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Árbitro faz sinal de VAR para dar pênalti na Bolívia, país que não usa o VAR

Personagem número um atualmente no futebol, o controverso VAR (árbitro assistente de vídeo) ganhou mais um capítulo em sua curta e já marcante história.

E, dessa vez, sem nem mesmo estar presente.

Aconteceu no Campeonato Boliviano, na partida de sábado (3) na cidade de El Alto, entre o mandante Always Ready (time de nome inusitado, que significa, na tradução do inglês, Sempre Pronto) e o Bolivar, atual campeão e disparado o maior vencedor (29 títulos).

O segundo tempo se aproximava do final quando o Always Ready, que perdia por 1 a 0, lançou a bola na grande área na tentativa de empatar.

Houve uma disputa aérea, e os atletas da equipe da casa reclamaram acintosamente de um toque na mão de Orellana, do Bolivar.

O juiz da partida, Raul Orosco, de 40 anos, que desde 2009 é credenciado pela Fifa, parou o jogo e dirigiu-se à lateral do campo, onde conversou com o quarto árbitro – que não estava em boa posição para emitir opinião acerca da jogada.

Ao retornar, antes de apontar para a marca do pênalti, Orosco fez um gesto com os braços e com as mãos similar ao que os árbitros fazem depois de consulta ao VAR.

Só que o Campeonato Boliviano não usa o VAR, muito possivelmente por falta de verba para implantar o aparato tecnológico necessário para seu funcionamento. Ou seja, não há na lateral do campo o monitor para verificação das dúvidas.

Foi a deixa para que a revolta se instaurasse entre jogadores e comissão técnica do Bolivar. Com razão.

Se não há VAR, mas Orosco agiu como se sua decisão tivesse sido tomada depois de consulta ao replay do lance, fica a nítida impressão de que alguém com acesso às imagens contatou a equipe de arbitragem para avisar que a bola tocou no braço do atleta do Bolivar.

Não vejo outro jeito de o árbitro ter mudado seu veredicto.

Nas regras do futebol não há nada que verse sobre interferência externa nas decisões do árbitro, mas, caso venha a ocorrer, é indecoroso.

Enviei mensagem à Federação Boliviana de Futebol pedindo esclarecimento sobre o caso e questionando por qual razão Orosco modificou sua marcação. Não houve resposta.

Nesta segunda (5), em entrevista à rádio ATB, de La Paz, o árbitro declarou ter sido mal interpretado.

“Em nenhum momento fiz um sinal de VAR. Usei a linguagem corporal para que todos soubessem que, se evidentemente houve um toque na mão, deveria ser penalizado. O regulamento faculta o uso da linguagem corporal.”

Acredite quem, e se, quiser.

Em tempo: E o pênalti polêmico, cobrado mais de dez minutos depois de ter sido marcado? Foi convertido? Não. O uruguaio William Ferreira acertou a trave, e o Always Ready perdeu a partida.

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