Jogadores do Milan são multados por exibir camisa de rival como troféu

O volante francês Bakayoko, de 24 anos, e o meia marfinense Kessié, de 22, ambos do Milan, receberam uma multa da Federação Italiana de Futebol por exibir como um troféu a camisa de Acerbi, de 31 anos, zagueiro da Lazio, para a torcida da equipe de Milão depois do jogo de sábado (13) entre as equipes.

Antes da partida, o jogador do time romano afirmara que não havia comparação entre os clubes, passando a mensagem de que a Lazio era muito superior ao Milan, mesmo estando atrás três pontos na tabela do Campeonato Italiano.

Em campo, o Milan, que atuou em casa, deu a resposta com uma vitória por 1 a 0, gol de pênalti batido por Kessié aos 34 minutos do segundo tempo.

Encerrado o duelo, Acerbi decidiu trocar a camisa com Bakayoko, que pertence ao Chelsea e joga pelo Milan por empréstimo, para “dar um ponto final” a qualquer rixa existente.

De posse da vestimenta de número 33, a dupla Bakayoko-Kessié dirigiu-se aos torcedores do Milan do estádio San Siro e a expôs, parecendo fazer chacota do adversário – que ficou furioso com essa atitude.

O par milanês desculpou-se posteriormente, justificando ter sido nada além de uma brincadeira, porém a federação italiana não se convenceu.

A multa aplicada é de € 86 mil (R$ 380 mil), sendo € 33 mil para cada um dos atletas e € 20 mil para o clube. De acordo com o site italiano Calciomercato, o Milan não recorrerá.

O valor da sanção seria o triplo, mas houve um abatimento porque a agremiação aceitou fazer o pagamento de imediato.

“Muito se falou sobre esse incidente. Agimos errado e nos desculpamos. Não podemos fazer mais que isso”, declarou Gennaro Gattuso, o treinador do Milan.

O caso teve a repercussão amplificada devido a parte da torcida da Lazio, equipe que tem historicamente fãs com comportamento racista, entoar na partida de quarta (17), contra a Udinese, em Roma, cânticos ofensivos a Bakayoko.

Um vídeo mostra torcedores dizendo: “Esta banana é para Bakayoko”. A comparação, que nem precisaria ser explicitada, é com um macaco. Ato repulsivo e condenável.

Na Itália, torcedores de outros clubes, como Inter de Milão e Cagliari, também fizeram nesta temporada ofensas racistas a jogadores negros, entre eles o lateral Alex Sandro, da Juventus e da seleção brasileira.

A Liga Série A, que organiza o Italiano, declarou, por meio de um porta-voz, “não ser aceitável escutar ataques verbais intolerantes em nossos estádios” e que “fará tudo o que estiver ao alcance para supervisionar e prevenir incidentes similares”.

A intenção é o passo inicial, porém apenas a prática tem o poder de resolver.

Partidas com portões fechados foram e têm sido estratégia de punição. Se é medida justa, cabe discussão – afinal, todos os torcedores são castigados (no caso, com o impedimento de assistir a jogos) devido à conduta de alguns.

Minha proposta: as autoridades devem se capacitar, com o auxílio dos clubes ou não, para, com o uso de câmeras, identificar os agressores verbais e gestuais e, além de devidamente multá-los, afastá-los um longo período (vários meses) das arenas futebolísticas, por meio de mecanismos de monitoramento desses indivíduos nos dias de jogos.

Isso feito com recorrência, é possível que sirva de exemplo para que outros torcedores racistas contenham a ânsia de sua intolerância, sob o risco de ter o bolso e o livre ir e vir atingidos.

Em tempo: A questão das injúrias raciais, persistente no futebol, deflagrou um movimento que partiu da Associação de Jogadores Profissionais do Reino Unido. Com o objetivo de protestar contra o frágil monitoramento das redes sociais (Twitter, Facebook, Instagram) em relação a postagens de cunho racista, a associação pediu aos futebolistas que as boicotassem por 24 horas, deixando de publicar conteúdo. O período de boicote teve início na manhã desta sexta (19) e contou com o apoio da Fifa e de nomes como Rashford (Manchester United), Wijnaldum (Liverpool), Iwobi (Arsenal), Bale (Real Madrid) e Beckham (ex-seleção inglesa, aposentado desde 2013). Os três primeiros são negros, e os dois últimos, brancos.