Em vez dos melhores do ano, os melhores do fim do ano

Com a proximidade do final de 2018, pensei em apresentar neste espaço, como fiz em outubro do ano passado, uma escalação com os melhores jogadores do ano.

Pensei e desisti.

Recorrendo a um velho chavão, “futebol é momento”, considero mais pertinente relatar quais futebolistas estão em alta agora, quais entrarão em 2019 “na crista da onda” (expressão utilizada em alusão ao bicampeão mundial de surfe Gabriel Medina).

Fã que sou do futebol megaofensivo (desculpem-me os Mourinhos de plantão), usarei a exclusiva e inovadora formação 4-1-1-2-2, com quatro atrás (dois laterais apoiadores e dois zagueiros), um volante, um meia, dois meias-atacantes e dois atacantes (um deles, centroavante).

Goleiro – Alisson (Brasil/Liverpool, 1,91 m, 26 anos)

Não sou um superfã do titular da seleção brasileira – inspira-me menos confiança que o corintiano Cássio, por exemplo –, mas a espetacular defesa contra o Napoli que classificou o Liverpool para os mata-matas da Liga dos Campeões da Europa, somada à liderança do Campeonato Inglês, com só sete gols sofridos em 19 partidas, o deixam à frente de outros guarda-metas.

Supera Oblak (Atlético de Madri) e Courtois (Real Madrid).

Lateral direito – Kimmich (Alemanha/Bayern, 1,76 m, 23 anos)

A regularidade do sucessor do memorável Philipp Lahm no clube alemão impressiona. Tem um excelente senso de posicionamento, é rápido, apoia constantemente, aparece frequentemente na área adversária e é preciso nos passes – são sete assistências na atual Bundesliga.

Supera Alexander-Arnold (Liverpool) e Meunier (Paris Saint-Germain).

Joshua Kimmich, do Bayern de Munique, festaja gol na Liga dos Campeões (Kerstin Joensson – 25.abr.2018/Associated Press)

Zagueiro – Sergio Ramos (Espanha/Real Madrid, 1,84 m, 32 anos)

A liderança é, não de hoje, a maior qualidade do capitão do Real Madrid. Desgosto do jogo demasiado viril (violento até) de Ramos, o que o torna figura fácil em qualquer lista de atletas “bad boys” – porém, para muitos, em um zagueiro isso é qualidade.

Ele é também – e, de novo, não é de hoje – um perigo para os rivais nas bolas aéreas (fez gol de cabeça na decisão do Mundial de Clubes, no domingo passado) e, desde a saída de Cristiano Ronaldo, o batedor oficial de pênaltis do Real.

Supera Varane, seu colega de time, e Piqué (Barcelona).

Zagueiro – Van Dijk (Holanda/Liverpool, 1,93 m, 27 anos)

Ao lado do zagueiro mais caro do mundo (o Liverpool pagou ao € 84,5 milhões ao Southampton por ele) parece que qualquer um joga bem. Isso em um time que até o ano passado era criticado pela constante debilidade defensiva.

Van Dijk é sóbrio, sério e, mesmo não sendo veloz, dificilmente perde uma disputa – geralmente consegue antever o que o atacante pretende fazer a se antecipa. Com ele, que a exemplo de Sergio Ramos é ótimo no jogo aéreo, o Liverpool ganha confiança para ganhar pela primeira vez desde 1990 o Campeonato Inglês.

Ainda fez gol decisivo, contra a Alemanha, que classificou a Holanda para a fase final da Liga das Nações.

Supera Godín (Atlético de Madri) e os sempre competentes (quaisquer sejam eles) beques da Juventus.

Lateral esquerdo – Marcelo (Brasil/Real Madrid, 1,74 m, 30 anos)

É sempre uma alegria ver Marcelo, neste mês campeão mundial com o Real Madrid (mais uma vez, a quarta em cinco anos), jogar. Ele está longe de ser um primor na marcação, mas os predicados ofensivos são tão espetaculares que eventuais deficiências atrás ficam esquecidas. Não se cansa de deixar companheiros em situações claras de gol e não deixa de fazer os seus com alguma assiduidade – inclusive com o pé direito, que não é o bom. Supera Alex Sandro (Juventus) e Jordi Alba (Barcelona).

Abraçado por Modric, Marcelo celebra em Abu Dhabi a conquista do quarto título mundial do Real Madrid em cinco anos (Suhaib Salem – 22.dez.2018/Reuters)

Volante – Kanté (França/Chelsea, 1,68 m, 27 anos)

O diminuto jogador (baixinho em comparação com a maioria dos colegas de profissão) se agiganta em campo: é um motorzinho que funciona sem descanso durante todo o tempo de bola em jogo.

Quando menos se espera, ele surge num piscar de olhos para roubar a redonda de um oponente e iniciar o contra-ataque – às vezes ainda surge como elemento-surpresa no ataque.

Supera Casemiro (Real Madrid), que teve uma lesão que o afastou dos gramados nas últimas semanas.

Meia – Modric (Croácia/Real Madrid, 1,72 m, 33 anos)

É verdade que no período pós-Copa, depois de ter liderado a vice-campeã Croácia, Modric caiu muito de produção, porém voltou a atuar bem neste mês, no Mundial nos Emirados Árabes, coordenando as ações no meio-campo com a renomada categoria e tendo feito o primeiro gol do Real na goleada por 4 a 1 sobre o Al Ain na final, em belo chute de canhota da entrada da área.

Fecha por cima o ano em que, um baita feito, desbancou nas premiações mundiais do futebol (The Best e Bola de Ouro) os “extraterrestres” Messi e Cristiano Ronaldo.

Supera o compatriota Rakitic (Barcelona).

Meia-atacante – Messi (Argentina/Barcelona, 1,70 m, 31 anos)

Messi deixou faz um tempinho de ser um atacante puro (no Barcelona quem faz essa função é Suárez) para se dedicar à arte de armar – a visão de jogo do cracaço argentino é invejável (uma das mais acuradas de todos os tempos).

Isso sem deixar de ser o artilheiro de sempre – é o principal goleador do Campeonato Espanhol, liderado pelo Barça, com 15 gols em 15 partidas, e o vice-artilheiro da Champions League, com seis gols em quatro jogos – mais que ele, só Lewandowski, do Bayern (oito gols em seis jogos).

Supera Neymar (PSG), atualmente também atuando como meia-atacante.

Messi vibra após fazer gol contra o Espanyol (Albert Gea – 8.dez.2018/Reuters)

Meia-atacante – Reus (Alemanha/Borussia Dortmund, 1,80 m, 29 anos)

Muito da liderança do Borussia Dortmund no Campeonato Alemão deve-se à estupenda fase de Reus, seu capitão.

Vítima ao longo da carreira de lesões – uma o deixou fora da Copa de 2014, no Brasil –, ele está faz alguns meses imune a elas. Resultado: soma 11 gols e cinco assistências na Bundesliga e lidera um ataque poderoso (44 gols em 17 partidas) que tem ainda Sancho, Götze, Alcácer e Pulisic.

Supera Hazard (Chelsea) e Felipe Anderson (West Ham).

Atacante – Salah (Egito/Liverpool, 1,75 m, 26 anos)

Uma pena enorme que Mo Salah tenha chegado ao Mundial russo longe das melhores condições, vítima que foi, cerca de três semanas antes, de uma contusão no ombro ocasionada em jogada com Sergio Ramos, do Real Madrid, na decisão da Champions League.

O treinador do Liverpool, Jürgen Klopp, afirmou nesta semana que a lesão influenciou o início desta temporada do egípcio, que demorou a engrenar – hoje, está voando.

Supera Cristiano Ronaldo (Juventus), Suárez (Barcelona), Griezmann (Atlético de Madri), Bale (Real Madrid) e, por bem pouco, Mbappé (PSG).

Lewandowisk comemora seu gol diante do Hannover, pelo Campeonato Alemão (Odd Andersen – 15.dez.2018/AFP)

Atacante – Lewandowski (Polônia/Bayern, 1,85 m, 30 anos)

O homem de área do momento, “o” finalizador, é Robert Lewandowski. Sua atuação na Copa da Rússia foi decepcionante, mas do fim de novembro até agora balançou as redes sete vezes, no mesmo número de jogos.

Supera Kane (Tottenham), Cavani (PSG), o compatriota Piatek (Genoa), Aubameyang (Arsenal) e Benedetto (Boca Juniors).

Técnico – Luiz Felipe Scolari (Brasil/Palmeiras, 70 anos)

Sim, Felipão, a quem muitos consideravam ultrapassado, merece essa honraria, mesmo não tendo atividade desde o dia 2 deste mês, quando o Palmeiras encerrou sua participação no Campeonato Brasileiro ao derrotar o Vitória por 3 a 2. Pois a transformação que ele fez no decacampeão do Brasileiro é digna de ser registrada e enaltecida.

Assumiu com o time em sexto lugar, na 17ª rodada, a oito pontos do líder São Paulo, em julho, e manteve a invencibilidade dali até o fim da competição (23 partidas, 17 vitórias e seis empates). O título veio contra o Vasco.

Supera Santiago Solari (Real Madrid, campeão mundial), Jürgen Klopp (Liverpool, sete vitórias em sete jogos em dezembro), Massimiliano Allegri (até aqui invicto com a Juventus no Italiano) e Thomas Tuchel (encerra o ano sem derrota com o PSG no Francês).

Torcida do Palmeiras exibe banner de Felipão no estádio do time (Paulo Whitaker – 2.dez.2018/Reuters)

Em tempo: Eis outras formações a serem lembradas em 2018. A seleção do ano da FifPro (sindicado mundial dos jogadores), divulgada no fim de setembro: De Gea; Daniel Alves, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Kanté, Modric e Hazard; Mbappé, Messi e Cristiano Ronaldo. A seleção dos internautas na Copa da Rússia, eleita por votação no site da Fifa: Courtois; Thiago Silva, Varane, Godín e Marcelo; Modric (o mais votado), De Bruyne e Philippe Coutinho (2º mais votado); Mbappé (3º mais votado), Kane e Cristiano Ronaldo. A possível seleção da ESPN, com base na lista “ESPN 100”, feita por 25 especialistas e publicada no início de dezembro, que relacionou os cem melhores do ano (90 jogadores e dez treinadores): De Gea; Carvajal, Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Modric, De Bruyne e Mané; Messi, Kane e Cristiano Ronaldo. Técnico: Guardiola.