Sem jogar, ex-promessa fatura mais que o dobro de seu valor de mercado

Considerado um dia uma das grandes promessas da Inglaterra para a lateral direita, Micah Richards está perto de completar dois anos sem participar de uma partida.

A última vez que ele entrou em campo foi no dia 15 de outubro de 2016, pelo Aston Villa, clube com quem tem contrato até a metade de 2019, no empate por 1 a 1 com o Wolverhampton. Machucou o joelho nesse confronto.

Desde então, a equipe de Birmingham, terra natal de Micah e que está na Segundona (divisão pouco aprazível para um clube sete vezes campeão inglês e uma vez campeão europeu, em 1982), disputou exatos cem jogos.

Em nenhum deles Micah tocou na bola. Esteve relacionado para menos de 10% das partidas – oito, precisamente – e nessas tão somente esquentou o banco.

Nesse período, o valor de mercado dele, que segundo o site Transfermarkt chegou a € 18,5 milhões no começo de 2012, ano em que era titular do Manchester City, vencedor daquela temporada do Campeonato Inglês, despencou.

Micah Richards (dir,), com o italiano Mario Balotelli, companheiro de Manchester City nas conquistas da Copa da Inglaterra, em 2011, e da Premier League, em 2012 (Reprodução/Instagram de Micah Richards)

Hoje, o jogador de 30 anos é avaliado em € 1,5 milhão (R$ 6,7 milhões). Parece uma ninharia para quem em 2006, aos 18 anos, tornou-se o mais jovem atleta de defesa a atuar pela seleção inglesa, em um amistoso contra a Holanda.

Sem jogar, o lateral-zagueiro continuou a receber normalmente o salário, e o Aston Villa não lhe paga pouco. Por mês, são £ 140 mil (R$ 695 mil).

Recorrendo à calculadora, sem atuar um único minuto, Micah recebeu £ 3,08 milhões (R$ 15,3 milhões), ou mais que o dobro de seu valor de mercado.

Ele poderia, com esse dinheiro, comprar a si próprio duas vezes e ainda sobrariam quase R$ 2 milhões, uma ótima grana (ao menos para mim, é).

Mas por que Micah não atuou por esse longo intervalo?

Além da lesão no joelho, que o afastou por 98 dias (de outubro de 2016 a janeiro de 2017), a razão principal, de acordo com o treinador Steve Bruce, que comanda o Aston Villa desde 2016, é a frequente falta de condição física do jogador.

O técnico do Aston Villa, Steve Bruce, afirma que Micah Richards não tem conseguido ficar em forma física adequada para jogar (Reprodução/Site do Aston Villa FC)

Fora dos planos do técnico, o Aston Villa está ciente de que tem investido muito dinheiro sem nenhum retorno, e quer negociá-lo.

Há, todavia, um enorme obstáculo: negociar com quem?

Nada indica que Micah (desvalorizado, muito, mas desprestigiado, ainda mais) possa atrair a atenção de um – um único que seja – interessado.

Micah, trocadilho pronto, virou mico.