Como seria se Cristiano Ronaldo não tivesse nascido?

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, destacou, em mensagem em rede social nesta terça (8), Cristiano Ronaldo para se posicionar contra o aborto.

Por quê? Porque, no ano passado, a mãe do supercraque português revelou que, em 1984, quis abortar seu quarto filho.

Maria Dolores Aveiro justificou que “não tinha condições financeiras, e foi Deus quem levou a gravidez adiante”.

Não houve o aborto, o filho nasceu… e veio a se tornar o CR7, um dos melhores jogadores que o futebol já teve e continua tendo.

Não me cabe aqui ser a favor ou contra o aborto. É uma discussão profunda e delicada, que envolve a liberdade de escolha da mulher e questões religiosas.

Porém, lendo sobre isso, perguntei a mim mesmo: “Se Cristiano Ronaldo não tivesse nascido, o que seria diferente no futebol?”.

Pois bem. A não presença do atacante mudaria alguns fatos na história do esporte. E faria de Lionel Messi mais espetacular do que é.

Messi festeja gol pelo Barcelona; sem a concorrência de Cristiano Ronaldo, ele seria ainda mais premiado e recordista (Josep Lago – 6.out.2019/AFP)

Sem a concorrência do CR7, Messi teria cinco prêmios a mais de melhor jogador do mundo, pois ficou atrás só do português nas eleições de 2008, 2013, 2014, 2016 e 2017. Ou seja, o argentino seria 11 vezes vencedor, e não “somente” seis (2009, 2010, 2011, 2012, 2015 e 2019).

Seria também o maior artilheiro da Liga dos Campeões da Europa (Champions League), com 112 gols – pois não existiriam os 127 marcados por Cristiano Ronaldo –, e o jogador que mais vezes fez gols em uma única edição da Champions League: 14, em 2011/2012, empatado com Altafini, 14 em 1962/1963. O CR7 anotou 17 gols em 2013/2014, 16 em 2015/2016 e 15 em 2017/2018.

Messi teria ainda ganhado o Troféu Pichichi – dado ao principal goleador do Campeonato Espanhol – três vezes mais, já que o português ficou à frente dele em 2011, 2014 e 2015, e estaria em vantagem em relação ao espanhol Telmo Zarra, que, como Messi, faturou o prêmio seis vezes (nos anos 1940 e 1950).

Caso Cristiano Ronaldo não tivesse nascido, o mais célebre futebolista da história de Portugal ainda seria o lendário Eusébio, artilheiro da Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, com nove gols.

Nem Eusébio nem Figo, uma vez cada um ganhador do prêmio de melhor do mundo, são páreo para o CR7, cinco vezes laureado.

Cristiano Ronaldo é o maior artilheiro da história da seleção portuguesa, com perto de cem gols (93). Se ele não existisse, seria Pauleta o número um da lista, perto de 50 gols (47).

É também o jogador que mais vezes vestiu o uniforme da seleção lusa (160), à frente de Figo (127).

Sem o CR7, o francês Michel Platini seria, isolado, o principal artilheiro da Eurocopa (torneio que na Europa equivale à Copa América). Ambos somam nove gols – o inglês Alan Shearer anotou sete.

Raúl celebra o título da Champions League de 2002; ele era o maior artilheiro do Real Madrid até Cristiano Ronaldo superá-lo (Adrian Dennis – 15.mai.2002/AFP)

Na ausência de Cristiano Ronaldo, Raúl seria quem mais gols teria marcado com a camisa do Real Madrid (323). O português balançou as redes 454 vezes pela equipe merengue.

Por fim, quem também angariaria um recorde se o CR7 tivesse sido abortado seria Gareth Bale.

O galês, colega da máquina de fazer gols no Real Madrid de 2013 a 2018, marcou seis gols em Mundiais de Clubes da Fifa. Cristiano Ronaldo tem sete.

Leia também: Movido por desafios, Cristiano Ronaldo provoca Messi, que dá de ombros

Leia também: Messi escancara o que o diferencia de Cristiano Ronaldo