Maradona sai em defesa de Messi, autoexilado da seleção argentina

Daqui a 12 dias, Brasil e Argentina disputarão um amistoso na Arábia Saudita.

Opa! Uma ótima chance de ver um duelo Neymar x Messi…

Só que não.

Neymar estará presente, caso não sofra nenhuma lesão, mas Messi será uma sentida ausência, mesmo sem ter sofrido lesão alguma.

Cinco vezes o melhor futebolista do mundo, o atacante, gênio da bola, decidiu não defender a seleção de seu país depois do fracasso na Copa do Mundo da Rússia, na qual ele não foi bem e a Argentina caiu nas oitavas de final, 4 a 2 para a França.

Messi, capitão da Argentina na Copa da Rússia, na partida em que sua seleção foi eliminada pela França, nas oitavas de final (Saeed Khan – 30.jun.2018/AFP)

Imagina-se que seja uma posição provisória, já que o astro do Barcelona não se pronunciou sobre o assunto.

O treinador da Argentina, Lionel Scaloni, que substituiu Jorge Sampaoli após o Mundial, crê nessa hipótese e já avisou que a camisa 10 não será usada até a volta da “Pulga” – apelido de Messi. Está guardada para o craque, e só para ele.

Há quem discorde. Não do autoafastamento de Messi, mas da exclusividade da camisa 10 para ele.

E esse alguém não é um alguém qualquer, mas Diego Armando Maradona, apelidado de “El Diez” e dono da camisa 10 da Argentina por 15 anos (1979 a 1994).

“[Scaloni] é um idiota. Se eu saio e dou [a camisa 10] a Messi, Messi teria que dá-la ao garoto que joga de 10”, afirmou o “Pibe de Oro”, hoje treinador do Dorados, da segunda divisão do México, ao Clarín.

Nessa entrevista, publicada pelo jornal argentino nesta semana, ele foi questionado sobre o silêncio de Messi: gostaria que ele tivesse dito algo após a Copa russa?

“Sim, gostaria que tivesse mandado todos à merda. Porque ele não tem culpa de não ser campeão do mundo”, disse Maradona, capitão da Argentina campeã na Copa do México-1986. “Tínhamos esperança nele, mas, quando você vai ao hipódromo, tem esperança de que seu cavalo ganhe, e ele chega em oitavo.”

Na opinião do ex-jogador, Messi não deveria mais vestir a camisa da seleção. “Sempre a culpa é dele. Se a equipe sub-15 perde, é culpa de Messi. Eu lhe diria: ‘Não vá mais, louco’.”

Maradona aproveitou para criticar o presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio Fabian Tapia, afirmando que o cartola, depois de ter tido seu apoio para ganhar a eleição, em 2017, o descartou, não pedindo mais sua opinião. “Para mim [Tapia] morreu.”

E não poupou a própria seleção argentina, para quem sempre torce com fervor. “Não podemos jogar com a Nicarágua, não podemos jogar com Malta [pois há risco de dar vexame]. Estamos jogando na privada todo o prestígio que ganhamos.”

Para Maradona, que não tem papas na língua, falta “paixão” aos seus compatriotas que vestem a camisa azul-celeste e branca.

Paixão que nunca lhe faltou, como jogador ou, após a aposentadoria, como treinador – dirigiu inclusive a seleção argentina na Copa de 2010, na África do Sul.

Atual treinador do Dorados, da 2ª divisão mexicana, Maradona comemora com jogadores do time a vitória por 2 a 0 sobre a Universidad de Guadalajara (Rashide Frias – 29.set.2018/AFP)

É autêntica a emoção que Maradona sente ao se congratular com os jogadores do pequeno e humilde time da cidade de Culiacán, no oeste mexicano.

E diz estar feliz, mesmo longe dos holofotes de um campeonato de elite – o Dorados é o nono colocado entre 15 equipes na Segundona do México.

“Estamos apontando sempre para Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar… Não é necessário ter figuras que ganham milhões de dólares. Quero montar uma boa equipe, que possa lutar para subir [de divisão] e encher nosso estádio [que comporta 20 mil pessoas]. É uma obsessão.”

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