Zagueiro faz 3 pênaltis, é expulso, e time perde de virada em Portugal

Há aqueles dias em que nada dá certo.

Para o uruguaio Sebastián Coates, sábado (31) foi um desses dias.

Perder faz parte do futebol, e geralmente os jogadores são solidários entre si. Mesmo havendo alguma falha individual, adotam o discurso da culpa coletiva para o revés.

Em Sporting x Rio Ave, em Lisboa, entretanto, não havia como apresentar essa justificativa. Houve, sim, um indubitável culpado. Visível a todos que enxergam. Patente. Escancarado.

A performance do zagueiro de 28 anos, que atua pelo time lisboeta desde 2016 – teve de 2011 a 2015 uma discretíssima passagem pelo Liverpool, quase não jogando –, foi uma tragédia.

Na derrota por 3 a 2, Coates cometeu três pênaltis (dois perto do fim do jogo, em um intervalo de quatro minutos), todos no mesmo jogador (o iraniano Mehdi Taremi), todos convertidos pelo Rio Ave (sempre com cobradores brasileiros), e ainda foi expulso.

Coates, do Sporting, atinge por trás Taremi, do Rio Ave, com menos de 4 minutos, o primeiro dos três pênaltis; clique na imagem e assista (Reprodução de TV)

O primeiro pênalti, após um carrinho imprudente que lhe rendeu um cartão amarelo, foi no começo da partida. O brasileiro Filipe Augusto converteu.

O Sporting reagiu e virou, com gols de Bruno Ferrnandes – meia talentoso que esteve recentemente na mira do Manchester United – e do brasileiro Luiz Phellype.

O tempo passava e parecia que a vitória, que deixaria o Sporting na vice-liderança do Campeonato Português e redimiria a falha de Coates no primórdio do jogo, estava assegurada.

Só parecia. Aos 39 minutos, o árbitro João Pedro Pinheiro assinalou o segundo pênalti de Coates em Taremi, em lance duvidoso – a imagem a que tive acesso não aponta contato entre os jogadores.

Como há o VAR (árbitro assistente de vídeo) nos jogos do Português, suponho que a revisão por outros ângulos tenha comprovado que esse contato existiu.

O brasileiro Ronan empatou: 2 a 2.

O terceiro pênalti cometido pelo beque uruguaio não deu margem para contestação.

Como no primeiro, o camisa 4 reincidiu na imprudência e deu um carrinho por trás no camisa 99. Falta clara e exibição do segundo cartão amarelo para Coates, seguido do vermelho, aos 43 minutos.

Mais um gol para Filipe Augusto, o último do confronto no estádio José Alvalade, que recebeu quase 38 mil torcedores, a maioria esmagadora do Sporting, que era o mandante.

Mais vilão do que Coates para a torcida do time que veste verde e branco, impossível. É de se duvidar se haverá clima para que o atleta volte a ser titular. A curto prazo, parece inviável.

Capa do jornal A Bola destaca a derrota do Sporting para o Rio Ave, enfatizando os três pênaltis cometidos por Coates (1º.set.2019/Reprodução)

Os jornais esportivos portugueses (A Bola, Record, O Jogo) destacaram a péssima atuação dele, e a Bola informou ter sido a primeira vez que o Sporting, um dos três grandes de Portugal (junto com Benfica e Porto), levou três gols de pênalti em um jogo.

A derrota resultou na demissão do treinador holandês Marcel Keizer, que neste ano conduzira o clube aos títulos da Taça de Portugal e da Copa da Liga Portuguesa.

O ambiente no Sporting deve estar tão ruim que o site do clube, três dias depois da derrota, não a exibe lá. Como “último jogo” aparece Portimonense 1 x 3 Sporting, do dia 25 de agosto.

Em tempo 1: Tentei lembrar de uma atuação tão marcantemente infeliz como a de Coates e me veio à mente uma de Martín Palermo. O atacante argentino, canhoto, desperdiçou três pênaltis no mesmo jogo. Foi na Copa América de 1999, no Paraguai, diante da Colômbia. Uma cobrança no travessão, uma para fora e uma defendida pelo goleiro Calero. Para que fosse pior, só se tivesse sido expulso. Os colombianos venceram por 3 a 0. Atualmente, Palermo, com 45 anos, é treinador do Pachuca, do México.

Em tempo 2: Coates já foi tratado pela mídia como “o novo Lugano”. Em 2011, antes de acertar com o Liverpool, esteve perto de fechar com o São Paulo. Tinha sido uma indicação de Diego Lugano, zagueiro ídolo da equipe tricolor (destacou-se como xerife da defesa nos anos 2000) e hoje, aos 38 anos, um dos dirigentes do time.