Brasil lidera um ranking de seleções, e não é o da Fifa

Com a performance ruim nos amistosos da última data Fifa (empate por 2 a 2 com a Colômbia e derrota por 1 a 0 para o Peru, em jogos nos EUA), a seleção brasileira caiu uma posição no ranking da Fifa.

A equipe de Tite ocupa a terceira colocação na lista da entidade máxima do futebol, atrás de Bélgica (líder) e França (vice-líder), e tentará conquistar pontos nos amistosos desta quinta (10), contra o Senegal, e de domingo (13), ante a Nigéria, que a permitam, a depender dos resultados de belgas e franceses, ir além do atual posto.

A seleção pentacampeã mundial não figurar no topo, em qualquer campeonato ou em qualquer ranking, deixa sempre um ar de desgosto nos brasileiros.

Ar esse que tem sido respirado faz tempo, pois, no ranking da Fifa, o Brasil não termina um ano em primeiro lugar desde 2006, quando Ronaldo Fenômeno, Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Roberto Carlos e Cafu, entre outros já aposentados, vestiram a camisa amarela.

Só que isso ocorre apenas na lista da Fifa, noticiada com destaque, mensalmente, pela mídia especializada.

O top 10 do ranking da Fifa, divulgado no dia 19 de setembro, com o Brasil em terceiro, atrás de Bélgica e França (Reprodução/Site da Fifa)

Há um outro ranking, que engloba os resultados das seleções desde o século 19, no qual o Brasil está em primeiríssimo lugar.

Bem pouco divulgado, trata-se do ranking ELO – sem relação com a bandeira de cartão de crédito.

O ELO, criado pelo físico húngaro Arpad Emrick Elo (1903-1992), é um método estatístico empregado para avaliar o nível dos enxadristas e que foi adaptado para o futebol – hóquei no gelo e tênis são outros esportes que também fazem uso dele.

O sistema atribui pesos aos resultados das partidas levando-se em conta fatores como a importância do jogo, o fator casa e a margem de gols em uma vitória.

Os cálculos, que envolvem fórmulas matemáticas, são um tanto complexos, e não é minha intenção detalhá-los aqui e agora.

A pergunta a ser feita é: por que o ranking ELO merece credibilidade?

Porque a própria Fifa – cuja lista criada em dezembro de 1992 foi ano após ano alvo de críticas, devido aos critérios utilizados para definir a classificação das seleções – passou, a partir de junho do ano passado, a se basear em uma versão adaptada dele para elaborar seu ranking.

O cálculo da Fifa, em seu primórdio (de 1993 a 1998), era tão simplório que imitava a pontuação das partidas: três pontos para a vitória, um para o empate e zero para a derrota. Não se levava em consideração nenhum outro fator, como o nível de cada seleção ou a importância do confronto.

Paulatinamente, foram sendo feitas modificações na metodologia, até que ela ficou bem próxima do sistema ELO.

Não farei o detalhamento do funcionamento dos rankings, pois envolvem fórmulas matemáticas que não atraem a atenção de ninguém, com exceção da minoria que adora estatística.

Quis apenas informar que o ranking da Fifa não é único e que o Brasil, estando nele em momento de baixa, está em alta nesse outro, que possui fama de bem conceituado.

No top 10 do ranking ELO divulgado no dia 9 de outubro, o Brasil está na 1ª posição (Reprodução/Site ELO)

O estar em alta do Brasil no ranking ELO, aliás, não é novidade.

Nos quase 147 anos de contabilização de resultados (desde novembro de 1872), a seleção brasileira é a que mais vezes iniciou uma partida ranqueado em primeiro lugar.

Foram 301, quase o dobro das vezes do mais próximo perseguidor, a Inglaterra (154), mesmo tendo assumido o topo pela primeira vez somente em 1958, durante a Copa do Mundo da Suécia, a primeira em que o país se sagrou campeão mundial.

Neste século, além do Brasil, lideraram a classificação a França, a Argentina, a Itália, a Holanda, a República Tcheca, a Espanha e a Alemanha.

A Bélgica, atual líder do ranking da Fifa e que nesta data Fifa encara San Marino e Cazaquistão, jamais ocupou a primeira colocação no ranking ELO – está atualmente em segundo lugar, a 43 pontos da seleção de Tite, que soma 2.107.

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