Time chinês ameaça demitir jogador que quebrou perna de rival

Um dos times mais fortes da China, tendo sido heptacampeão nacional de 2011 a 2017, o Guangzhou Evergrande decidiu suspender um de seus jogadores, o atacante Wei Shihao, por um mês.

O motivo: jogo violento.

Na segunda (25), em jogo pelo torneio quadrangular batizado de Copa China, quando Wei defendia a anfitriã seleção chinesa contra o Uzbequistão, ele deu uma entrada muito dura, por trás, em Otabek Shukurov, e o adversário teve fratura na tíbia.

Foi aos 36 minutos do primeiro tempo, e o árbitro Mohammed Al Shummari, do Qatar, deu apenas um cartão amarelo para o chinês. Era caso claríssimo de expulsão.

Em comunicado nesta quarta (27), o Guangzhou Evergrande, que já foi treinado por Luiz Felipe Scolari, explicou que a punição deve-se a Wei ter violado “as novas regras do clube para administrar melhor os jogadores”.

“Temos altas exigências em relação a nossos atletas”, frisa o texto do clube.

As frases são um eufemismo para declarar que a agremiação desaprova veementemente o que o jogador fez na partida disputada em Nanning.

O Guangzhou Evergrande expressou não descartar o desligamento do atleta de 23 anos, que emitiu um pedido de desculpa depois de visitar Shukurov no hospital.

“Sinto muito. Não esperava que minha tentativa [de marcar o oponente] fosse causar uma lesão tão séria”, declarou, para em seguida disparar uma obviedade. “As pernas são muito importantes para o jogador de futebol, e ninguém que machucar o outro.”

Ele disse ter ficado abalado com a grave contusão do uzbeque. “Fiquei um tempão sem tocar na bola depois da falta.”

O italiano Fabio Cannavaro, técnico da seleção chinesa, saiu em defesa de Wei Shihao (25.mar.2019/AFP)

Fabio Cannavaro, treinador tanto do Guangzhou Evergrande como da seleção da China, defendeu o atacante.

“Wei não é um rapaz mau. Sua dedicação e avidez por vencer o jogo provocaram o incidente”, afirmou o ex-zagueiro Cannavaro, capitão da seleção italiana campeã na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.

Por mais que Wei se desculpe, a imprudência deve ser combatida e castigada.

Todo jogador, ao avançar por trás contra um adversário na tentativa de marcá-lo, sabe que há enorme risco de machucá-lo seriamente. É quase um ato de covardia.

Em casos como esse, em que um jogador impede, com uma atitude violenta, um outro de exercer a profissão, eu defendo institucionalizar o seguinte: que o agressor permaneça afastado do esporte até que o agredido possa voltar à atividade.

Não importa quanto tempo. Podem ser dias, semanas ou meses.

É a mais justa punição. Que faria muitos e muitos atletas pensarem mil vezes antes de, intencionalmente ou não, dar o famigerado carrinho por trás.

Em tempo: A China ficou em último no quadrangular disputado na data Fifa. Perdeu tanto da Tailândia como do Uzbequistão por 1 a 0. O campeão foi o Uruguai, que depois de superar por 3 a 0 o Uzbequistão, aplicou nova goleada, por 4 a 0, na Tailândia. Isso sem Suárez e sem Cavani, os atacantes titulares, não convocados dessa vez. Reserva, o flamenguista De Arrascaeta entrou no segundo tempo contra os tailandeses e deu a assistência para o terceiro gol.