Mbappé desbanca Messi com hat-trick e evidencia imodéstia

“É verdade que eu queria começar jogando e achei que começaria. O treinador tomou sua decisão e tive que aceitá-la. Quero jogar todos os jogos. Quero mostrar como é difícil sem mim.”

Esse foi o discurso imodesto de Kylian Mbappé depois da goleada por 5 a 0 do Paris Saint-Germain, na terça (22), sobre o Clug Brugge, na Bélgica, pela fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa (Champions League).

Um dos melhores jogadores jovens da atualidade – para mim, o melhor –, o francês de 20 anos entrou em campo aos 7 minutos do segundo tempo, com o PSG vencendo por um apertado 1 a 0, e fez o difícil ficar fácil.

No intervalo de 22 minutos (dos 16 aos 38), anotou um hat-trick (três gols, sendo um de cabeça, um de pé direito e um de pé esquerdo) e ainda deu a assistência para gol do argentino Icardi.

Foi o nome da partida e, pelo tanto que jogou, deve ser realçado em breve à equipe titular pelo técnico alemão Thomas Tuchel.

“Ele não precisa provar sua qualidade. Não sou estúpido”, afirmou o treinador.

Mbappé sabe de sua importância para o PSG – para mim, hoje ele é inclusive mais importante do que Neymar, mais uma vez afastado por um tempo devido a uma contusão – e insistia que estava pronto para começar a partida, porém Tuchel tinha sua razão em decidir de outra forma.

Precaução é a palavra.

O camisa 7, titular da França campeão da Copa do Mundo na Rússia-2018, teve duas lesões na coxa desde o começo desta temporada, que o deixaram sem jogar setembro quase inteiro e duas semanas neste mês.

Assim, é sensato, para reduzir a chance de uma recidiva, reinserir aos poucos o jogador nas partidas.

Tuchel agiu assim em relação a Mbappé no Campeonato Francês, na sexta (18), quando ofereceu cerca de 10 minutos de ação ao atacante contra o Nice, no fim do jogo (deu tempo de fazer um gol), e repetiu o procedimento na Champions League. Está correto.

“Futebol é minha paixão e foi muito doloroso ter ficado dois meses sem poder jogar”, frisou Mbappé. “Minha lesão já se foi, e quero voltar a toda e fazer muitos gols.”

Está voltando “a toda” mesmo, e a impecável atuação diante do Club Brugge lhe valeu também a quebra de um recorde.

Não a quebra de um recorde de um jogador comum – pois os jogadores comuns eventualmente registram recordes –, mas a quebra de um recorde de um super-recordista: Lionel Messi.

Messi tenta dominar a bola no jogo do Barcelona contra o Slavia, na República Tcheca, pela Liga dos Campeões da Europa (David W Cerny – 23.out.2019/Reuters)

Mbappé se tornou, aos 20 anos e 306 dias de vida, o mais jovem a marcar 15 gols na Liga dos Campeões. Messi, hoje com 32 anos e 113 gols na competição, o fez com 21 anos e 289 dias, em 2009.

Isso quer dizer algo? Em termos.

Não é qualquer um que consegue superar uma marca do extraterrestre Messi, cujo único concorrente à altura neste primeiro quinto de século 21 tem sido Cristiano Ronaldo; é, aliás, raríssimo ocorrer.

Sendo assim, méritos e aplausos para o jovem craque francês, que de modo célere deixou de ser promessa para se tornar realidade.

É necessário, entretanto, ir devagar com o andor.

Mbappé empolga com seu futebol veloz (como o rapaz é rápido, corpo e mente!), vertical, objetivo. Mas é cedo demais para colocá-lo em um pedestal.

Ele terá de provar, dia a dia, semana a semana, mês a mês, ano a ano, com gols, conquistas e recordes, que é merecedor de figurar entre os grandes craques do futebol.

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Em tempo: Um dia depois de Mbappé brilhar, Messi esteve em campo pelo Barcelona na Champions League, contra o Slavia Praga, na República Tcheca. E incluiu mais um recorde em sua coleção. Ao balançar as redes logo aos três minutos, após passe do brasileiro Arthur, tornou-se o primeiro jogador na história da Liga dos Campeões a fazer ao menos um gol em 15 edições seguidas do mais badalado interclubes do planeta, ultrapassando o espanhol Raúl (já aposentado), o francês Benzema e o português Cristiano Ronaldo.