Treinador usa a música para tentar reerguer a Itália

É sabido que a música exerce influência nas pessoas. Tanto nas mais velhas como nas mais novas. Mais em umas que em outras.

Sempre ouvi que música clássica acalma, especialmente os bebês, ajudando-os a ter um sono mais tranquilo. Não sei se é verdade, pois não está, até onde sei, comprovado cientificamente.

Já o rock pesado, pelas letras e pelo ritmo, tendo a concluir, também sem autenticação, que seria um potente estimulante, tornando seus ouvintes bastante ativos, mas não necessariamente mais agressivos.

Por outro lado, há quem considere a música clássica chata ou monótona, portanto desinteressante, e há quem entenda o hard rock como uma tremenda barulheira, uma agressão aos ouvidos, e por isso não apreciável.

Focalizando o futebol, a música pode ser útil? Pode fazer uma equipe ter melhor desempenho?

Roberto Mancini, o treinador da Itália, está certo de que sim.

Ex-atacante da Squadra Azzurra (atuou na Copa do Mundo de 1990), Mancini assumiu a função com o desafio de resgatar a honra da seleção, que não se classificou para o Mundial deste ano, na Rússia.

E uma das estratégias inclui, curiosamente, pela música.

A Itália tem treinado rodeada por caixas de som, das quais saem hits de grupos históricos de rock, como os britânicos Queen e Rolling Stones, e da banda americana The Killers (rock alternativo).

As duas primeiras são estupendas, e a terceira é boa – conforme meu gosto musical.

Também está na playlist de Mancini a jovem cantora americana Miley Cyrus (dance, pop e rhythm and blues), a respeito de quem não posso comentar, pois não conheço o repertório.

Minha opinião, contudo, é pouco importante nesse caso. O que os jogadores pensam?

Roberto Mancini (de azul, no centro) conversa com jogadores da seleção italiana, que nesta sexta (7) enfrenta a Polônia em Bologna (Reprodução/Federação Italiana de Futebol)

Somente um se pronunciou até agora, o goleiro Donnarumma.

“Estávamos treinando e ouvi a música. Pareceu estranho para mim, então perguntei ao treinador de goleiros. Ele me disse que Mancini gosta de trabalhar assim porque dá uma dose extra de entusiasmo. É uma coisa nova”, disse o arqueiro do Milan.

Relatos dão conta de que nenhuma música tocada era italiana. Será que Mancini é avesso aos cantores, cantoras e conjuntos locais?

Mesmo que seja, é irrelevante por ora.

O que importa é o resultado da partida contra a Polônia, nesta sexta (7), em Bolonha.

Será a estreia das duas seleções na Liga das Nações, torneio recém-criado pela Uefa (entidade máxima do futebol europeu) e que se estenderá, com partidas nas datas Fifa, até junho de 2019.

Caso a Itália vença, com futebol convincente, dirão que “jogou por música”, que o time foi “uma orquestra sinfônica”.

Se o resultado não for positivo, Mick Jagger será o lembrado. O vocalista dos Rolling Stones tem reconhecida fama de pé-frio.