Artilheiro de 1 gol em 1 ano aceita aposta de Salah

A palavra aposta não é bem vista quando relacionada ao futebol. Ela é bastante relacionada a arranjo de resultados.

De tempos em tempos, circulam notícias de grupos de apostadores que tentam seduzir, com altas somas financeiras, futebolistas, treinadores e árbitros, a fim de conseguir o resultado desejado em certa partida.

Pois, esse resultado ocorrendo, renderia farta quantia em dinheiro, obtida por meio de sites que oferecem esse tipo de entretenimento – no Brasil o mecanismo de apostas é proibido, mas há vários países que permitem a prática.

Suspeitas são levantadas, investigações são eventualmente realizadas. Algumas vezes comprova-se que houve manipulação; na maioria, não.

Por isso, quando a palavra “aposta” aparece no noticiário, logo penso que boa coisa não é.

Porém há exceções positivas. Que, aliás, deveriam ser mais frequentes.

Há a aposta saudável, que existiu anos atrás no Brasil, na qual antes de uma partida um jogador de um time desafiava um do outro: quem perdesse compraria determinado número de cestas básicas e as entregaria a pessoas necessitadas.

Além de criar um ambiente de sadia rivalidade, os dois lados seriam vencedores. Um, pela vitória em si; o outro, pelo ato de caridade. Essa aposta, infelizmente, caiu em desuso.

Mesmo sem a filantropia envolvida, há outros tipos de apostas que podem gerar interesse, pois desprovidas de interesses escusos.

É o caso da feita entre o egípcio Mohamed Salah, um dos finalistas do prêmio de melhor do mundo da Fifa neste ano, e o inglês Danny Ings.

Ambos com 26 anos (Salah é um mês e oito dias mais velho), e companheiros de Liverpool até o fim da temporada passada, eles apostaram quem faria mais gols na temporada atual da Premier League (o Campeonato Inglês) por seus respectivos clubes.

O desafio, segundo Ings, partiu do egípcio, que em 2017/2018 anotou 32 gols em 36 partidas da PremierLeague.

O egípcio Salah festeja gol pelo Liverpool diante do Brighton no Campeonato Inglês; no campeonato 2017/2018, ele balançou as redes 32 vezes, um recorde (Peter Powell – 25.ago.2018/Reuters)

Durante o período de intenso brilho de Salah, Ings pouco produziu.

Jogou 14 partidas (começou apenas três) na Premier League. O total de gols: um.

A discrepância nos números não desanimou o inglês, que prontamente aceitou a aposta, feita por Salah via mensagem de texto.

Não haverá ganho material para o vencedor. “Eu não seria estúpido de colocar dinheiro nisso. É só uma brincadeira”, afirmou Ings.

Será uma disputa pelo simples prazer de ver quem pode mais, para poder se gabar: “Sou melhor que você”.

Ings é hoje atleta do Southampton, uma equipe menor, mas que participa da divisão de elite na Inglaterra. Sem espaço no Liverpool (era o segundo reserva de Roberto Firmino), ele optou pela transferência.

Completo azarão no desafio, o centroavante está no páreo, que começou acirrado.

Em quatro partidas na Premier League, Ings fez dois gols. Salah, idem.

Em tempo 1: Ings amargou duas sérias lesões no joelho, nos segundos semestres de 2015 e de 2016, que o fizeram perder praticamente dois anos de futebol. Antes, era o artilheiro do Burnley, e seus gols chamaram a atenção do Liverpool, que o contratou na metade de 2015. Salah chegou apenas em 2017, porém logo ambos ficaram amigos.

Em tempo 2: Registro esta lembrança de garoto, do início dos anos 1980. Antes de um clássico San-São, ouvi no rádio que o volante Chicão e o atacante Serginho Chulapa haviam feito uma aposta. Caso o Santos fosse o derrotado, Chicão perderia seu vistoso bigode. Sendo o São Paulo, Serginho ficaria careca (não era uma cabeleira black power, mas havia certo volume lá). Não me lembrava do resultado do jogo, mas a internet me salvou. O São Paulo ganhou de 3 a 2, com três gols de Serginho, e Chicão teve raspado o bigode, cultivado havia anos, ainda no estádio do Morumbi.