Goleiro criticado por Elton John manda recado antes de final

O inglês Ben Foster não entrará para a história como um dos melhores goleiros do futebol, mesmo tendo defendido, em oito oportunidades, a seleção de seu país e até atuado em um dos jogos do English Team na Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Hoje com 36 anos, ele teve a grande chance na carreira ao chegar ao poderoso Manchester United em 2005, aos 22 anos.

Não ganhou espaço de imediato, sendo emprestado ao pequeno Watford e regressando só um bom tempo depois. Veio a ter oportunidade na equipe dirigida pelo lendário Alex Ferguson em 2008, impressionando no início porém nublando as boas atuações com falhas retumbantes e recorrentes na temporada 2009-2010.

Restou-lhe deixar o clube e se aventurar em equipes modestas, primeiro no Birmingham, rebaixado para a segunda divisão em 2011, depois no West Bromwich, que seguiu o mesmo caminho em 2018.

Na passagem pelo West Brom (2011-2018), Foster conseguiu criar uma imagem de goleiro adequado, o que, aliado à experiência, rendeu-lhe a permanência na elite da Inglaterra.

Regressou ao Watford, que na atual temporada, treinado pelo espanhol Javi Gracia, surpreendeu ao fazer boa campanha na Premier League (é o atual sétimo colocado) e, mais que isso, chegar à decisão do mais antigo torneio de futebol entre clubes, a Copa da Inglaterra (FA Cup), disputada desde 1871.

É um dos maiores feitos do Watford, fundado em 1898. O mais próximo que o clube chegou de conquistar um torneio de primeira linha foi em 1984, justamente a FA Cup, mas perdeu na final para o Everton.

Ou seja, de goleiro dispensado sem dó pelo Man United há quase uma década, Foster pode ficar eternizado na história do clube da Grande Londres no dia 18 de maio, um sábado, data da final no estádio de Wembley.

O desafio será hercúleo, já que o rival é o Manchester City, atual campeão inglês, comandado pelo badalado Pep Guardiola e com jogadores como Agüero (seleção argentina), Ederson, Fernandinho e Gabriel Jesus (seleção brasileira), Walker, Stones e Sterling (seleção inglesa), Bernardo Silva (seleção portuguesa), Gundogan e Sané (seleção alemã), Kompany e De Bruyne (seleção belga).

Para encarar esse amargo confronto, Foster espera contar com o apoio incondicional de todos os torcedores do Watford, inclusive do mais famoso de todos: Elton John.

Elton John se apresenta no Radio City Music Hall, em Nova York; popstar inglês é o mais famoso torcedor do Watford (Mike Segar – 2.mar.2016/Reuters)

Sabedor de que o célebre cantor e pianista – que interpreta hits como “Your Song”, “Rocket Man” e “Crocodile Rock” – tem um show de sua última turnê mundial agendado na Dinamarca para o mesmo dia da decisão, Foster foi incisivo no recado ao compatriota.

“Não há dilema. Ele deve cancelar [a apresentação] agora”, declarou o arqueiro depois da vitória de sábado (20) sobre o Huddersfield no Inglês.

“Conheço um monte de gente que tem casamento nesse dia [18 de maio] e coisas assim. É culpa deles. Não se marca casório no dia de final de Copa. Então, Elton, diga ‘desculpe, pessoal’ e cancele.”

Isso pode acontecer?

Particularmente, acho que não, mesmo Elton John tendo sido presidente do Watford nos anos 1970 e início dos anos 1980, mesmo tendo sido dono do clube de 1976 a 1987 e de 1997 a 2002, mesmo sendo presidente de honra do time, mesmo dando nome a um dos setores em que ficam os torcedores no Vicarage Road, o estádio da equipe que comporta 21,5 mil pessoas.

Mas não só porque há um show agendado e porque não pegaria bem junto a seus fãs desmarcá-lo. Isso talvez seja o de menos, pois o septuagenário Elton John deve saber que, se o Watford demorar outros 35 anos para jogar uma final, ele não estará vivo para ver.

O que pega é que o popstar, meses atrás, precisamente em novembro, pediu ao diretor-executivo do clube, Scott Duxbury, que contratasse um outro goleiro – Tom Heaton, do Burnley – para ser titular do time.

“Foster não é consistente”, escreveu Elton John, de acordo com Duxbury, que declarou ao jornal Financial Times receber mensagens do astro da música “diariamente”.

O dirigente não acatou o pedido, o que se mostrou uma decisão acertada, pois Foster fez/faz temporada decente.

Dado o atual cenário, Elton John mudou de ideia? Passou a se contentar com Foster? Enterrou em pouco tempo a imagem depreciativa que tinha do guarda-metas?

Não acho que isso ocorra tão rapidamente. Assim, se comparecer a Wembley para a final, Elton John terá de certa forma dado as mãos à palmatória. Dar-se por vencido em relação ao que falou de Foster.

E, indo além, correr dois riscos.

O primeiro, caso o Watford ganhe, ouvir de Foster depois do jogo um desabafo, já que certamente chegou aos ouvidos do goleiro a informação de que o cantor não confiava nele. “Houve quem disse que eu não era consistente. Ofereço este título a essa pessoa”, poderá declarar o jogador, irônico.

O segundo, caso o Watford perca, amargar a derrota em si, depois de quiçá se deparar com a inconsistência que ele acreditava que Foster tinha. E ainda ficar com fama de pé-frio.

Foster não vê dilema para Elton John. Mas ele há: ir ou não ir?, eis a questão.

Esse dilema passa ainda por um ingrediente extra. Não há como saber se Foster será ou não titular no dia 18 de maio.

Nos cinco jogos do Watford nesta Copa da Inglaterra, quem jogou foi o brasileiro Gomes (ex-Cruzeiro, ex-PSV Eindhoven, ex-Tottenham), veterano de 38 anos, reserva de Júlio César na Copa do Mundo de 2010.

Nesse cenário, a lógica indica que Gomes jogará. Mas a lógica nem sempre impera. O exemplo mais recente quem dá é o Man City, rival do Watford nessa decisão.

Na Copa da Liga Inglesa 2018-2019, Guardiola escalou em cinco jogos o suíço-kosovar-montenegrino Muric, reserva de Ederson. No jogo decisivo, contra o Chelsea, no fim de fevereiro, quem foi o escolhido? O brasileiro.