Na data Fifa, é hora de ver a ressuscitada Holanda

Na primeira data Fifa de 2019, que começou nesta quarta (20) e prosseguirá até a próxima terça (26), as atenções estarão voltadas para a Holanda.

Desde os anos 1970 festejada por seu futebol ofensivo e vistoso, a Laranja Mecânica busca dar consistência a uma reviravolta que se fazia mais do que necessária depois de dois fiascos pós-Copa do Mundo de 2014, quando destacou-se e ficou em terceiro lugar no Brasil.

O primeiro fracasso: a não classificação para a Eurocopa de 2016, na França. Ficou atrás, em seu grupo, de República Tcheca, Islândia e Turquia.

O segundo fracasso: a não classificação para o Mundial de 2018, na Rússia. França e Suécia se posicionaram à frente no grupo.

Uma sequência tão ruim de ausências das principais competições não era vista desde a década de 1980, quando ficou fora das Copas do Mundo de 1982 e 1986 e da Eurocopa de 1984.

O desalento tomou conta de tal forma dos holandeses que se passou a questionar quanto tempo o treinador Ronald Koeman, que assumiu no início do ano passado o lugar de Dick Advocaat com a tarefa de resgatar a imagem do futebol de seu país, precisaria para obter sucesso – se é que conseguiria.

A reação, surpreendentemente, ocorreu mais rápido que o imaginado.

Na Liga das Nações, nova competição entre seleções da Europa, a Holanda, no chamado grupo da morte, superou as duas últimas campeãs mundiais (Alemanha, em 2014, e França, em 2018) e avançou para a fase final, que será disputada em junho em Portugal.

A classificação, aliás, no dia 19 de novembro, teve contornos heroicos.

A equipe perdia por 2 a 0 para a Alemanha, como visitante, até os 40 minutos do segundo tempo, resultado que classificava a França. Mas, com gols do atacante Promes e do zagueiro Van Dijk, aos 45 minutos, empatou e ficou com a vaga.

Sem surpresa, Koeman (que foi ótimo zagueiro da seleção holandesa e do Barcelona) convocou agora 22 dos 23 jogadores relacionados para o histórico jogo contra os alemães.

O treinador da Holanda, Ronald Koeman, dá entrevista em Zeist, onde sua seleção se preparou para a partida contra Belarus (Koen van Weel – 18.mar.2019/AFP)

Os holofotes sobre a Holanda ganham ainda mais força devido ao recente desempenho do Ajax, que com um futebol lépido eliminou o papão Real Madrid da Liga dos Campeões.

Integram esse Ajax quatro dos convocados por Koeman, três deles ainda bem jovens, todos com status de titular na Laranja: o zagueiro-lateral Blind (29 anos), o meia-atacante Van de Beek, o volante Frenkie de Jong (ambos 21) e o zagueiro De Ligt (19).

De Jong já é jogador do Barcelona (se apresentará no meio do ano), e Van de Beek e De Ligt (que apesar de ainda teen já é o capitão do Ajax) devem a curto prazo deixarem seu país rumo a uma liga mais prestigiada e endinheirada (Espanha, Alemanha, Itália ou Inglaterra).

O desafio da Holanda na tentativa de manter-se em alta, entretanto, é de proporção maior a partir de agora, com a disputa das eliminatórias para a Eurocopa de 2020.

Na Liga das Nações, foram apenas quatro jogos, de ida e volta, contra franceses e alemães. Tiro curto, que não permite uma conclusão definitiva.

O capitão da Holanda, Virgil van Dijk, comemora gol de empate contra a Alemanha na Liga das Nações; jogo em Gelsenkirchen terminou 2 a 2 (John MacDougall – 19.nov.2018/AFP)

Na eliminatórias para a Euro, a Holanda jogará o dobro de vezes (oito), também em ida e volta, contra Belarus, Estônia, Irlanda do Norte e Alemanha.

Sim, os holandeses terão de mais uma vez se provar diante dos atualmente claudicantes alemães, que em amistoso nesta quarta, contra a Sérvia, em Wolfsburg, ficaram no 1 a 1.

Nesta quinta (21), em Roterdã, às 16h45 (horário brasileiro), o oponente holandês é a ex-república soviética Belarus, e a obrigação, diante de um time muito inferior no papel, é ganhar bem.

Também às 16h45, no domingo (24), no embate mais esperado desta data Fifa, o adversário é a Alemanha, no estádio Johan Cruyff, em Amsterdã, mesmo palco em que os holandeses golearam por 3 a 0 os germânicos cinco meses atrás.

Em tempo: Além da Holanda e de Belarus, outras 18 seleções dão a largada nesta quinta nas eliminatórias da Euro 2020, competição que não terá um país-sede nessa edição. Em comemoração aos 60 anos do torneio, os jogos serão realizados em 12 cidades de 12 nações.