Al Ain está, mas ainda não está, no Mundial de Clubes

Pelo segundo ano consecutivo, e o quinto no total, o Mundial de Clubes da Fifa será realizado nos Emirados Árabes Unidos.

O formato da competição, que será de 12 a 22 de dezembro, é o mesmo: sete participantes, um de cada confederação (Europa; Ásia; América do Sul; África; Américas Central, do Norte e Caribe; Oceania) e um do país-sede.

Eis que leio no site da entidade máxima da Fifa a notícia de que o primeiro classificado para o torneio interclubes, cujo atual bicampeão é o Real Madrid (superou o Kashima Antlers em 2016 e o Grêmio em 2017), é justamente o time da casa.

O Al Ain ganhou o campeonato nacional dos Emirados Árabes e se gabaritou para participar da competição.

Só que, no primeiro parágrafo do texto, a Fifa põe um asterisco ao lado do nome Al Ain.

Reportagem da Fifa titula que o Al Ain obteve vaga para o Mundial de Clubes; no texto, porém, o asterisco ao lado do nome do time mostra que não é bem assim (Reprodução/Site da Fifa)

A explicação está no final do texto: essa classificação só terá validade caso um outro time dos Emirados Árabes não vença a Liga dos Campeões da Ásia.

Por quê? Porque o regulamento do Mundial não permite que um país tenha mais de um clube no torneio.

Então como fica?

No atual estágio da Liga dos Campeões asiática (oitavas de final), os Emirados Árabes têm dois participantes, o Al Jazira (da capital, Abu Dhabi) e o próprio Al Ain (da cidade homônima).

Assim, para que a presença do Al Ain no Mundial seja confirmada, é necessário que o Al Jazira seja eliminado da competição continental.

Isso pode ocorrer agora em maio, no confronto com o Persepolis, do Irã. Ou em setembro (após as quartas de final). Ou em outubro (após as semifinais). Ou apenas no dia 9 de novembro, dia do jogo decisivo da final do campeonato.

No último cenário, o Al Ain levará mais de seis meses para ter certeza de que poderá ir a campo no Mundial. Uma eternidade.

E, caso o Al Jazira triunfe, quem irá aos Emirados Árabes no fim do ano será o vice-campeão da Ásia – desde que, obviamente, ele não seja o Al Ain.

Não acho que o Al Jazira, que disputou o Mundial de 2017 e tem como destaque o brasileiro Romarinho (ex-Corinthians), ganhará a Champions asiática, pois há times melhores (ou menos piores), mas que esse regulamento é esdrúxulo, é.

Não só por criar um impasse que pode perdurar por meses mas pela determinação, a meu ver errônea, que impede dois clubes de um mesmo país de atuar na cobiçada competição.

Qual o problema nisso? Que se dê uma vaga para o melhor da Liga dos Campeões e outra para o melhor do campeonato nacional do país-sede do Mundial. (Se for o mesmo time, aí entra o vice-campeão da Champions.)

Do jeito que está, corre-se o risco de castigar quem fez por merecer, de punir quem obteve o melhor resultado em campo. O que é um desprestígio e um retrocesso para o futebol.

Em tempo: Há uma equipe que tem certeza de que irá ao Mundial. O Chivas, de Guadalajara. Jogando em casa, o time mexicano conquistou a Liga dos Campeões da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe) ao superar nos pênaltis nesta quarta (25) o Toronto, do Canadá, depois de derrota por 2 a 1 no tempo normal – o Chivas, que não têm jogadores estrangeiros no elenco, havia ganhado o duelo de ida pelo mesmo placar.