Neymar ter saído de campo de maca lembrou a Copa de 2014

Luís Curro
Neymar após se lesionar no jogo do PSG contra o Olympique de Marselha, em Paris (Geoffroy Van Der Hasselt – 25.fev.2018/AFP)

Aos 31 minutos do segundo tempo da partida pelo Campeonato Francês em que o Paris Saint-Germain vencia com facilidade o Olympique de Marselha por 3 a 0, Neymar caiu no gramado, em um lance despretensioso, e não se levantou.

O replay mostrou que ele, no campo de defesa do PSG, pisou em falso em jogada na qual o meio-campista Bouna Sarr antecipou-se a ele após um passe de Thiago Motta.

No lance, percebe-se que Neymar torceu o tornozelo direito. O camisa 10, estirado no gramado do estádio Parc des Princes, casa do PSG, mostrava, pelo semblante, sentir muita dor.

Atendido no campo por cerca de três minutos, não teve condição de se levantar. Saiu de maca, chorando.

Mau sinal a maca.

Essa cena, uma maca retirando Neymar de um jogo, foi vista vez nas quartas de final da Copa do Mundo de 2014, no Brasil.

Naquela partida, uma entrada violenta do colombiano Zúñiga, nas costas do craque brasileiro, o deixou prostrado no gramado do Castelão, em Fortaleza.

Uma vértebra em sua coluna estava quebrada, apontou um exame.

Neymar não mais jogaria no Mundial, ficando fora do vexaminoso 7 a 1 para a Alemanha, na semifinal, e da derrota por 3 a 0 para a Holanda na disputa do terceiro lugar.

Neste domingo (25), se Neymar não conseguiu se recompor para continuar a jogar, se nem ao menos teve condição de ficar de pé e ir para o vestiário mancando, é porque a dor deve ter sido imensa.

Tomara essa dor não seja de fratura. Se for, Neymar deve ter ouvido um estalo (um “crec”) no momento em que o tornozelo “virou”.

Sei disso porque em 2005, jogando futebol soçaite em um torneio de imprensa, eu fraturei a fíbula direita ao, em um carrinho para tentar parar um ataque adversário, esticar a perna esquerda e a outra ficar “presa” no campo. Escutei o estalo. Dor horrenda.

Substituído, não sabia da gravidade do ocorrido. Ainda voltei dirigindo para casa, no fim da noite, sei lá como. Mas no meio da madrugada tive de ser levado, em agonia, com a região do tornozelo inchadíssima, a um hospital, do qual só saí engessado e de muletas.

Mais de dois meses até voltar a andar normalmente, e com a dor, suportável, perdurando por tempo indeterminado.

Quiçá não seja o caso de Neymar.

Pois, se for, além de perder o duelo decisivo com o Real Madrid, daqui a nove dias, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa – na ida, em Madri, o PSG perdeu por 3 a 1 –, até sua participação na Copa do Mundo da Rússia ficará ameaçada.

Depois da partida contra o Olympique, o zagueiro e capitão Thiago Silva afirmou que o tornozelo de Neymar estava bastante inchado, e o repórter Alexandre Oliveira, do SporTV, que estava no estádio, afirmou que o jogador tratava o local com gelo.

Em resposta a questionamento de “O Mundo é uma Bola”, a assessoria de comunicação do PSG informou que o atacante passaria por exames e que nesta segunda (26) haveria informações sobre a gravidade da contusão.

Batamos na madeira.

Em tempo: Jogador que mais apanha dos rivais nas principais ligas europeias (só diante do Olympique ele sofreu oito faltas), eu imaginava que, se Neymar tivesse uma lesão, seria devido a uma botinada de um oponente na hora em que ele avançasse em velocidade ou tentasse um drible mirabolante. Mas não. A torção, totalmente acidental, ocorreu em lance no qual o jogador do Olympique (Sarr) jogou limpo e não teve culpa alguma.