Em disputa entre veteranos, Ibra bate Rooney e é estreante do ano nos EUA

Ao se ouvir a palavra “estreante”, pensa-se imediatamente em alguém jovem.

Nos campeonatos de futebol, quando surgem novos nomes, eles podem ter sido alçados das categorias de base.

De uma penca de mancebos, elegem-se alguns para jogar no time principal. Essa é uma opção para a presença de novatos em determinada competição.

Há uma outra, que envolve jogadores mais velhos. Pois esses, ao se transferirem de um país para outro, tornam-se também calouros.

O futebolista pode estar perto de fazer 35 anos, ou mais, que será tão estreante no campeonato quanto um garoto de 18.

Os atacantes Zlatan Ibrahimovic e Wayne Rooney são exemplos. O sueco tem 37 anos, e o inglês, 33.

Em comum aos artilheiros, ambos já ultrapassaram o auge da forma – jogaram muita bola em seus respectivos clubes e seleções.

Ibra passou por Ajax, Juventus, Inter de Milão, Barcelona, Milan, Paris Saint-Germain e Manchester United. Rooney, por Manchester United e Everton.

Rooney e Ibrahimovic, então colegas de time, se abraçam para celebrar gol do sueco em partida do Manchester United contra o Zorya Luhansk na Liga Europa de 2016 (Paul Ellis – 29.set.2016/AFP)

Também em comum, estrearam neste ano na MLS (Major League Soccer), a liga de futebol dos Estados Unidos.

Envoltos em questionamentos (há sempre a premissa de que o veterano que decide atuar nos EUA está em decadência), chamaram a atenção positivamente.

O sueco, famoso pelas declarações personalistas (ele mesmo admite ser arrogante), no Los Angeles Galaxy; o inglês, bem menos egocêntrico, no DC United, de Washington.

Na sua primeira temporada, Ibra marcou 22 gols em 27 partidas e contribuiu com dez assistências.

Logo na primeira apresentação, no dia 31 de março, ele balançou as redes duas vezes na vitória de virada, por 4 a 3, sobre o rival local Los Angeles FC. Um dos gols foi de longa distância, e o outro, em uma cabeçada, o decisivo.

Ao longo do campeonato, Ibra anotou também o seu 500º gol na carreira.

A performance foi suficiente para que ele fosse eleito o estreante do ano, prêmio concedido pela MLS desde 2007, porém insuficiente para que o LA Galaxy obtivesse uma vaga nos mata-matas do campeonato.

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Ibrahimovic, o estreante do ano na MLS, fez 22 gols em 27 jogos (7 deles deram a vitória ao time) e deu 10 assistências (Reprodução/Site da Major League Soccer)

Ibra obteve, na votação de dirigentes e jogadores da MLS e de jornalistas, 36%, superando os 32% de Rooney. O mexicano Carlos Vela (LA FC) ficou em terceiro, com 13,5% das preferências.

O inglês, que só começou a atuar pelo DC United na metade de julho, somou 12 gols e seis assistências em 21 jogos.

No mês passado, seu desempenho em duas partidas foi decisivo para que a equipe avançasse aos playoffs. Marcou dois gols contra o Chigaco (vitória por 2 a 1) e outros dois diante do New York City (triunfo por 3 a 1).

O DC United, no entanto, acabou eliminado na primeira rodada da fase eliminatória, pelo Columbus nos pênaltis, após um 2 a 2 no tempo regulamentar mais prorrogação.

Rooney, desafortunadamente, terminou mal sua boa temporada nos EUA: não só não fez gol no jogo como desperdiçou sua cobrança na disputa de penalidades máximas.

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Rooney reclama em sua partida de estreia pelo DC United, contra o Vancouver (Patrick McDermott – 14.jul.2018/AFP)

Em 2017, o vencedor do prêmio Estrante do Ano na MLS foi o paraguaio Almirón, meia do Atlanta.

Algum jogador que já atuou no Brasil faturou a honraria? Sim. Ex-Botafogo e ex-Corinthians, o meia uruguaio Lodeiro ganhou em 2016, pelo Seattle.

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Em tempo 1: Ibrahimovic foi condecorado também com o prêmio de gol mais bonito de 2018 na MLS, concedido antes de o campeonato terminar – o que para mim não tem lógica. Caso saia um gol ainda mais belo nas semifinais (Atlanta x New York Red Bulls e Portland x Kansas City, sem um único brasileiro em campo) ou na final, farão o quê? No máximo, falar “Oh! Wonderful goal!” (Oh! Que gol maravilhoso!).

Em tempo 2: Dois anos depois de anunciar sua aposentadoria da seleção da Inglaterra, Rooney fará um jogo de despedida do English Team. Será contra os EUA, nesta quinta (15), em amistoso no estádio de Wembley. Maior goleador da história da seleção (53 gols), ele vestirá a camisa com o escudo dos Três Leões pela 120ª vez – à frente dele só o goleiro Peter Shilton (125 jogos).