Real Madrid se dá ao luxo de recusar quase R$ 800 milhões por jogador

Dinheiro não é tudo, já escutei muito na vida. Concordo com essa sentença, apesar de ter a certeza de que, mesmo não sendo tudo, a maioria das pessoas dá um valor paquidérmico ao dinheiro.

O porquê é um tanto óbvio. Com dinheiro faz-se o básico para viver: come-se, bebe-se, veste-se, mora-se.

Ter mais ou ter menos exerce diferença nesse básico. Asseguro que com mais dinheiro come-se melhor, bebe-se melhor, veste-se melhor, mora-se melhor. E vice-versa.

Ter mais dinheiro permite também regalias materiais e/ou realizações pessoais: ter um carro ou fazer uma viagem, por exemplo.

No futebol, o que significa ter mais dinheiro, quando se fala de um clube?

Montar um time melhor, seguramente, pois é possível contratar os melhores jogadores, pagando fortunas para tê-los e também para mantê-los, já que quase sempre eles exigem salários astronômicos.

Além disso, tendo dinheiro sobrando, o clube pode se recusar a negociar determinado atleta, por mais que outro clube esteja disposto a pagar uma exorbitância.

É o caso do Real Madrid.

O gigante espanhol, que de acordo com a consultoria Deloitte teve uma receita de 750,9 milhões (R$ 3,3 bilhões) em 2017/2018, está em condição de esnobar quando o assunto são finanças.

É o que se conclui quando se trata de Marco Asensio.

De acordo com Horacio Gaggioli, empresário do atacante espanhol de 23 anos, o Real fechou as portas para propostas por seu cliente que, nos últimos meses, chegaram a 180 milhões (R$ 793 milhões).

Foi por esse valor que o Paris Saint-Germain tirou, na metade de 2017, Mbappé, também atacante, do Monaco. É até hoje a segunda maior quantia paga por um futebolista, atrás apenas dos € 222 milhões gastos pelo PSG para tirar Neymar do Barcelona.

Detalhe: Mbappé, reconhecidamente um potencial fenômeno, posteriormente campeão mundial com a França (em 2018, na Copa da Rússia), tinha então 18 anos.

Ou seja, Mbappé valia o mesmo preço que pagariam recentemente por Asensio, mesmo sendo cinco anos mais jovem.

O PSG pagou € 180 milhões pelo francês Mbappé; o espanhol Asensio vale o mesmo? (Franck Fife – 13.set.2018/AFP)

Supondo que o agente Gaggioli, que se reportou à ESPN, esteja falando a verdade – Liverpool e Juventus seriam os interessados em despejar o caminhão de dinheiro em Madri –, parece um absurdo o Real Madrid manter Asensio em suas fileiras.

Não só parece. Para qualquer um que seja sensato, mesmo sendo milionário ou bilionário, é.

Promissor nas duas temporadas anteriores pelo Real, na atual Asensio não rendeu, tanto que passou parte do tempo na reserva do teen brasileiro Vinícius Júnior, recém-chegado à Espanha.

Nos 40 jogos em que esteve em campo desde agosto (incluindo Campeonato Espanhol, Copa do Rei, Supercopa da Europa, Champions League e Mundial de Clubes), anotou seis gols. Sua média, pífia para um atacante, é de 0,15 gol por partida – ou um balançar de rede a cada 7 jogos.

Nas assistências (passes que resultam em gol), ele também não empolga: cinco nos mesmos 40 jogos.

A queda de rendimento de Asensio, segundo Gaggioli, deve-se a uma piora do Real Madrid como um todo nos últimos meses – o clube foi eliminado na Liga dos Campeões e na Copa do Rei e está alijado da disputa pelo título do Espanhol.

“É difícil manter o nível individual se a equipe não está jogando bem, não importa quem você seja. Pode ser até mesmo Lionel Messi ou Diego Maradona.”

É um argumento a ser considerado, mas a meu ver, exposto o atual momento de Asensio, é um tremendo luxo recusar quase R$ 800 milhões para ficar com ele – tendo ainda o ônus de pagar-lhe um salário de cerca de R$ 1,6 milhão por mês.

É um absurdo, enfatizo.

Mas não para o Real.

Afinal, ostentar não é para quem quer, é para quem pode.

E o opulento, o abastado, o fausto Real Madrid pode.

Em tempo 1: O absurdo multiplica-se em euros ao se fazer a comparação com 2015, quando o Real Madrid contratou Marco Asensio do Mallorca. Pagou € 3,5 milhões. Se o vendesse por € 180 milhões, arrecadaria 51 vezes esse valor.

Em tempo 2: Tão ou mais absurdo que a recusa do Real é haver alguém disposto a pagar € 180 milhões por Asensio. Não vale um décimo disso.