O que o Brasil ganha e o que perde com Fernandinho

O Brasil terá uma mudança relevante na partida em que tentará se classificar para a fase semifinal da Copa do Mundo da Rússia.

Diante da Bélgica, nesta sexta (6), em Kazan, Tite trocará o primeiro volante, o homem responsável por dar proteção à zaga, combatendo os armadores rivais, e por dar o primeiro passe na construção das jogadas na intermediária defensiva.

Sai Casemiro, de 26 anos, suspenso pelos cartões amarelos, entra Fernandinho, de 33 anos.

O Brasil ganha ou perde com a escalação do experiente jogador do Manchester City no lugar do atleta do Real Madrid?

Em alguns aspectos, jogar com Fernandinho pode ser melhor, a saber:

  • Mobilidade – Fernandinho é muito mais leve. Tem 66 kg. Casemiro pesa 84 kg. Consequentemente, é mais rápido. Diante de um time com jogadores ágeis do meio para a frente (os atacantes Hazard e Mertens, principalmente, mais o ala esquerdo Carrasco), isso é um trunfo, pois lhe dá mais capacidade para acompanhá-los na marcação.
  • Conhecimento – Relacionado a atletas do adversário. Dois belgas atuam no mesmo time que Fernandinho na Inglaterra, o Man City: o zagueiro Kompany e o meia De Bruyne. Em alguns momentos Fernandinho poderá ter de marcar De Bruyne, o ritmista dos belgas, e por ter treinado com ele conhece bem o seu estilo, tendo chance maior de anulá-lo.
  • Contra-ataque – A maior velocidade de Fernandinho conta nesse quesito. O Brasil, especialmente se estiver à frente no placar, deve ter algumas chances de pegar a Bélgica de surpresa. A bola sendo roubada, Fernandinho pode acelerar a jogada e acionar Neymar, Gabriel Jesus ou Willian com rapidez e precisão, já que tem bom passe.

Em outros aspectos, ter Fernandinho na equipe pode ser pior:

  • Corpo a corpo – Fernandinho parecer ser bem mais baixo que Casemiro, mas não é tanto: 1,79 m a 1,85 m. Só que o camisa 5 é muito mais encorpado e forte que o 17. Em jogadas de bola aérea, na qual a Bélgica tem muita força com o atacante Lukaku, 1,90 m, e o trio de beques (Alderweireld, 1,80 m, Kompany, 1,90 m, e Vertonghen, 1,89 m), Fernandinho leva desvantagem.
  • Entrosamento – Fernandinho é reserva, e é evidente que Casemiro tem mais sintonia com Paulinho e Philippe Coutinho, seus colegas de meio-campo desde o início da Copa, e com Miranda e Thiago Silva, os zagueiros titulares da seleção, do que seu substituto.
  • Superstição – Há de se recordar que no fatídico 7 a 1 para a Alemanha, na Copa de 2014, Fernandinho começou como titular e no primeiro tempo o Brasil levou uma enxurrada de gols: cinco. Ele foi substituído no intervalo. Há de se recordar também que na única derrota do técnico Tite com a seleção, amistoso contra a Argentina (1 a 0), Fernandinho atuou em toda a partida – Casemiro não jogou.

O que pesa mais? Os prós ou os contras com Fernandinho no time? A meu ver, o lado da balança dos prós é ligeiramente mais pesado.

Em tempo: Sobre o item “superstição”, elencado nos fatores negativos relacionados à escalação de Fernandinho: eu não sou supersticioso e não considero que Fernandinho dê azar. Em todo caso, não custa escrever: boa sorte pra ele.