Messi tem 20 gols no Espanhol, mas poderiam ser 34, não fosse uma inimiga

Luís Curro

Cinco vezes eleito o melhor jogador do planeta, Messi faz aos 30 anos mais uma excelente temporada.

O supercraque argentino não dá sinais de decadência e comanda o ataque do Barcelona, líder disparado do Campeonato Espanhol, finalista da Copa do Rei da Espanha e vivo na Liga dos Campeões da Europa.

Com 2o gols, ele é o artilheiro da liga espanhola e está na disputa para tentar faturar mais uma Chuteira de Ouro, prêmio entregue ao principal goleador dos campeonatos nacionais disputados na Europa.

No momento, está atrás nessa disputa de quatro outros atacantes: o inglês Harry Kane (Tottenham, 23 gols), o uruguaio Edinson Cavani (Paris Saint-Germain, também 23 gols), o egípcio Mohamed Salah (Liverpool, 22 gols) e o compatriota Kun Agüero (Manchester City, 21 gols).

Poderia, entretanto, estar bem à frente deles, não fosse uma tremenda inimiga que tem encontrado constantemente pela frente nesta temporada durante as partidas.

Inimiga, no feminino. Exatamente. Ela tem um nome, e esse nome tem cinco letras.

T-r-a-v-e.

Neste Campeonato Espanhol, Messi esteve em campo pelo Barça 24 vezes, ou seja, em todos os jogos da equipe catalã. Balançou as redes 20 vezes e, em outras 14, parou na trave (nas laterais ou na superior, esta última popularmente chamada de travessão), a última delas neste sábado (17), contra o Eibar.

Messi acerta a trave do Eibar no Campeonato Espanhol; veja os melhores momentos da partida (Reprodução/YouTube)

Ou seja, em 14 tentativas, por centímetros ele não foi bem-sucedido. Tivesse sido, estaria hoje com 34 gols, ou a apenas três dos 37 que lhe asseguraram a Chuteira de Ouro em 2016/2017.

Messi também faturou esse troféu, entregue pelo grupo de mídia European Sports, em 2010, 2012 e 2013. É quem mais venceu, junto com o português Cristiano Ronaldo (2008, 2011, 2014 e 2015), e quem ganhou tendo feito o maior número de gols: 50, na temporada 2011/2012.

Naquela temporada (2011/2012), aliás, o camisa 10 do Barça também carimbou a trave 14 vezes, conforme levantamento do grupo Opta Sports, mas em 37 partidas.

Tudo indica que em breve ele baterá esse recorde. Um recorde que certamente ele não gostaria de ter.

Messi (dir.) comemora com companheiros de Barcelona a vitória contra o Eibar (Reprodução/Twitter do FC Barcelona)

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Em tempo 1: O leitor atento questionará, a respeito dos goleadores da temporada até agora, por que não incluí entre os citados na concorrência à Chuteira de Ouro o brasileiro Jonas, que já anotou 25 gols no Campeonato Português. Eis a razão: o peso de cada gol na liga portuguesa é de 1,5, menor do que nas de Alemanha, Espanha, França, Inglaterra e Itália, todas com peso 2. Assim, Jonas tem pontuação de 37,5, bem atrás da dos líderes, Kane e Cavani (46 cada um).

Em tempo 2: Neymar, do PSG, quer ser o melhor do mundo, o próprio mundo sabe. Seria um tremendo trunfo para ele, além de conquistar a Liga dos Campeões da Europa (para seguir em frente sua equipe precisa reverter a desvantagem de 3 a 1 que o Real Madrid construiu no jogo de ida das oitavas de final) e a Copa do Mundo da Rússia (que começa no dia 14 de junho), faturar a Chuteira de Ouro. Ele está com 19 gols no Francês. Até hoje, apenas dois brasileiros receberam o prêmio: Ronaldo Fenômeno, em 1997 (pelo Barcelona) e Jardel, em 1999 (pelo Porto) e em 2002 (pelo Sporting).