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Campeão na Copa-2014, Schweinsteiger joga míseros 7 minutos em 32 partidas

Luís Curro

Bastian Schweinsteiger é um dos melhores meias da história do futebol da Alemanha.

Inteligente e aplicado. Dono de passes precisos e chutes certeiros. Bom de cabeça e bom na bola parada. Sagaz organizador ofensivo e incansável marcador. Classudo e raçudo ao mesmo tempo.

E com um sobrenome difícil… mais de escrever que de pronunciar. Tanto que um ex-colega de Folha, Paulo Cobos, competentíssimo jornalista esportivo (hoje editor na ESPN Brasil), dizia, antes das coberturas de Copa do Mundo, que preferia não ter de redigi-lo, devido à chance de errar.

Era uma brincadeira (à qual eu retribuía afirmando que, se tivesse mais um filho, o batizaria Schweinsteiger, pela sonoridade), pois, se escrever recorrendo só à memória é complicado, basta “copiar e colar” para dar certo. Já a pronúncia é Xuainstáiguer, ou algo bem parecido.

Esse versátil alemão, que no começo e meio da carreira atuava como um falso ponta direita, atacando e defendendo com a mesma eficácia, esteve presente em três Copas (Alemanha-2006, África do Sul-2010 e Brasil-2014), sendo campeão na última.

Ele é ídolo no Bayern, equipe que defendeu de 1998 a 2015 – nos quatro primeiros anos, jogou nas categorias de base. Pelo clube de Munique, ganhou mais de 20 títulos, entre os quais oito Bundesligas, sete Copas da Alemanha e uma Liga dos Campeões da Europa.

Além de vencedor, Schweinsteiger mostrou-se, com o passar dos anos e a experiência adquirida, um líder em campo, tanto na seleção como no clube.

Schweinsteiger acena para a torcida do Manchester United depois da goleada sobre o West Ham no Old Trafford (Dave Thompson - 30.nov.2016/Associated Press)
Schweinsteiger acena para a torcida do Manchester United depois da goleada sobre o West Ham no Old Trafford (Dave Thompson – 30.nov.2016/Associated Press)

Todas essas qualidades não serviram, entretanto, para que José Mourinho, o badalado treinador português do Manchester United, desse chance ao jogador, que está com 32 anos e se transferiu do Bayern para os Red Devils na metade de 2015.

Desde que Mourinho chegou ao clube, no meio deste ano, em substituição ao holandês Louis Van Gaal, o Man United disputou 32 jogos, entre Premier League (18 partidas), Liga Europa (6), Copa da Liga Inglesa (3), amistosos (3), International Champions Cup (1) e Supercopa da Inglaterra (1).

Schweinsteiger entrou em campo em um único jogo, a goleada por 4 a 1 sobre o West Ham pela Copa da Liga, no dia 30 de novembro. Substituiu o francês Martial aos 41 minutos do segundo tempo. Como a partida foi encerrada aos 48 minutos, pôde “suar a camisa” por SETE minutos.

O suficiente para sete participações (todas sob aplausos da torcida no estádio Old Trafford, em Manchester), sendo uma delas um chute perigoso a gol.

O alemão jogou sete minutos em partida da Copa da liga Inglesa, no fim do mês passado (Reprodução/YouTube)
O alemão jogou sete minutos em partida da Copa da Liga Inglesa, no fim do mês passado (Reprodução/YouTube)

Mourinho desde o início declarou que o alemão não estava em seus planos.

Preferia utilizar no meio-campo o francês Pogba, de 23 anos, ex-Juventus (a mais cara contratação já realizada no futebol, € 105 milhões) e mais um outro qualquer – os escolhidos têm sido o espanhol Ander Herrera (27 anos), o veterano de Man United Michael Carrick (35 anos) e o cabeludo belga Fellaini (29 anos) – este último limitadíssimo tecnicamente.

Cada treinador faz suas escolhas, mas que é um desperdício de talento, é. Schweinsteiger não é mais um garoto, contudo ainda tem lenha para queimar por uns três a quatro anos.

Tanto que o treinador do Santos, Dorival Júnior, declarou que gostaria que o clube da Baixada Santista tentasse contratá-lo na janela de transferências que se abre em janeiro.

Impossível não seria, já que clubes brasileiros tiveram condições de trazer estrangeiros da fama de um Tevez (Corinthians) e de um Seedorf (Botafogo) neste século. Foram exceções, é verdade, mas que permitem afirmar que, com um esforço de gestão, há a possibilidade de contar com um jogador gringo de primeira linha mesmo tendo ele um salário muito alto.

Se bem que o salário de Schweinsteiger não é muito alto… é exorbitante. Conforme publicou o jornal britânico “Daily Star”, o alemão ganha por mês £ 800 mil (R$ 3,2 milhões).

Mesmo se ele aceitasse dividir esse valor por cinco ou por seis, o Santos teria de se desdobrar na matemática para fazer cabê-lo em seu orçamento, e isso se o Man United o liberasse de graça, já que o contrato vai até o fim de junho de 2018. Não aconteceria.

O Santos resolveu o assunto. Já deu a resposta a Dorival ao contratar do Atlético-MG, nesta semana, para a posição de volante, Leandro Donizete, que, na comparação com o alemão, conta somente com a experiência (está com 34 anos). Nada mais é que um jogador mediano.

Seria fantástico ver Schweinsteiger desfilar seu talento na Vila Belmiro e em outros campos do Brasil, mas não acontecerá. Caso ele mude mesmo de time, ou ficará no velho continente ou, caso queira manter o salário nas alturas (nem precisa disso), embarcará para a China ou para os EUA.

Em tempo 1: Schweinsteiger deve consultar a mulher, a sérvia Ana Ivanovic, com quem se casou neste ano, antes de definir onde jogar. Ela anunciou nesta quarta (28) a aposentadoria do tênis, aos 29 anos, e sabe-se que sua cidade favorita é a Basileia. Há um clube de bom nível lá, o Basel (favorito sempre a conquistar o Campeonato Suíço, mas sem força para brilhar na Europa).  

Em tempo 2: Insatisfeitos com o pouco tempo lhes dado por José Mourinho nas partidas, jogadores contratados por somas gigantescas devem deixar o Manchester United em breve: o volante francês Schneiderlin (€ 35 milhões), o atacante holandês Memphis Depay (€ 34 milhões) e o atacante francês Martial (€ 50 milhões).

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