Árbitro faz sinal de VAR para dar pênalti na Bolívia, país que não usa o VAR
Personagem número um atualmente no futebol, o controverso VAR (árbitro assistente de vídeo) ganhou mais um capítulo em sua curta e já marcante história.
E, dessa vez, sem nem mesmo estar presente.
Aconteceu no Campeonato Boliviano, na partida de sábado (3) na cidade de El Alto, entre o mandante Always Ready (time de nome inusitado, que significa, na tradução do inglês, Sempre Pronto) e o Bolivar, atual campeão e disparado o maior vencedor (29 títulos).
O segundo tempo se aproximava do final quando o Always Ready, que perdia por 1 a 0, lançou a bola na grande área na tentativa de empatar.
Houve uma disputa aérea, e os atletas da equipe da casa reclamaram acintosamente de um toque na mão de Orellana, do Bolivar.
O juiz da partida, Raul Orosco, de 40 anos, que desde 2009 é credenciado pela Fifa, parou o jogo e dirigiu-se à lateral do campo, onde conversou com o quarto árbitro – que não estava em boa posição para emitir opinião acerca da jogada.
Ao retornar, antes de apontar para a marca do pênalti, Orosco fez um gesto com os braços e com as mãos similar ao que os árbitros fazem depois de consulta ao VAR.
12th min of added time in Club Always Ready’s game vs. Bolívar in Bolivian top flight y’day. After talking to 4th official, ref makes VAR sign, points to his ear and gives penalty to Always Ready.
One problem – there is no VAR in the Bolivian league.pic.twitter.com/u13z2fpsac
— Joshua Law (@JoshuaMLaw) 4 de agosto de 2019
Só que o Campeonato Boliviano não usa o VAR, muito possivelmente por falta de verba para implantar o aparato tecnológico necessário para seu funcionamento. Ou seja, não há na lateral do campo o monitor para verificação das dúvidas.
Foi a deixa para que a revolta se instaurasse entre jogadores e comissão técnica do Bolivar. Com razão.
Se não há VAR, mas Orosco agiu como se sua decisão tivesse sido tomada depois de consulta ao replay do lance, fica a nítida impressão de que alguém com acesso às imagens contatou a equipe de arbitragem para avisar que a bola tocou no braço do atleta do Bolivar.
Não vejo outro jeito de o árbitro ter mudado seu veredicto.
Nas regras do futebol não há nada que verse sobre interferência externa nas decisões do árbitro, mas, caso venha a ocorrer, é indecoroso.
Enviei mensagem à Federação Boliviana de Futebol pedindo esclarecimento sobre o caso e questionando por qual razão Orosco modificou sua marcação. Não houve resposta.
Nesta segunda (5), em entrevista à rádio ATB, de La Paz, o árbitro declarou ter sido mal interpretado.
“Em nenhum momento fiz um sinal de VAR. Usei a linguagem corporal para que todos soubessem que, se evidentemente houve um toque na mão, deveria ser penalizado. O regulamento faculta o uso da linguagem corporal.”
Acredite quem, e se, quiser.
Em tempo: E o pênalti polêmico, cobrado mais de dez minutos depois de ter sido marcado? Foi convertido? Não. O uruguaio William Ferreira acertou a trave, e o Always Ready perdeu a partida.