Flamengo tem 67%, e Grêmio, 33% de chance de ir à final da Libertadores

Flamengo e Grêmio decidem nesta quarta (23), no Rio de Janeiro, quem será o adversário do River Plate na primeira decisão da Libertadores em jogo único – marcado para Santiago (Chile), no dia 23 de novembro, um sábado.

Tendo a partida de ida, em Porto Alegre, terminado 1 a 1, é possível estabelecer um favorito para o duelo das 21h30 (com transmissão de Globo e Fox Sports) no Maracanã?

Sendo o futebol um esporte cheio de variáveis e imprevisibilidades, e sabendo-se que o embate é entre duas das mais tradicionais e respeitadas equipes do Brasil, o mais sensato é afirmar que não, que é um jogo sem favoritos.

Porém analistas de futebol teimam em querer dar palpites, buscando embasamento em vertentes diversas.

O time que está em melhor momento? O Flamengo, líder folgado do Brasileiro e caminhando a cada dia mais firme em direção ao título.

O time que conta com o fator campo/torcida? O Flamengo, equipe com maior número de torcedores no país, terá uma legião de rubro-negros a seu lado.

O time que está menos desfalcado? O Flamengo, se contar com os retornos de Rafinha e De Arrascaeta, o que é esperado, terá força máxima. O Grêmio não poderá escalar o meia-atacante Luan, contundido.

O time que tem mais jogadores que individualmente podem desequilibrar? No Flamengo eu somo três: Gabriel “Gabibol”, Bruno Henrique e De Arrascaeta. No Grêmio, um: Everton Cebolinha.

Tudo parece favorável ao Flamengo, e aqui, baseado na história da Taça Libertadores, amplio o favoritismo de Gabigol e companhia cravando que o clube carioca tem 67% de chance de se classificar, contra 33% do tricolor gaúcho.

Desde 1960, primeiro ano de disputa do mais importante interclubes do continente americano, em 15 ocasiões confrontos das semifinais terminaram com a primeira partida empatada.

Em dez delas (ou duas em cada três), o time que mandou o segundo jogo classificou-se para a final: 1961, 1962, 1989, 1991, 1995, 1996, 2004, 2006 e 2008 (nesse ano, ocorreu nas duas semifinais).

Nas outras cinco (1960, 1963, 1992, 2002 e 2010), o visitante se deu melhor.

Cabe salientar que em 1960, quando o critério que leva em consideração gols feitos fora de casa como desempate estava a dezenas de anos de ser cogitado, o San Lorenzo teria se classificado se ele vigorasse.

O time argentino empatou como visitante (1 a 1) o jogo de ida contra o Peñarol, em Montevidéu, e também o jogo de volta (0 a 0), como anfitrião, em Almagro.

O regulamento da época previa nesse caso um jogo de desempate, que foi realizado na capital uruguaia. Deu Peñarol (2 a 1).

Nas demais quatro vezes que o visitante obteve a vaga na final após empatar primeiramente em sua casa, em duas delas a classificação saiu apenas nos pênaltis (Newell’s Old Boys, contra o América de Cali, em 1992; e Boca Juniors, contra o Palmeiras, em 2001).

Sem pênaltis, só o Santos de Pelé, em 1963, em um 4 a 0 no Botafogo no Macaranã (com três gols do rei do futebol), e o mexicano Chivas, com um 2 a 0 em 2010 na Universidad de Chile, avançaram à decisão na situação mencionada.

Não foram consideradas na pesquisa as edições – a maioria delas nos anos 1970 e 1980 – em que a fase semifinal era disputada em dois grupos de três equipes cada um.

Ou seja, feitas as comparações gerais e expostas as estatísticas, na teoria o Flamengo tem muito, mas muito mais a seu favor do que o Grêmio.

Na prática, precisará jogar muito futebol para suplantar um oponente duríssimo, três vezes campeão da Libertadores, e que já foi seu algoz no passado em etapa semifinal da competição, impedindo-o de chegar à decisão em 1984.