Time inglês usa camisa com ‘faixa de miss’, e federação e torcida chiam

Último colocado na última Premier League (a elite do Campeonato Inglês), com míseras três vitórias em 38 rodadas, o Huddersfield é hoje o time da segunda divisão com mais cartaz.

Não por ter feito grandes contratações ou por ter aplicado goleadas em suas partidas na pré-temporada.

A razão está no uniforme da equipe do centro-norte da Inglaterra utilizado na quarta (17), em amistoso diante do Rochdale, da terceira divisão.

Os jogadores entraram em campo exibindo camisa com uma destacada faixa diagonal, contendo em seu interior o nome do patrocinador, a Paddy Power.

A empresa, uma casa de apostas irlandesa, havia acertado o patrocínio com o clube dois dias antes.

O impacto negativo foi grande. Nem a torcida do Huddersfield nem a FA (federação inglesa) gostaram.

Os torcedores da equipe presentes no amistoso cornetaram, desgostosos com o que viram.

O tabloide The Sun publicou alguns comentários, entre revoltados e irônicos, feitos por fãs do Huddersfield nas redes sociais.

“Parece uma despedida de solteira patrocinada.” “Espero que seja uma piada. É absolutamente horroroso.” “Podem colocar o nome do patrocinador um pouquinho maior, por favor?”

Li em algum lugar, não me recordo qual, que os jogadores pareciam trajar uma faixa similar às usadas pelas misses em concursos de beleza. Ótima comparação.

A FA também ficou incomodada e pediu ao Huddersfield que lhe enviasse um exemplar do uniforme, a fim de verificar se o espaço ocupado pela propaganda, que deve ter no máximo 250 centímetros quadrados, não desrespeitava regra da federação. Se isso ocorreu, o clube será multado.

Até um representante do Parlamento britânico, o conservador Damian Collins, comentou o episódio, ao jornal Daily Mail: “Horrível e inapropriado. Espero que a FA tome providências”.

Com o capitão Schindler à frente, o Huddersfield entra em campo para amistoso contra o Rochdale (Reprodução – 17.jul.2019/Facebook do Huddersfield Town)

A direção do Huddersfield, entretanto, não pareceu preocupada com a chiadeira.

“Optamos por um visual moderno. O logo na faixa é realmente atraente e ajuda a manter nossa reputação de sermos inovadores”, declarou o diretor comercial Sean Jarvis em comunicado emitido pela Paddy Power.

Após me deparar com esse caso, pensei prontamente: “Está com todo o jeito de ser uma tremenda jogada de marketing”.

E a conclusão é que foi mesmo, na linha do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

Horas depois da grande repercussão na mídia, a empresa se pronunciou. E deu a versão de que tudo não passou de uma pegadinha com o intuito de estimular uma cruzada para, pasme!, uniformes mais limpos, com menos patrocinadores.

“A publicidade nas camisas de futebol foi longe demais”, declarou Victor Cocoran, diretor administrativo da Paddy Power, que mencionou a campanha Preserve Nossa Camisa. “Entendemos que há lugar para patrocínios no futebol, mas a camisa deveria ser sagrada.”

Acredite se quiser, nesta sexta (19) o Huddersfield relançou o uniforme para a temporada 2019/2020, totalmente limpo, sem uma única marca estampada nele. E será assim que o time atuará nos próximos meses – se o patrocinador não mudar de ideia, lógico.

Fora do uniforme, a Paddy Power usará outros espaços para ter visibilidade, como placas de publicidade no estádio John Smith.

Em relação às camisas com a “faixa de miss”, elas devem ir a leilão para arrecadar fundos para caridade.

De acordo com Jarvis, o dirigente do clube, houve produção em pequena quantidade, algumas dezenas. E ele acredita que haverá grande interesse nelas, devido à fama instantânea.

“É irônico que, de uniforme odiado no lançamento, ele passe a ser o mais cobiçado. Todos o querem para a posteridade.”

Será? A camisa não deixou de ser medonha, mas, sim, tem seu valor por ser personagem central de mais uma história pitoresca do futebol.