Messi tem cláusula que permite saída de graça do Barcelona

Lionel Messi, um dos melhores jogadores da história do futebol – top 10 com certeza –, pode sair do Barcelona de graça, mesmo no meio do contrato.

O acordo feito com a poderosa equipe espanhola, em vigência desde 2017 e que tem duração até 2021, estipula que o argentino, se quiser, pode optar por ir para outro clube ao término de cada temporada. Sem exigência de multa.

Tomei conhecimento disso pelo jornal catalão Mundo Deportivo.

O curioso é que essa cláusula, na prática, anula o tópico do contrato que estabelece, em caso de rescisão, uma multa de € 700 milhões (R$ 3,18 bilhões), ou mais que o triplo do que o Paris Saint-Germain pagou ao Barça em 2017 para ter Neymar (€ 222 milhões, um recorde).

Desconheço que existam outros contratos similares e, sendo assim, não é um risco altíssimo para o Barcelona dar essa regalia a Messi?

Não, não é. O clube acredita que seu camisa 10, um de seus maiores ídolos, senão o maior, que veste a camisa do Barça desde 2000 (quando tinha 13 anos), não trocará de camisa.

Messi no centro de treinamento do Barcelona, clube que defende desde os 13 anos e com quem tem contrato até 2021 (Albert Gea – 1º.out.2019/Reuters)

Entre seus companheiros, a crença é a mesma, como expressou o zagueiro da seleção espanhola Piqué ao grupo radiofônico Cadena Ser, de Madri.

“Ele conquistou o direito de poder escolher como direcionar seu futuro por tudo o que já fez pelo clube”, disse Piqué, que chegou ao Barcelona ainda mais cedo que Messi, em 1997, aos 10 anos.

“Mas todos nós sabemos o compromisso que Leo tem com o Barça, então fico despreocupado.”

E, se Messi for uma pessoa de palavra – não há, pelo histórico, razão para pensar que não seja –, Piqué e toda a família azul e grená podem mesmo ficar tranquilos.

O genial artilheiro, autor de mais de 600 gols como profissional pelo Barcelona, reiterou nesta semana o desejo de permanecer no clube.

“A cada dia fica mais claro que eu e minha família queremos que minha carreira seja encerrada aqui”, afirmou à rádio RAC 1, de Barcelona. “Estamos muito bem adaptados à cidade e, se me quiserem, será um prazer continuar.”

Messi vive em Barcelona com a esposa, Antonella, e os filhos (Thiago, Mateo e Ciro).

Messi posa com a esposa, Antonella, durante evento em Barcelona (Albert Gea – 10.out.2019/Reuters)

Firme atualmente em seu intuito, ele declarou que nem sempre foi assim. Alvo de investigação fiscal na Espanha, pensou seriamente em deixar o país alguns anos atrás.

“Especialmente em 2013 e 2014, quando comecei a ter problemas com o fisco espanhol, considerei deixar o Barça. Não por querer sair do Barça, mas por querer sair da Espanha. Me senti maltratado e não queria mais ficar ali.”

Repensou e acabou ficando, ficando, ficando… e ficou. Desde 2018, após a saída de Iniesta, é o capitão do time.

Como no futebol quase sempre quase tudo é incerto, não dá para assegurar que Messi cumprirá o afirmado – pendurar as chuteiras no Barcelona.

É até provável que não.

Mais de uma vez a Pulga (apelido de Messi) declarou que, no fim da carreira, gostaria de atuar na Argentina, no Newell’s Old Boys, clube de sua cidade, Rosario, pelo qual jogou na infância.

“Teria que ser no Newell’s, em nenhum outro lugar. Gostaria de fazer isso por pelo menos seis meses”, disse o craque em maio do ano passado ao Canal 13, TV de Buenos Aires.

Hoje com 32 anos, Messi tem, caso não seja vítima de nenhuma lesão séria e se mantenha bem fisicamente, mais uma meia dúzia de anos de futebol.

O suficiente para renovar por mais três ou quatro anos com o Barcelona e atuar uma temporada no time do coração, em um “grand finale”.