Guardiola chega a 16 títulos ‘sérios’; o que isso significa?

Luís Curro

Demorou mais de um ano e meio, mas enfim Pep Guardiola, considerado por muitos analistas esportivos o melhor treinador do mundo, conquistou um título com o Manchester City.

A equipe faturou no domingo (25) no estádio de Wembley, em Londres, com um contundente 3 a 0 sobre o Arsenal, a Copa da Liga Inglesa (League Cup), uma das três competições realizadas na Inglaterra a cada temporada – as outras são o Campeonato Inglês (Premier League) e a Copa da Inglaterra (FA Cup).

O impacto de Guardiola – sinônimo de sucesso em suas passagens por Barcelona (2008-2012) e Bayern de Munique (2013-2016), com a implantação do estilo tiki-taka, de muita posse de bola, troca constante e rápida de passes (geralmente curtos) e movimentação dos atletas – não foi imediato no Man City, tanto que o time nada ganhou em 2016/2017.

Porém é muito provável que os torcedores da equipe achem que a espera tenha valido a pena.

Além do título da Copa da Liga, o clube é o virtual campeão inglês (tem 13 pontos de vantagem sobre o vice-líder, o rival local Manchester United, a dez rodadas do fim) e é um dos favoritos a erguer a taça da Liga dos Campeões da Europa.

Ao lado do auxiliar Mikel Arteta, o treinador do Manchester City, Pep Guardiola, segura o troféu da Copa da Liga Inglesa, o primeiro título conquistado na Inglaterra pelo treinador (Glyn Kirk – 25.fev.2018/AFP)

A Copa da Liga Inglesa foi o 16º título da carreira do espanhol Guardiola, hoje com 47 anos, considerando competições disputadas por clubes no decorrer de uma temporada: campeonatos nacionais, copas nacionais e copas internacionais, além do Mundial de Clubes da Fifa.

Esses são os títulos “sérios”, de acordo com artigo na revista americana de variedades “Paste” assinado por Daryl Grove.

Não entram na lista conquistas de “tiro curto”, como as em Supercopas nacionais ou europeias (decididas geralmente em jogo único) e as em torneios de pré-temporada.

Dá para concordar, pois esses campeonatos que receberam a chancela de “sérios” exigem um planejamento amplo e minucioso, e a atuação do treinador é sem dúvida determinante para o sucesso ou o fracasso do time.

Nesse ranking de títulos “sérios”, onde se situa o badalado Guardiola na Europa, entre os técnicos que estão na ativa?

No pódio, mas não no topo. Em terceiro lugar.

Pelo Barcelona, Guardiola ganhou três Campeonatos Espanhóis, duas Copas do Rei, duas Ligas dos Campeões e dois Mundiais de Clubes; pelo Bayern, três Campeonatos Alemães, duas Copas da Alemanha e um Mundial de Clubes; pelo Manchester City, uma Copa da Liga Inglesa.

O treinador do Manchester United, José Mourinho, beija a taça da Liga Europa, conquistada pela equipe no ano passado com vitória sobre o Ajax, da Holanda (Odd Andersen – 24.mai.2017/AFP)

Na segunda colocação está o português José Mourinho, com 20 títulos “sérios”: pelo Porto, dois Campeonatos Portugueses, uma Taça de Portugal, uma Liga dos Campeões e uma Copa da Uefa; pelo Chelsea, três Campeonatos Ingleses, uma Copa da Inglaterra e três Copas da Liga Inglesa; pela Inter de Milão, dois Campeonatos Italianos, uma Copa da Itália e uma Liga dos Campeões; pelo Real Madrid, um Campeonato Espanhol e uma Copa do Rei; pelo Manchester United, uma Copa da Liga Inglesa e uma Liga Europa.

E na primeira posição figura o romeno Mircea Lucescu, com 22 títulos “sérios”: pelo Dínamo de Bucareste, um Campeonato Romeno e duas Copas da Romênia; pelo Rapid de Bucareste, um Campeonato Romeno e uma Copa da Romênia; pelo Galatasaray, um Campeonato Turco; pelo Besiktas, um Campeonato Turco; pelo Shakhtar Donetsk, oito Campeonatos Ucranianos, seis Copas da Ucrânia e uma Copa da Uefa.

O atual técnico da seleção da Turquia, Mircea Lucescu, à época em que dirigia o Shakhtar Donetsk, da Ucrânia (16.jun.2014/Reuters)

Detalhe: o português de 55 anos começou sua carreira antes de Guardiola, no ano 2000, com o Benfica. E o romeno de 72 anos, antes (muitíssimo antes) de Guardiola, em 1979, com o Corvinul Hunedoara (Romênia).

O primeiro trabalho do espanhol, com o Barcelona B, foi em 2007. Desse modo, Guardiola tem média de 1,4 título “sério” por ano como técnico; Mourinho, de 1,1; e Lucescu, de 0,6.

Pode-se questionar a presença de Lucescu, pois só ergueu taças no comando de clubes de países tidos como periféricos no velho continente, mas o fato é que ele, nessas praças menos prestigiadas, mostrou competência para triunfar mais que os demais treinadores. Sua história é de sucesso.

Em tempo 1: Eis a quantidade de títulos “sérios” de outros treinadores de renome na Europa que continuam na ativa (todos bem mais velhos e com muito mais tempo de estrada que Guardiola): Arsène Wenger (13), Louis van Gaal (13), Carlo Ancelotti (12), Guus Hiddink (12), Marcello Lippi (12).

Em tempo 2: Não é possível deixar de mencionar os títulos “sérios” de um treinador com status de lenda, já aposentado. Sir Alex Ferguson, escocês, mito no Manchester United, somou 36, incluindo conquistas pelo Saint Mirren (1), pelo Aberdeen (9) e pelos Diabos Vermelhos (26).

Em tempo 3: Nem tudo são flores nesta temporada para Guardiola. Vale ressaltar que ele teve um fracasso recente, com a eliminação na Copa da Inglaterra na semana passada, diante do Wigan, que está na terceira divisão inglesa. Jogando como visitante e com um time misto, o Man City teve um jogador (Delph) expulso no fim do primeiro tempo e perdeu por 1 a 0. Zebraça.