Dos dois notáveis do Real Madrid contra o Bayern, só um irá à Copa

Quem viu o jogo de volta da semifinal da Liga dos Campeões entre Real Madrid e Bayern de Munique sabe: o goleiro Navas e o atacante Benzema foram os responsáveis pela classificação da equipe espanhola para a decisão.

No 2 a 2 no estádio Santiago Bernabéu nesta terça (1º), o camisa 9 marcou os dois gols do time da casa, um no primeiro tempo, de cabeça, outro no início do segundo, após falha grotesca do goleiro alemão Ulreich.

Já o camisa 1 fez ao menos quatro defesas difíceis, impedindo que o campeão da Alemanha marcasse o terceiro gol, necessário para a obtenção da vaga – na ida, em Munique, o Bayern perdera por 2 a 1.

Benzema se aproveita de falha de Ulreich e faz Real Madrid 2 a 1; veja os gols do jogo (Reprodução/Site da Uefa)

Benzema e Navas são dois dos destaques do Real, atual bicampeão europeu, que tentará o tri no próximo dia 26, um sábado, em Kiev (Ucrânia), contra o ganhador da outra semifinal (Roma ou Liverpool), que será conhecido nesta quarta (2).

Infelizmente, somente um deles exibirá suas qualidades na Copa do Mundo da Rússia, que começa no dia 14 do próximo mês.

Navas é o arqueiro titular da Costa Rica e defenderá seu país contra o Brasil, no dia 22 de junho. Cinco dias antes, encara a Sérvia. Cinco dias depois, a Suíça.

Keylor Navas, titular da seleção costa-riquenha, comemora no Santiago Bernabéu a classificação do Real Madrid para a decisão da Liga dos Campeões (Reprodução/Site do Real Madri CF)

Benzema, titular da França no Mundial de 2014, no Brasil, que vejo como o mais talentoso, capaz e efetivo centroavante que os Azuis possuem, não irá à Rússia.

Não porque ele não quer.

“Tenho 30 anos, dois filhos, estou tranquilo aqui [em Madri]. Se você precisa de mim, sabe onde me achar”, disse Benzema em recente entrevista à edição espanhola da revista Vanity Fair.

O “você” da frase é Didier Deschamps, o treinador da seleção francesa.

Que não convoca Benzema desde outubro de 2015, ou seja, há dois anos e meio – ficando fora da Eurocopa de 2016, na França.

Deschamps já deu a entender que, enquanto estiver no comando, o avante do Real Madrid não tem chance de reaparecer no time.

O motivo é um escândalo que se propagou no fim de 2015 e teve Benzema como um dos pivôs. Ele foi acusado de participar de um esquema de chantagem em que a vítima era o meia Valbuena, então colega dele na seleção.

O caso chegou à Justiça, e o atacante chegou a passar uma noite preso e recebeu críticas até do primeiro-ministro da França à época.

Até hoje, Valbuena e Benzema não se dão, e se o meia estivesse nos planos de Deschamps para a Copa, seria lógico Deschamps não querer juntar dois desafetos.

Mas não é o caso. Valbuena, de 33 anos, hoje no Fenerbahce (Turquia), também não é chamado para a seleção francesa há dois anos e meio.

Pela qualidade atual de seu futebol, Valbuena não teria mesmo espaço na equipe nacional.

Não é o caso de Benzema, que na minha opinião é – quando está em forma – mais jogador que Giroud (Chelsea) ou Lacazette (Arsenal), os possíveis homens de área que Deschamps levará para o Mundial.

Só que o treinador já indicou que a presença de Benzema pode desarmonizar o grupo, então ele está descartado.

A convocação de Deschamps – que para quem não lembra foi o capitão da França na Copa de 1998, conquistada pelos Azuis com vitória na final contra o Brasil – para o Mundial russo ocorrerá no meio deste mês, antes da decisão da Champions League.

Ao técnico ficará a torcida para que Benzema não brilhe na partida em Kiev. Do contrário, se a França tiver uma seca de gols na Copa do Mundo, choverão críticas a ele pela ausência do centroavante do Real Madrid.

Em tempo: Benzema é o quinto maior artilheiro da história da Liga dos Campeões da Europa. Com 55 gols (defendendo Lyon e Real Madrid), fica atrás somente do português Cristiano Ronaldo (120, por Manchester United e Real Madrid), do argentino Messi (100, pelo Barcelona), do espanhol Raúl (71, por Real Madrid e Schalke) e do holandês Van Nistelrooy (56, por PSV, Manchester United e Real Madrid), os dois últimos já aposentados.