Brincadeira coloca Bale em rota de choque com o Real Madrid

Responsável por dar ao Real Madrid o título da Liga dos Campeões da Europa de 2018, o galês Gareth Bale se permitiu participar de uma brincadeira que deve desagradar, e muito, à torcida e à direção do clube.

Depois de o País de Gales obter a vaga na Eurocopa de 2020 ao superar a Hungria por 2 a 0 em Cardiff, nesta terça (19), o atacante festejou com os companheiros, feliz da vida, segurando uma bandeira com os dizeres: “Gales. Golfe. Madri. Nessa ordem”.

Torcedores galeses elaboraram essa bandeira em alusão à suposta preferência maior do ídolo pela seleção de seu país e pelo golfe – passatempo predileto de Bale – do que pelo gigante madrilenho.

Antes de a bandeira aparecer, surgiu o cântico dos torcedores (“Gales, golfe, Madri”), entoado depois de outra vitória por 2 a 0, diante do Azerbaijão, em Baku, no sábado (16).

Os fãs criaram essa sequência com base em uma declaração feita no fim do mês passado por Predrag “Pedja” Mijatovic, atacante (bom) do Real na metade final do século 20.

“Ele [Bale] pensa primeiro na seleção de Gales, depois no golfe e depois no Real Madrid. É o que ele deixa transparecer. Nunca se sabe se pode contar com ele, se está ou não motivado, se está ou não lesionado. Mas verão como ele estará bom quando os jogos pela seleção se aproximarem”, afirmou o montenegrino, que é comentarista da rádio espanhola Cadena Ser.

Bale posa, a caráter, ao lado de estátua do jogador escocês de golfe Bernard Gallacher em junho de 2018 (Reprodução/Instagram de Gareth Bale)

Herói do título do Real contra o Liverpool na Champions League do ano passado, quando entrou no decorrer da final e fez dois gols, um deles de bicicleta, Bale, hoje com 30 anos, tem convivido com contusões frequentes desde sua chegada ao time, no meio de 2013.

Para tirá-lo do Tottenham, o clube espanhol desembolsou 100 milhões (R$ 464 milhões pelo câmbio atual), à época o mais alto valor investido em um futebolista.

Desde então, teve nada menos que 24 lesões, ou uma a cada três meses, em média. Assim, engrenar séries de partidas pela equipe foi algo pouco visto.

Ao comentar antes do jogo contra os húngaros a respeito da musiquinha da torcida, um sorridente Bale, que já declarara sua predileção por atuar pelo País de Gales (“são meus amigos, falam a minha língua”), disse que a tinha escutado e a considerado “bem divertida”.

A mídia britânica divertiu-se com essa afirmação… porém a espanhola grunhiu.

Ao dançar festivamente com a bandeira que posiciona o Real Madrid como sua terceira prioridade, Bale brincou com fogo.

Se seus extintores, ou os de seus representantes, não estiverem muito bem carregados nos próximos dias, não é improvável que Florentino Pérez, o presidente do Real, ceda à pressão de enraivecidos fãs merengues, e de uma ou duas dezenas de dirigentes/conselheiros irritados, e decida pela dispensa do galês.

Pois, por mais que tenha sido uma brincadeira (será?, pois às vezes Bale passa mesmo a impressão de gostar mais de jogar golfe do que de atuar pelo Real), essa teve um tom claríssimo de pilhéria.

E, em se tratando de paixão clubística, com certas coisas não se brinca.

Capitão de sua seleção, Bale festeja ao lado de Aaron Ramsey (10) a classificação do País de Gales para a Eurocopa de 2020 depois da vitória por 2 a 0 sobre a Hungria em Cardiff (Andrew Boyers – 19.nov.2019/Reuters)

Em tempo 1: A próxima janela europeia de negociações está perto (janeiro), e ventila-se a possibilidade de haver um acerto entre Real Madrid e Manchester United, com o retorno de Bale para a Inglaterra e a ida do francês Paul Pogba, campeão mundial com a França em 2018, para a Espanha.

Em tempo 2: Junto com o País de Galês há outras 19 nações já classificadas para a Eurocopa de 2020, que será realizada em junho e julho próximos. São elas: Alemanha, Espanha, França, Itália, Inglaterra, Portugal, Holanda, Bélgica, Croácia, Rússia, Polônia, Suécia, Suíça, Ucrânia, Turquia, República Tcheca, Dinamarca, Finlândia e Áustria. Faltam ainda quatro vagas, a serem disputadas em quatro playoffs, por 16 seleções, no final de março.