Alemanha, ameaçada de rebaixamento na Liga das Nações, torce pela França

A Liga das Nações, competição entre seleções europeias cuja primeira edição está em andamento, vive sua rodada final da fase classificatória.

Além de criar nas Datas Fifa um atrativo para os torcedores que vai além dos muitas vezes insossos amistosos, a Liga das Nações, criada pela Uefa (entidade que comanda o futebol na Europa), oferece uma novidade a mais: o rebaixamento.

Nunca uma seleção correu o risco, comum em campeonatos entre clubes, de passar pela vergonha de cair de divisão. Agora, ele está aí.

São quatro divisões, e na principal Polônia e Islândia, participantes da Copa do Mundo deste ano, na Rússia, já sabem que seu destino na próxima edição da Liga, em 2020/2021, será a Série B.

Ok, essas duas não são seleções de primeira linha. Mas há uma, renomadíssima, que está com a corda no pescoço: a Alemanha.

Campeã mundial em 2014, dona de um dos campeonatos nacionais mais fortes do planeta (a Bundesliga), a Alemanha não depende mais de si para sobreviver na elite.

O sorteio em janeiro criou um grupo da morte, com Alemanha, França e Holanda (Grupo 1). Naquele momento, não se imaginava que os alemães poderiam se dar mal. Eram os holandeses os favoritos a ficar na rabeira.

Só que os meses se passaram, a França ganhou o Mundial, no qual a Alemanha deu vexame, e a Holanda, que não esteve nos gramados russos, reformulou-se.

A situação atual, resultado de três jogos sem vitória, mostra a Alemanha à beira do abismo.

Tanto que o técnico Joachim Löw, ciente da situação delicadíssima, antecipou que, “se formos rebaixados, teremos de aceitar”.

“Não será o fim do mundo. Teremos que jogar em uma divisão inferior em 2020. E poderemos ser promovidos novamente.”

Ele e seus comandados estarão antenados em Holanda x França, nesta sexta (16), em Roterdã, torcendo muito contra o time da casa.

Essa partida, às 17h45 (de Brasília), com transmissão da TNT, concorrerá com Brasil x Uruguai, amistoso que começa às 18h.

Veja razões para assistir ao duelo europeu, e não ao sul-americano.

Mbappé, atacante da França, treina em Clairefontaine com a seleção campeã mundial, que visita a Holanda nesta sexta (Benoit Tessier – 12.nov.2018/Reuters)

Campeã mundial em campo

A atual detentora da Taça Fifa mantém a boa fase quatro meses após superar a Croácia (4 a 2) na final da Copa da Rússia.

Desde então, está invicta. Pela Liga das Nações, empatou (0 a 0, fora) e venceu (2 a 1, em casa) a Alemanha e derrotou (2 a 1, em casa) a Holanda; também empatou (2 a 2, em casa) com a Islândia em amistoso.

Didier Deschamps não terá em Roterdã três titulares da final do Mundial (Pogba, Umtiti e Lucas Hernández), todos lesionados.

Colega de Neymar no ataque do Paris Saint-Germain, o jovem craque Kylian Mbappé, 19, deve começar jogando.

Com um empate, os Azuis (7 pontos) vão às semifinais.

Ressurreição laranja

Sob o comando de Ronald Koeman, ex-zagueiro da seleção e do Barcelona, a Holanda tenta se reerguer após péssimo ciclo, no qual não se classificou para a Eurocopa-2016 nem para a Copa-2018.

Animada com a vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha na rodada anterior da Liga das Nações e com o atacante Memphis Depay, que atua na França (Lyon), em ótimo momento, precisa vencer em casa para se manter viva na competição.

Está com 3 pontos. Ganhando, a seleção que veste laranja visitará a Alemanha já rebaixada, na segunda-feira (19). Nova vitória assegurará vaga nas semifinais, tirando a França.

Uma derrota será péssima não só por perder a chance de passar de fase, mas porque a equipe precisará segurar os alemães para impedir a queda para a Série B – um revés hoje impensável.

Ao lado de Aouar, Depay vibra ao fazer um gol pelo Lyon contra o Hoffenheim em jogo da Liga dos Campeões da Europa, na Alemanha (Kai Pfaffenbach – 23.out.2018/Reuters)

Descenso ou sobrevida

Depois do naufrágio na Copa da Rússia – caiu na primeira fase, com derrotas para México e Coreia do Sul –, a todo-poderosa (ou tida como até pouco tempo) Alemanha vive novo momento de aflição.

Soma somente um ponto em três jogos: 0 a 0 com a França e derrotas por 3 a 0 para a Holanda e por 2 a 1 para a França.

Para não ser rebaixada de divisão no novo torneio entre seleções europeias, torcerá por uma vitória francesa para tentar a sobrevivência na segunda, em Gelsenkirchen, contra a Holanda.

Empate entre França e Holanda não rebaixa os alemães, porém a missão a ser cumprida não será fácil: golear a Holanda – saberá quantos gols de diferença serão necessários só depois do placar da igualdade entre franceses e holandeses.

Em tempo 1: A situação do Grupo 4 da divisão de elite da Liga das Nações, que tem Espanha, Inglaterra e Croácia, ficou interessantíssima depois que os croatas venceram os espanhóis por 3 a 2 nesta quinta (15). Todos têm chance de classificação. A Espanha , que não joga mais, acumula 6 pontos, e Inglaterra e Croácia estão com 4 cada uma. No domingo (18), os ingleses recebem os croatas, e quem ganhar se classifica e rebaixa o rival. A Espanha avança com um empate, resultado que levará os croatas, vice-campeões mundiais, à segunda divisão. 

Em tempo 2: Ainda na primeira divisão, no Grupo 2 a Bélgica joga por um empate em casa contra a Suíça para se classificar às semifinais (a Islândia já caiu), e no Grupo 3 Portugal, ainda com dois jogos a fazer e liderando a chave (6 pontos, contra 4 da Itália e 1 da rebaixada Polônia), é superfavorito para avançar.