Brasileiro chega à metade; quais os melhores estrangeiros?

Encerrado Vasco 1 x 1 Ceará, em São Januário na noite desta segunda (20), encerrou-se também o primeiro turno do Campeonato Brasileiro.

São Paulo, Internacional, Flamengo e Grêmio estão no topo, nessa ordem, e os quatro piores são Vitória (17º), Atlético-PR (18º), Ceará (19º) e Paraná (20º).

Feita essa introdução para situá-lo, leitor, faço-lhe alguns questionamentos.

Até aqui, quais os melhores estrangeiros da competição? Quais se destacaram, quais decepcionaram? Quais foram pouco utilizados, por opção do treinador ou por terem sido contratados recentemente?

Ao todo, são hoje 72 estrangeiros (incluindo um treinador), divididos por 19 dos 20 clubes.

Eis uma breve avaliação, gringo por gringo, do primeiro ao último colocado na tabela.

São Paulo

São quatro os gringos na equipe paulista.

  • O ponta-direita Jose Rojas (Equador) é quem mais tem aparecido positivamente. Fez só um gol, mas sua velocidade e bom domínio de bola impressionam.
  • O zagueiro Arboleda (Equador) também está bem, sem registrar falhas graves, apesar de não ser titular absoluto.
  • O atacante Tréllez (Colômbia) soma três gols no campeonato e tem sido útil saindo do banco.
  • O atacante Carneiro (Uruguai) faz figuração.
  • O maior destaque fica por conta do treinador: o uruguaio Diego Aguirre é o único técnico estrangeiro neste Brasileiro. E não vê ninguém à frente dele.

Internacional

São sete os gringos no time gaúcho. É o clube do Brasileiro com o maior número de forasteiros em suas fileiras.

  • O zagueiro Victor Cuesta (Argentina) forma com Rodrigo Moledo uma das melhores duplas de zaga da competição. Ele atuou em 17 jogos e fez dois gols.
  • Dois atacantes, ambos uruguaios, são destaques na equipe colorada: Nico López (seis gols) e Jonatan Álvez (dois gols).
O atacante uruguaio Nico López, do Internacional (Diego Vara – 19.ago.2018/Reuters)
  • Recém-contratado, o atacante Guerrero (Peru), que disputou a Copa do Mundo da Rússia, ainda não estreou.
  • O meia D’Alessandro (Argentina), ídolo da torcida, já está com idade avançada para um futebolista (37 anos). Um dos líderes do time, atualmente é opção de banco.
  • Não jogaram ainda no Brasileiro os argentinos Luque (atacante) e Sarrafiore (meia).

Flamengo

O time carioca conta com seis gringos.

  • Combativo (às vezes até demais, tendo somado duas expulsões no campeonato), o volante Cuéllar (Colômbia) é peça importante no meio-campo.
  • O atacante Berrío, que no Brasileiro de 2017 teve algumas boas atuações, recuperou-se recentemente de grave lesão no joelho e ainda não foi utilizado.
  • O lateral esquerdo Trauco (Peru), o volante Piris da Motta (Paraguai) e os atacantes colombianos Uribe e Marlos Moreno compõem o elenco, sem jogar muito.

Grêmio

São dois os gringos da equipe gaúcha.

  • O zagueiro Kannemann (Argentina), não é de hoje, vem jogando em altíssimo nível, ao lado de Pedro Geromel, um dos beques que Tite levou à Copa do Mundo.
  • O meia Ancheta (Uruguai) ainda não atuou neste Brasileiro.

Atlético-MG

O time mineiro conta com cinco gringos. Seriam seis se o meia venezuelano Otero, um dos melhores estrangeiros do Brasileiro-2017, não tivesse sido emprestado ao Al Wehda, da Arábia Saudita. Ele marcou um gol antes de sair.

  • O atacante Chará (Colômbia), um gol, o meia-atacante Cazares (Equador), três gols, e o meia Tomás Andrade (Argentina), dois gols, têm alternado altos e baixos. Caso progridam no segundo turno, o Galo tem boa chance de progredir também.
  • Há ainda dois uruguaios. O meia Terans (Uruguai) jogou pouco (cinco vezes), e o zagueiro Rea acaba de ser contratado.

Palmeiras

Há quatro gringos na equipe paulista.

  • O técnico Felipão tem preferido escalar Deyverson em vez de Borja (Colômbia), utilizado nas partidas da Libertadores, onde aliás tem ido muito bem.
  • O zagueiro Gustavo Gómez (Paraguai) chegou por empréstimo do Milan neste mês e causou boa impressão, tendo atuado em duas partidas.
  • Outro zagueiro, Nico Freire (Argentina), desembarcou em São Paulo em julho e ainda não jogou.
  • O meia Guerra (Venezuela), que teve boas atuações no ano passado, neste vem sendo reserva.

Corinthians

O time paulista tem três gringos. A saída do zagueiro paraguaio Balbuena, que se transferiu para o West Ham (Inglaterra), é sentida.

O atacante paraguaio Romero, do Corinthians (Paulo Whitaker – 21.jul.2018/Reuters)
  • O atacante Ángel Romero (Paraguai) é, ao lado de Nico López, do Inter, o principal goleador estrangeiro do campeonato (seis gols). Na retomada do Brasileiro após a Copa do Mundo, brilhou em quatro partidas – todos os gols saíram nelas.
  • O meia Araos (Chile) chegou há pouco ao clube; sendo assim, pouco jogou (só duas vezes).
  • O atacante Díaz (Paraguai), também recém-chegado, não foi escalado.

Cruzeiro

São cinco os gringos na equipe mineira.

  • O meia-atacante De Arrascaeta (Uruguai) e o atacante Barcos (Argentina) são titulares, mas ainda não atingiram, com base nas atuações passadas, o potencial esperado.
  • O trio de argentinos formado por Ariel Cabral, Lucas Romero (volantes) e Mancuello (meia) também não tem empolgado. O mais prestigiado pelo treinador Mano Menezes é Romero, titular em 11 jogos.

Fluminense

O time carioca tem três gringos.

  • O meia Sornoza (Equador) decepciona. Fez um gol olímpico na Copa Sul-Americana, mas no Brasileiro está zerado em 16 partidas.
  • Compatriota de Sornoza, o atacante Cabezas dezembarcou nas Laranjeiras faz menos de um mês e ainda não jogou.
  • O goleiro De Amores (Uruguai) não jogou e nem deve jogar. Não é nem o primeiro reserva para a posição.

América-MG

Há um gringo no time mineiro.

  • O zagueiro Revuelta (Bolívia) não foi utilizado.

Bahia

A equipe baiana tem um gringo.

  • O meia Allione (Argentina) perdeu espaço em relação ao ano passado e é reserva. Fez um gol até aqui.

Botafogo

São quatro os gringos no time carioca.

  • O mais destacado é o meia Leo Valencia (Chile), que tem bom chute de média distância. São dois gols no Brasileiro.
  • O zagueiro Joel Carli (Argentina) também é titular, com excesso de disposição e carência de técnica.
  • Uma lesão no punho afasta, desde abril, o goleiro Gatito Fernández (Paraguai), grande destaque do time alvinegro no campeonato de 2017.
  • O atacante Aguirre (Uruguai) participou de 13 partidas, ora começando, ora vindo do banco. Ainda não fez gol.
O meia chileno Leo Valencia, do Botafogo (Carl de Souza – 16.ago.2018/AFP)

Santos

Há cinco gringos na equipe do litoral paulista. Nenhum deles destacou-se até agora.

  • O meia Carlos Sánchez (Uruguai) e o meia-atacante Bryan Ruiz (Costa Rica) chegaram depois do Mundial russo, no qual defenderam seus respectivos países, e precisam de mais tempo em campo para serem avaliados.
  • Também é reforço pós-Copa o meia-atacante Derlis González (Paraguai). Só atuou em duas partidas, uma a menos que Carlos Sánchez e o mesmo que Bryan Ruiz.
  • O atacante Copete (Colômbia), que teve fase muito boa no Brasileiro-2017, neste vai mal. Zero gol em nove jogos.
  • O meia Vecchio (Argentina) nunca convenceu pelos lados da Vila Belmiro – e continua assim. Reserva, entrou em campo duas vezes, em um total de 38 minutos, no Brasileiro.

Chapecoense

A equipe catarinense tem cinco gringos.

  • O meia Canteros (Argentina) faz diferença. Atuou em 18 dos 19 jogos do primeiro turno. É bom articulador e marcou dois gols.
  • Os volante Orzusa (Paraguai) e o meia Diego Torres (Argentina) reforçaram o time depois da Copa do Mundo. O primeiro tem sido reserva, e o segundo, titular, com um gol em dois jogos.
  • O zagueiro Bareiro (Paraguai) e o meia Doffo (Argentina) são opção de banco.

Sport

  • O time pernambucano é o único que não possui estrangeiro no elenco.

Vasco

A equipe carioca conta com cinco gringos.

  • O atacante Andrés Ríos (Argentina) marcou cinco gols em 15 jogos e é o vice-artilheiro do clube, atrás de Yago Picachu (sete gols). Para que o decepcionante Vasco melhore na tabela (tem de aproveitar os dois jogos a menos em relação a 17 rivais), precisará dobrar esse número no segundo turno.
  • O goleiro Martín Silva (Uruguai) esteve na Copa, na qual ficou na reserva de Muslera. Considero-o um goleiro razoável, e suas atuações no Brasileiro têm sido assim: razoáveis.
  • O volante Desábato (Argentina), primo daquele que foi acusado de racismo por xingar Grafite em 2005 em partida da Libertadores, é mediano, nada mais que isso.
  • Recém-contratados, o zagueiro Henríquez (Colômbia) e o veterano atacante Máxi López (Argentina), de 34 anos, só jogaram duas vezes.
O uruguaio Martín Silva, goleiro do Vasco (Paulo Whitaker – 5.ago.2018/Reuters)

Vitória

São cinco os gringos no time baiano.

  • Quatro deles foram contratados no intervalo do campeonato para a Copa, e todos são argentinos: os laterais esquerdos Benítez e Arroyo, o volante Meli e o atacante Bou. Nenhum empolgou – um deles, Arroyo, nem jogar jogou.
  • O quinto estrangeiro é o volante Baumjohann (Alemanha), que já defendeu Bayern de Munique, Borussia Mönchengladbach, Schalke 04, Kaiserslautern e Hertha Berlin, sem jamais ter arrancado suspiros. No Vitória, continua não arrancando – tanto que está na reserva.

Atlético-PR

A equipe paranaense tem dois gringos.

  • Mesmo sem o fôlego de outros tempos, o veterano volante Lucho González é titular. Aos 37 anos, não passa muito mais que experiência aos companheiros – seu melhor futebol já se foi.
  • O atacante Plata (Colômbia) chegou na semana passada ao clube e já estreou no domingo (19), contra o Flamengo. Foram menos de dez minutos em campo, porém sua presença trouxe sorte: o Furacão ganhou por 3 a 0.

Ceará

Dois gringos estão no time cearense.

  • O atacante Cardona e o meia Reina, ambos colombianos, não são a salvação do Vovô. Doze jogos somados, zero gol.

Paraná

São dois os gringos da equipe paranaense.

  • As apostas para o Brasileiro foram paraguaias: o volante Torito González e o lateral direito Báez. Ambos fraquíssimos.

Leia também: Poucos estrangeiros começam o ano em alta no Brasil

Em tempo: Percebe-se que há uma boa quantidade de estrangeiros nos clubes da elite do Brasileiro (média de 3,6 por clube), porém a qualidade é duvidosa. Dos 71 jogadores (de um total de 11 países), apenas um terço, aproximadamente, é titular.