada ao esquecimento

Gardelito, Tico, Guaso, Choclito, Torito, Tatu, Taguá, Ameriko, Chasqui, Guaky, Tangolero, Zincha e Zizito.

De 1987 a 2019, foram 13, e nenhum é lembrado por ninguém. Se você se recorda, afirmo sem medo de errar que é uma raríssima exceção.

Eles são as mascotes das Copas Américas, e o mais novo representante, para a edição de 2020, que será sediada por Argentina e Colômbia em junho e julho, foi anunciado nesta semana.

Pibe, um cachorro vira-lata, é seu nome.

Em eleição na internet, superou por 64% a 36% a outra sugestão (Pipe) apresentada pela Conmebol, a confederação que controla o futebol na América do Sul.

Nas palavras da entidade, Pibe é “divertido”, “alegre”, “ágil”, “único”.

As mascotes geralmente ganham adjetivos, quase sempre genéricos, que podem ser dados a qualquer uma – as anteriores, a atual ou as posteriores.

Ainda segundo a Conmebol, Pibe foi inspirado em “todos os cães do continente”, sendo “o máximo representante da nova raça sul-americana”.

De fato, o orelhudo e língua comprida Pibe mostra-se uma miscelânea de raças em sua figura multicolorida.

Marrom, o cão usa uma camisa branca com uma manga azul (representando a Argentina); a outra manga é vermelha e o calção é amarelo (representando a Colômbia).

Os tênis são verdes e brancos, com um cordão amarelo e outro azul. Não se sabe se simbolizam algo, mas poderiam perfeitamente ser uma alusão ao Brasil, atual campeão da Copa América.

Pibe exibiu sua simpatia no sorteio dos grupos da competição, em Cartagena, na Colômbia, na terça-feira (3). Um deles terá Colômbia, Brasil, Venezuela, Equador, Peru e Qatar (convidado); o outro, Argentina, Uruguai, Paraguai, Chile, Bolívia e Austrália (convidada).

A mascote desfilou pelo palco, segurou uma bola, mandou sinal de positivo, “conversou” com os apresentadores, fez umas micagens… Nada empolgante, nada fustigante, nada mirabolante. Nada que o torne memorável. E não será.

Depois dessa aparição, há para Pibe uma única certeza: está, depois de seus cinco minutos de fama (inclusive neste espaço), condenado ao esquecimento.

Ele ainda aparecerá ali ou acolá, fará graça em um evento ou outro nas cidades-sedes argentinas e colombianas, haverá até quem compre a versão de pelúcia – que logo será engavetada ou relegada a um canto.

Pode parecer cruel, porém se nem as mascotes de Copa do Mundo e Olimpíada são memorizadas, por que as da Copa América, um torneio regional, seriam?

Desculpe, ursinho Misha (célebre em Moscou-1980 pela queda de uma lágrima, em coreografia da plateia na cerimônia de encerramento), mas nem você é mais citado por aí.

O ursinho Misha chora no encerramento da Olimpíada de Moscou-1980, na URSS (Reprodução)

Gardelito, Tico, Guaso, Choclito, Torito, Tatu, Taguá, Ameriko, Chasqui, Guaky, Tangolero, Zincha e Zizito.

Todos relegados à deslembrança, à indiferença, ao abandono – como muitos e muitos vira-latas mundo afora.

Pibe é um vira-lata com destino mais que definido: fará parte desse time.

Relembre: Lobo derrota gato e tigre e é a mascote da Copa de 2018