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Manchester City 5 x 3 Monaco é, disparado, o melhor jogo do ano

Luís Curro

Felizes são os 53.351 torcedores que estiveram no Etihad Stadium, em Manchester, nesta terça-feira (21). Felizes são também os amantes do futebol que puderam assistir pela TV a Manchester City x Monaco, jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Disparado, a melhor partida deste 2017. O placar final, 5 a 3 para a equipe da casa. Mas não só a chuva de gols foi responsável por fazer desse jogo um jogaço, um dos melhores que já vi.

A partida foi dinâmica, foi emocionante, foi repleta de alternativas. Um autêntico thriller.

Na maior parte dela (especialmente no 1º tempo), o Monaco, comandado pelo pouco conhecido português Leonardo Jardim, mostrou-se superior, e não pouco, mas muito, ao megaendinheirado City do hiperconsagrado espanhol Pep Guardiola.

Jogadores do Manchester City e do Monaco, protagonistas do melhor jogo do ano até agora, deixam o gramado do Etihad Stadium, na Inglaterra; no placar eletrônico, “obrigado” (Paul Ellis – 21.fev.2017/AFP)

Não à toa o Monaco lidera o Campeonato Francês. É um time muito bem organizado, com jogadores de boa técnica e que taticamente cumprem à risca o plano de seu treinador. Impôs uma marcação por pressão que deixou o anfitrião em péssimos lençóis.

Os zagueiros Otamendi e Stones, ambos de cintura dura, sofriam para sair jogando, assim como goleiro Caballero (longe se ser um ás com os pés), e o City perdia seguidamente no campo de defesa a bola, que não chegava, ou chegava torta, aos habilidosos armadores De Bruyne e David Silva, capitão do time de uniforme azul-celeste.

Sem Kolarov e Clichy, machucados, Guardiola improvisou o volante Fernandinho brasileiro na lateral esquerda. Péssima escolha. O brasileiro, fraco com a canhota, foi muito mal na posição.

Com o Monaco mais perto de abrir o marcador, o City “achou” um gol em um ataque esporádico, fruto de uma jogada de Sané, promissor alemão de 21 anos, que, após avançar pela esquerda e tabelar com David Silva, cruzou para Sterling, em posição duvidosa, tocar para a rede de Subasic.

O gol não mudou o Monaco. A estratégia estava funcionando, não havia por que alterá-la. Não demorou e veio a recompensa.

Caballero saiu jogando errado e Fabinho recuperou a bola, que sobrou para Bernardo Silva. O habilidoso e cerebral meia português tocou de volta para o volante brasileiro, que da ponta direita cruzou com perfeição para o centroavante Falcao Garcia, que mergulhou nas costas de Sagna. De cabeça, para o gol: 1 a 1.

E o Monaco virou, não antes de ser beneficiado pela arbitragem, que não deu um pênalti de Subasic em Kun Agüero, que retomou a posição de titular após a lesão de Gabriel Jesus – o argentino ainda recebeu um cartão amarelo do árbitro, que considerou que ele se jogou no lance.

Com nova participação de Fabinho, saiu o segundo gol do visitante. Dessa vez, ele fez lançamento preciso, do campo de defesa, para Mbappe Lottin, francês de 18 anos, ganhar fácil de Otamendi na corrida e chutar colocado.

Intervalo. Foram 45 minutos de um banho tático de Jardim em Guardiola. Se continuasse assim, haveria uma goleada, e seria do Monaco.

Três minutos do 2º tempo. O lateral Mendy cruza na medida para conclusão de Falcao, que desperdiça, apenas porque foi derrubado por Otamendi – o beque o acertou em cheio não só em uma das pernas, mas nas duas.

Falcao Garcia bate mal o pênalti que poderia dar ao Monaco a vantagem de 3 a 1 no jogo da Champions League; Caballero defendeu (Lee Smith – 21.fev.2017/Reuters)

O colombiano, capitão do Monaco, responsabilizou-se pela cobrança. Seria 3 a 1, uma ótima vantagem. Seria. Falcao bateu mal, quase no meio do gol, baixo e sem força. Caballero nem rebateu. Agarrou.

O castigo veio na sequência.

Sterling lançou Agüero nas costas dos zagueiros Raggi e Glik, que têm a cintura tão ou mais dura que a dupla de zaga rival, mas Kun não deu um de seus melhores chutes. Bola fácil para o croata Subasic, que… falhou grotescamente e engoliu um frango, lembrando o de Waldir Peres pelo Brasil, contra a União Soviética, na Copa do Mundo de 1982.

Um 2 a 2 que veio como um presente para a equipe inglesa, que prosseguia inferior, técnica e taticamente, à francesa. Tanto que o Monaco não se abateu.

Kun Agüero pega a bola na comemoração do segundo gol do City na partida; Subasic (ao fundo) engoliu um frango (Dave Thompson – 21.fev.2017/Associated Press)

Três minutos após o empate, Falcao teve a chance de se redimir. Recebeu na área e encarou Stones (um Tim Cahill, do Chelsea, mais jovem e piorado) no mano a mano. Passou sem dificuldade por ele e deu uma cavadinha perfeita, encobrindo Caballero, seu algoz minutos antes – 2 a 1 para o atacante no duelo com o goleiro careca.

No placar do estádio, 3 a 2 Monaco, passados 16 minutos da etapa complementar.

O time da França voltava a ter o jogo nas mãos. Um jogo que, com os pés, controlava desde o apito inicial. Os gols sofridos? Um em lance de possível impedimento não marcado, outro em falha bisonha de seu goleiro. Imprevistos que não voltariam a acontecer.

O City continuava pouco operante. O toque de bola, sua principal característica (assim como a de todos os times dirigidos por Guardiola), não fluía. O jeito era partir para o abafa. Correr mais, pressionar do jeito que desse, e ficar sujeito a levar mais gols nos perigosíssimos contra-ataques do Monaco.

Com a bola rolando, parecia que não ia dar. Mas o futebol tem a bola parada. E ela foi a salvação para o time que era favorito na teoria e que virou azarão na prática. Dois escanteios bastaram.

Escanteio 1, aos 26 minutos: David Silva cobra. Agüero se posiciona na segunda trave, como é praxe, e a bola sobrevoa 12 jogadores antes de caprichosamente cair na sua frente. Pé direito, finalização precisa de Kun, dessa vez Subasic não falhou: 3 a 3. Esse gol inflamou a torcida no Etihad, e o Monaco, pela primeira vez, sentiu o golpe.

Escanteio 2, aos 32 minutos: De Bruyne cobra. Agüero se posiciona na segunda trave, como é praxe, e a bola sobrevoa 10 jogadores antes de caprichosamente cair na sua frente… só que Stones, o cintura dura que fazia a alegria de Falcao e companhia do outro lado do campo, antecipa-se a Kun e bate de pé direito na bola (ou a bola bate em seu pé direito). Gol. Virada do City. 4 a 3.

Stones marca o quarto gol do City, o sétimo da partida; clique na imagem e assista a todos os gols (Reprodução/Site da Uefa)

O replay mostra um detalhe. O marfinense Yaya Touré ainda desviou de raspão, de cabeça, antes de a bola chegar a Stones. O mesmo Yaya Touré que faz pouco tempo não tinha espaço no time, brigado que estava com Guardiola. Hoje, para o bem do City, estão de bem.

O Monaco, que teve a chance de nocautear o oponente, baixou de vez a guarda, e o quinto gol saiu aos 37 minutos. Enfim, em uma jogada à la Guardiola, como nos tempos de Barcelona: David Silva lançou na área, por cima da zaga, para Agüero, que, na saída de Subasic, tocou para o meio, onde estavam, livres, Sané e Sterling. O primeiro chegou antes. Bola na rede. 5 a 3.

Acabou? Quase. Caballero “empatou o jogo” com Falcao ao fazer defesa dificílima, com o pé, em finalização do artilheiro do Monaco.

Obrigado ao City. Obrigado ao Monaco. Por propiciarem um jogo de tirar o fôlego, de não deixar o espectador ir buscar um copo d’água, de olhar para o lado, de até mesmo piscar.

Quem viu, viu.

Quem não viu, há a partida de volta, no dia 15 de março, uma quarta-feira, na qual o Manchester City pode perder por até um gol de diferença para se classificar.

O Monaco ainda acredita, tem motivo para isso, e dá para prever, pelas propostas e características de ambos os times, que será um duelo tão emocionante quanto o primeiro.

“Foi um jogo maluco. Mas ninguém pode dizer que não se repetirá”, declarou o lateral-esquerdo Mendy, do Monaco.

Nas palavras de Guardiola, “se há um time capaz de fazer um milhão de gols, é o Monaco. Se não marcarmos no jogo de volta, seremos eliminados”.

Eu digo (escrevo) apenas isto: o jogo no estádio Luís 2º será imperdível.

Em tempo: Outro confronto sensacional, no mesmo dia e horário de Manchester City x Monaco, também pela Champions League, aconteceu na Alemanha. Bayer Leverkusen 2 x 4 Atlético de Madri. Apesar de sempre na frente no marcador (1 a 0, 2 a 0, 2 a 1, 3 a 1, 3 a 2), o time do técnico Simeone só sentiu alívio com o gol de Fernando Torres, aos 41 minutos do 2º tempo.

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