Ibrahimovic causa impacto nos EUA e vislumbra volta à seleção sueca

Em meio à discussão se deve ou não retornar à seleção de seu país para a Copa do Mundo da Rússia, o veterano falastrão Zlatan Ibrahimovic causou impacto positivo em sua estreia no futebol dos EUA.

O sueco chegou a Los Angeles na quinta (29), foi apresentado pelo Galaxy – o time mais tradicional da famosa cidade da costa oeste e um dos mais badalados da Major League Soccer – na sexta e já se disponibilizou para atuar no sábado.

No duelo local contra o Los Angeles FC, o centroavante de 36 anos (ex-Barcelona, Inter de Milão, Paris Saint-Germain e Manchester United, no qual sofreu uma séria lesão no joelho direito que o afastou do futebol por sete meses em 2017), fez a diferença.

E que diferença.

No estádio Stubhub Center, em uma tarde ensolarada na cidade de Carson, o LA Galaxy começou perdendo, não de pouco. Foi para o intervalo tomando de 2 a 0 e, aos 3 minutos do segundo tempo, levou o terceiro.

Para quem acompanhava o jogo, anunciava-se goleada histórica, um 4 a 0, um 5 a 0, talvez mais. Uma reação do time de branco, àquela altura e naquelas circunstâncias, parecia improvável.

Só parecia.

O LA Galaxy se reorganizou, foi ao ataque, teve êxito e, quando Ibra entrou em campo, aos 26 minutos, a partida estava 3 a 2.

E ele entrou para ser protagonista, como tanto gosta de ser. Demoraram reles cinco minutos para mostrar a que veio – e em grande estilo.

O goleiro Tyler Miller, do LA FC, adiantou-se para fazer uma reposição de bola, posicionando-se fora da grande área.

Seu chutão foi prontamente rebatido pela defesa do LA Galaxy, na direção de Ibra.

O artilheiro, com espetacular visão de jogo, percebeu que Miller não tinha ainda se recolocado sob as traves e devolveu o chutão.

Preciso e perfeito. A bola encobriu o goleiro. 3 a 3. Comemoração efusiva, com direito a tirar a camisa 9 para extravasar e, de quebra, expor os músculos – o exibicionismo é uma das marcas do sueco.

Caso o jogo terminasse ali, já seria suficiente para Ibra ocupar as manchetes esportivas dos sites e jornais.

Mas não. Em seu primeiro jogo neste ano, ele queria mais, e conseguiu.

Aos 45 minutos, jogada de velocidade pela esquerda do ataque do LA Galaxy. Um outro veterano, o lateral Ashley Cole (ex-seleção inglesa, Arsenal e Chelsea), de 37 anos, cruzou e Ibra antecipou-se ao goleiro Miller e ao zagueiro Ciman para, de cabeça, balançar novamente as redes.

Ibrahimovic cabeceia para fazer, aos 45 minutos do 2º tempo, LA Galaxy 4 x 3 LA FC (Reprodução/YouTube)

4 a 3. Vitória do LA Galaxy. Ibra fazia jus ao apelido de longa data: Ibracadabra.

A questão que fica, depois de estreia tão portentosa, é: a Suécia recorrerá à mágica de Ibrahimovic no Mundial russo?

Aposentado da seleção de seu país desde o fim da Eurocopa de 2016, o maior artilheiro da história da Suécia (62 gols em 116 partidas) repensou, afirmou sentir saudade de vestir a camisa amarela da equipe nacional e avisou, no começo de março: “Se eu quiser, eu volto”.

Ibra parece estar certo de que pode se convocar. Porém não é bem assim.

Depende da vontade do treinador da seleção sueca, Jan Andersson. Que, com um time de operários, sem nenhum jogador excepcional, classificou o país para a Copa, eliminando a tetracampeã Itália.

Andersson, depois da classificação, deu a entender que Ibra era carta fora do baralho, mesmo se ele mudasse de ideia e se propusesse a voltar à seleção.

Pensamento lógico e coerente, pois queria valorizar o grupo que obteve, sem o talento e os gols de Ibra, a vaga no Mundial – os adversários da Suécia na primeira fase serão Alemanha, México e Coreia do Sul.

Recentemente, entretanto, o treinador deixou no ar a possibilidade de mudar seu conceito, desde que Ibra contacte-o para uma conversa, na qual exponha claramente seu desejo de ir à Copa. “Não serei eu a ligar para ele.”

Como a convocação ocorrerá somente no próximo mês, há tempo para que haja um acerto entre as partes.

Terá influência, certamente, o desempenho de Ibra nas próximas partidas do LA Galaxy.

A liga norte-americana não tem o mesmo nível das de Inglaterra, Espanha ou Itália, mas, se o atacante desembestar a fazer gols, haverá uma pressão crescente da mídia para que Andersson o inclua no elenco.

Talvez a um preço muito alto: rachar o grupo.

Mais vale um jogador diferenciado, que pode decidir uma partida em questão de segundos em um lance genial, ou uma equipe sem um expoente, porém unida e determinada?

É essa a questão que Andersson e sua comissão técnica terão de colocar na balança.

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Ibrahimovic (sem camisa) vibra ao marcar um golaço em chute de longa distância no estádio em Carson, Califórnia (Reprodução/Site do Los Angeles Galaxy)

Em tempo: Sou a favor da presença do craque, sempre. O craque é a essência do futebol, é quem atrai os holofotes, é quem dá graça ao espetáculo, ainda mais em tempos de futebol automatizado. Sem o craque, o jogo fica burocrático, fica chato, fica sonolento. Fica triste. Por isso torço para que Ibrahimovic vá à Copa, mesmo considerando improvável que isso aconteça.